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Date Posted: 16:32:42 07/10/03 Thu
Author: Adriana Simões
Subject: 10ª Semana - Blade Runner

Professora Vera e colegas,

Nos capítulos trabalhados nesta semana a questão do objetivismo e subjetivismo surge como um dos pontos para os quais direcionei meus pensamentos. Quando penso no surgimento da Sociologia, lembro-me, ainda no ciclo básico do curso, dos professores salientando a importância de se pensar o surgimento desta nova ciência relacionado a uma metodologia.

O emprego sistemático da razão representou um avanço para libertar o conhecimento do controle teológico, da tradição, da "revelação". E se os astrônomos e físicos buscavam os segredos da lei natural no universo físico e os cientistas da biologia, a compreensão científica da vida e de suas leis, por que não aplicar estes métodos das ciências físicas e biológicas no estudo dos fenômenos políticos e sociais? As mudanças decorrentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial levaram os pensadores da época a procurarem racionalizar a nova ordem, encontrando soluções para o estado de "desorganização" existente. Para restabelecer a ordem e a paz era preciso encontrar um estado de equilíbrio na nova sociedade. Era preciso então conhecer as leis que regem os fatos sociais instituindo uma ciência da sociedade. A sociedade passa a ser um objeto que deveria ser investigado.

Auguste Comte acreditava que para haver coesão e equilíbrio na sociedade seria necessário criar um conjunto de regras comuns a todos os homens. As Sociologia deveria então, tal como as demais ciências, dedicar-se à busca dos acontecimentos constantes e repetitivos da natureza. Esta nova ciência teria no método positivo sua fundamentação. Ou seja, os cientistas sociais utilizariam os métodos da observação, indução e experimentação, tal como os cientistas naturais. Era preciso impor-se como ciência e para isso era preciso utilizar os métodos científicos reconhecidos na época.

Ainda hoje alguns autores questionam a Sociologia como ciência. Muitos destes autores baseiam-se em Thomas Kuhn, para quem as ciências sociais são ciências imaturas. Explicando.... Para Kuhn, em uma ciência madura - ou normal - encontramos um único paradigma aceito como verdadeiro pela comunidade científica. Ele é reconhecido durante algum tempo, mas poderá ser questionado e substituído. Esse ciclo representa o avanço do conhecimento científico para ele. No estágio pré-paradigmático ocorre a disputa de paradigmas e uma discussão sobre seus fundamentos. No período paradigmático a comunidade científica apoia o paradigma "vitorioso". Mas uma "violação" das expectativas paradigmáticas pode instaurar um período de crise, fechando o ciclo com a volta das discussões do período pré-paradigmático.

Como falar de um único paradigma em uma ciência que tem dois de seus maiores pensadores - Durkheim e Marx - em constante conflito? Apenas para exemplificar... Enquanto o primeiro vê como função da Sociologia a solução dos problemas sociais, com o propósito de restabelecer o bom funcionamento da sociedade, mantendo-se a ordem, o segundo vê na Sociologia a possibilidade de realização de mudanças radicais na sociedade. Se esta ausência de um único paradigma - uma única verdade - impede que as ciências sociais sejam consideradas uma ciência madura, por Kuhn - para ele elas estariam no período pré-paradigmático em direção à ciência normal - por outro lado indicam, para alguns cientistas sociais, seu caráter saudável, uma vez que elas não passam pelas mesmas exigências da ciência normal, porque são de outra natureza, distinta das ciências naturais. A Sociologia, teria assim, um caráter multiparadigmático, uma vez que as condições definidoras da crise do paradigma nas ciências naturais são a rotina nas sociais.

Por que tudo isso? A tradição filosófica ocidental funda-se na idéia de que temos acesso a verdades absolutas e incondicionais. A teoria de Lakoff e Johnson sobre as metáforas vai de encontra a esta tradição, uma vez que para eles a metáfora é um agente do subjetivismo. Deste o início deste curso venho - como quase todos - insistindo na relação metáfora/ contexto sociocultural. Pensar a metáfora "antes de Lakoff e Johnson" é negar o contexto sociocultural e aceitar a razão. Ao concordamos com os autores estamos admitindo a "crise" como rotina também na "construção das metáforas". Estamos admitindo as diferentes interpretações, as diversas verdades.

A "óptica" de Newton ensinava, no século XVIII, que luz é matéria. O século XIX nos afirma que luz é onda. Einstein, no século seguinte, demonstra que luz é onda e partícula. Todas estas afirmações permitem a reprodução objetiva de suas experiências em laboratório. Se realizadas corretamente, estas experiências demonstrarão objetivamente cada uma das afirmações. Mas e quando a afirmação é "Eu sou a Luz da vida"... Onde buscar os elementos que nos permitam a confirmação objetiva do significado? Muitos podem empregar esta frase com diferentes significados. Muitos podem compreender esta frase com diferentes significados. Impossível falar de objetivismo aqui...

Mas Lakoff e Johnson apontam para uma síntese que não havia pensado ainda... A síntese experiencialista. Até o momento pensava na dicotomia "objetivismo x subjetivismo". Novamente penso na Sociologia.... Durkheim e Weber representam, nesta ciência, a objetividade e subjetividade, respectivamente. Mas os fatos sociais - segundo Durkheim exteriores aos indivíduos, portanto objetivos - não seriam a associação de consciências através do significado atribuído subjetivamente pelos próprios indivíduos? Já a ação social - que segundo Weber não exclui a coerção - quando compartilhada coletivamente não é capaz de exercer uma pressão externa sobre o indivíduo?

Talvez não exista mesmo a dicotomia... No jornalismo hoje se fala em "objetividade possível". Ao apontarem a relação razão/categorização os autores, no meu entender, nos respondem às questões discutidas na primeira semana, quando analisamos o poema de Drummond... "O alfange que sono e sonho ceifa devagar mal se desenha, fino"... A discussão não estava no "significado racional" de alfange, mas nas diferentes categorias que utilizamos para pensar nossas metáforas. Se pensasse alfange através da categoria "instrumento", certamente pensaria no esqueleto carregando aquele instrumento, chegando portanto à metáfora morte. Mas alfange, ali, foi pensando através da categoria "forma" e daí a metáfora lua. Bem, o resto da história vocês já sabem.. Virada de lua.. meus sobrinhos.. vida... Se admitirmos um sentido único para alfange estaremos admitindo que o sentido está "ali mesmo, nas palavras". Isso seria render-se ao mito do objetivismo, negando a compreensão - através de categorias - que exige a experiência.

Maria Célia citou o filme "O show de Truman". Nossa leitura me fez pensar em outro filme: "Blade Runner"... Só uma coisa diferenciava os humanos dos não humanos: a memória. A experiência que me faz compreender as coisas de uma maneira, possivelmente diferente da maneira como cada um de vocês as compreende. Pensar a lingüística, a sociologia, a antropologia e os valore éticos a partir do mito do objetivismo é transformar todos nós em andróides: a comunicação é possível, de certa forma garantida, pois os significados são determinados e compartilhados, mas a experiência de cada um é calada. Neste caso, parece-me que a comunicação só seria possível se as metáforas do canal fossem as únicas utilizadas.

Hoje não fiquei muito satisfeita com meu texto.. Não sei se consegui expressar minhas dúvidas e reflexões...

Um abraço para todos,

Adriana

Se me permitem um comentário... Ontem estive na FALE... Cheguei a procurar pela professora Vera em sua sala, para conhecê-la, mas ela não estava.. Desci para comer um pão de queijo e fiquei pensando: quem de vocês poderia estar ali, lanchando nas mesas da cantina... Sensação engraçada...

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