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Date Posted: 20:02:15 07/16/03 Wed
Author: Maria Raquel Bambirra
Subject: Re: TAREFA 11
In reply to: Vera Menezes 's message, "Re: TAREFA 11" on 19:14:41 07/15/03 Tue


Boa noite Maura, Profa. Vera, Cíntia e outros colegas todos!

Eu li umas 500 vezes o primeiro poema que a Maura analisou e gostaria de colocar que discordo totalmente de sua leitura, Maura. Descordo ainda da sua observação, Professora, com relação à metáfora da vida como uma viagem e o fardo aser carregado poderia ser associado à mala/bagagem do indivíduo. Observação essa que foi creditada por Cíntia... Com muito respeito pelas leituras de vocês, passo a expor a minha leitura, para que vocês critiquem também. Levantei todo o contexto que o escritor nos indica para destrinchar as metáforas, mas sei que preciso aprender muito! Conto com vocês pra isso.

O escritor começa o poema exclamando, expressando que está sofrendo demais. Exclamação é o tipo de frase que a gente usa quando constata uma coisa sem questionamento imediato. Ele, na situação em que se encontra, vê-se como a um burro-de-carga que está atrelado a uma carroça -- é impossível que ele, por si só, consiga desatrelar-se. Um burro não consegue soltar-se de uma carroça! O poeta então exclama percebendo sua impotência diante do seu sofrimento atual. As primeiras metáforas já denotam o ambiente em que o escritor vive: o campo. Todas as que se seguem confirmam essa circusntância, até o final do poema. Então acho fundamental que procuremos elicitá-las uma por uma, para que a leitura não fique comprometida...

Ele compara-se a um burro-de-carga (implicitamente) para remeter-se a metáfora básica: A VIDA ATUAL É UM FARDO! Mas hora nenhuma ele fala da vida como uma viagem. E também hora nenhuma ele fala de momentos já vividos. Ele retrata seu momento atual. Não fala do passado nem do futuro. Constata sua condição, exclama, registra-a.

A carroça de carvão é muito comum no campo, em países frios como nos Estados Unidos e Canadá, e também no norte da Europa. Trata-se de carvão mineral, usado para alimentar os "furnaces". Não sei a tradução disso! Nunca vi um no Brasil! Mas sei que até hoje, somente as famílias muito ricas podem se dar ao luxo de ter um "electric heating" embutido em algum lugar do cômodo, ou até um "electric heating" para controlar a temperatura da casa toda! Wow! O que acontece ainda nos dias de hoje, e presenciei isso no inverno deste ano no Canadá (42 graus negativos), é o uso largo de lareiras comuns e desses "furnaces", que distribuem o calor gerado pelo carvão mineral para todos os cômodos da casa, controlando a temperatura ambiente, bem como a água das torneiras (sempre tem uma quente e uma fria) como você quiser, desde que não se esqueça de alimentar o "main device" lá. No campo, é óbvio que o único meio de aquecimento é a lareira e o "furnace". Então, a metáfora da carroça de carvão foi escolhida porque esse elemento é muito familiar ao escritor, faz parte do seu dia-a-dia! De onde vem o carvão mineral? Das minas de carvão espalhadas por toda a Europa, principalmente na Alemanha, e por todo os Estados Unidos e sul do Canadá. Hoje em dia esse carvão é transportado em caminhões adaptados para tal fim, mas em 1950, data indicada pela colega, era em lombo de burro mesmo.

A cor da carroça, nós desconhecemos, pois em hora nenhuma ele faz alusão a isso, mas eu arrisco madeira crua mesmo. Quem vai pintar de preto uma carroça? E pra que se uma carroça é feita para ficar no tempo? Pintar é caro! Não se usa pintar carroças.

Que conteúdo esta carroça carrega, que é tão difícil carregar? É dor. A carroça de carvão é metáfora para sua prisão, seu atrelamento, sua incapacidade de reverter o quadro de dor em que se encontra.

O poeta tem nojo de aranha. Então ele usa a aranha como metáfora para o tempo, ou a lenta passagem dele, representada pela metáfora ontológica rasteja, coerente com a forma como a aranha se desloca. Ele tem nojo do tempo passar assim tão devagar. É cruel para a sua circunstância de vida. Quem vê o tempo passar devagar? Quem está a toa, ou entrevado, doente, velho, incapaz de trabalhar e/ou se distrair... Chamo a atenção de vocês para o uso da preposição "sobre". Ele sente a passagem do tempo como que rastejando-se sobre ("on") seu corpo, ou seja, ele tem nojo das seqüelas com as quais tem que conviver todos os dias por causa de o tempo passar tão devagar e tornar seu sofrimento infinito.

Ele continua dizendo que sua cabeça está branca ("encanece-me a cabeça") e que seus cabelos caem -- está velho! Mas ele fala isso dentro de um contexto: "para o campo". Ele, trabalhador rural, já não tem mais serventia, está velho, doente provavelmente, já não agüenta trabalhar no campo.

No campo, "Para lá do qual ceifa / O último segador". "Para lá ... do último", quer dizer que ele já não consegue ir tão longe para trabalhar. Não fica claro no entanto se ele é segador também, mas arrisco dizer que ele trabalhava até pouco tempo nas minas de carvão, pela proximidade da experiência metafórica. As minas, neste caso, poderiam localizar-se "para lá" dos campos de trigo, cevada ou centeio (?) (culturas do frio que são ceifadas na colheita!) provavelmente!

"O sono ensombra-me os ossos" -- Na sombra não há o calor do sol. Se não é verão, sentimos frio. Quando o poeta dorme, no sono, ele sente dores nas articulações, porque é velho, sua pressão naturalmente cai, e porque sente algum frio. Juntamente com a dor física que é artrite, artrose, reumatismo, etc., ele sofre de dor emocional: ele sonhou com sua morte. A gente, quando não quer morrer, diz que teve um pesadelo no qual tinha morrido. Ele diz: "Morri no sonho já," e eu chamo a atenção das colegas pra palavrinha já! O que quer dizer já? Quer dizer que algo foi antecipado, concluído antes mesmo do prazo esperado, uma vitória contra o tempo! Ele espera a morte e quanto antes ela vier melhor. Ele sofre tanto que quer morrer, e o faz sem dramatizar sua situação. Esse cara é muito corajoso, desprendido do material, fantástico!

Ao final da descrição que ele faz do seu sonho, ele diz que a terra de que seu crânio era feita era negra. Às vezes, o carvão mineral aflora, o que explicaria a terra onde ele vive ser negra aqui e acolá. Isso é muito comum em lugares próximos às minas de extração do carvão mineral.

Como é? Falei até! Fico no fim que mereço. As colegas por favor comentem minha leitura... termômetro sempre é bom!

Vou dormir que já é tarde!

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