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Date Posted: 14:27:45 07/03/03 Thu
Author: Cintia Cherubino
Subject: Re: Semana 9: a Verdade,
In reply to: Pedro 's message, "Re: Semana 9: a Verdade," on 11:00:57 07/03/03 Thu

>Concordo c/ vc Pedro uma vez que o sempre neutraliza a relatividade das coisas. Me pego a pensar será que a verdade é sempre relativa? Afirmação perigosa essa, não?Será q/ se nao tivéssemos parâmetro do que é real ou virtual conseguiríamos nos conduzir pela vida afora ou viveríamos num caos total?
o q vc acha?
um abraço,
Cintia





Caros colegas virtuais, Prof.a Vera,
>
>e Maura, a quem muito legremente me dirijo, tentando
>explicar-me. Não sei se conseguirei.
>
>Conforme disse numa outra "árvore" deste fórum, a
>fragilidade inicial de Lakoff e de Johnson reside no
>fato que: 1) ao admitir que "a verdade é sempre
>relativa", deve-se concluir que também essa sentença
>é relativa, e portanto, precisaria ser explicitado em
>que contexto e para qual bagagem prévia isso seria
>verdadeiro; ou, admitindo que essa é uma sentença de
>valor absoluto,universalmente válida (os autores dizem
>"sempre"), então, não se pode dizer que a verdade é
>sempre relativa. Nesse caso ela seria universalmente
>válida e ficaria comrometida a validade e a utilidade
>da sentença "A verdade é sempre relativa."
>
>Partindo do pressuposto plausível de que a sentença
>"a verdade é relativa" possa ser aceita como válida em
>muitos casos, eu perguntei aos colegas: em que
>contexto, circunstâncias as sentenças gerais emitidas
>por Lakoff e Johnson (como por exemplo, "compreendemos
>e pensamos, e agimos sobre o mundo a partir de
>referências metafóricas"), são verdadeiros? No
>contexto de falantes de instrução mediana ou menos,
>estratos sociais para quem, em geral, pensar
>abstratamente não é prática comum, pratica para a qual
>não se exercitaram formalmente? Ou seria verdadeiro
>em sociedades primitivas em que a metáfora não é
>entendida e usada como tal, mas como a única forma de
>entender a realidade [o trovão é a voz de Deus, a
>escuridão(para nóis eclipse total) é castigo de Deus,
>não são metáforas para eles], com vistas a agir
>eficazmente sobre ela? Essa eficácia seria medida em
>termos de controle das forças da natureza em favor da
>melhoria de níveis de conforto alcançados por essas
>sociedades?
>
>Finalmente, se os autores se restringissem a dizer que
> a metáfora da "solução" (solvere) permite-nos ver os
>"problemas como coisas que nunca desaparecem
>completamente e que não podem ser resolvidos de
>uma>vez por todas ”( pág. 240), que você muito
>cuidadosamente localizou, e que “solucionar o
>problema” da verdade não constitui tarefa fácil,
>assinaria em baixo, sem ressalvas. Como também
>fá-lo-ia com relação a “Embora tenhamos visto que
>essas metáforas novas e não convencionais irão
>adaptar-se ao que, em geral, compreendemos como
>verdade, enfatizamos mais uma vez que essas questões
>de verdade são as questões menos relevantes e
>interessantes que surgem no estudo da metáfora”, diria
>que, para a sistemaização das metáforas em " campos
>temáticos', " eixos de significação" domínios de
>significados" [não sei qual o termo apropriado de
>dizer isso, talvez a lingüistica tenha seu "jargão"
>que simplifica o discurso e que permite aos iniciados
>se comunicar economizando palavras] se fosse isso,
>também não teria dificudade em aceitar as conclusões
>dos autores a esse respeito. A controvérsia nasce
>quando eles saem do campo da lingüistica e teorizam
>sobre o processo e a validade do conhecimento. A
>discussão sobre realismo e subjetivismo, a sugestão de
>uma terceira via, essas questões não são necessárias
>para o objetivo a que os autores se propõem. Não sou
>um realista, no sentido que acho que nós possamos
>alcançar pelo intelecto a essencia das coisas ou dos
>fatos e relações humanas/sociais; mas interessa-me
>saber a validade das generalizações que se fazeem a
>partir de um certo número de casos individuais,
>particulares; isto é, determinar a validade da
>passagem do individual para o conhecimento geral, pela
>abstração. Nesse sentido, não acho que possamos
>avançcar muito mais do que as conclusões a que o
>pragmatismo chegou. A ciência - mesmo a economia - é
>um modelo de interpretação da realidade. É válida até
>que dê conta de explicar os fenômenos de que se ocupa.
>Passar daí é resvalar em discussões acerca das quais
>não se chega a conclusões, nem mesmo provisórias. Para
>concluir mesmo, a compreensâo dos termos do discurso é
>ponto de partida para qualquer juízo sobre a validade
>de uma sentença. Fora disso, será discurso de surdos,
>será Babel (concluir com uma metáfora!o que é sempre
>arriscado de provocar mal-entendido).
>
>Um abraçco, Pedro

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