Subject: Re: Sampaio deslizou para o ampo da direita
Author:
João Lopes
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Date Posted:21:13:47 07/12/04 Mon In reply to:
paulo fidalgo
's message, "Re: Sampaio deslizou para o ampo da direita" on 07:29:57 07/12/04 Mon
Não posso deixar de considerar pelo menos deselegante que se socorra de opiniões dum ex-deputado do PSD da era pós-cavaquista (Vasco Pulido Valente) para ajudar a enterrar o até à poucos dias Secretário-geral do PS. Para quem tanto criticava o PCP alegando que este considerava que PS=PSD, é espantoso! Ainda por cima que tenha esta opinião sobre uma das poucas vezes em que as reivindicações do PCP e do PS coincidiram.
É claro no seu texto que para si “a crise surge à esquerda como prematura”. Mas relembro que na campanha das europeias a CDU pedia um cartão vermelho para o governo, o PS pedia um cartão amarelo e o bloco por causa da sua snobeira recorrente nem uma coisa nem outra e até criticava a reivindicação dos cartões.
Depois, os resultados das europeias foram tão expressivos, que o PS e o Bloco juntaram-se ao PCP na reivindicação de que o PR mostrasse o cartão vermelho ao governo e convocasse novas eleições. E com a saída do Durão esta alternativa era tão legítima como a outra que o PR adoptou.
Isto é os partidos da oposição foram ao PR pedir eleições antecipadas. Para os três partidos da oposição estava na hora de ir para eleições. Isso da prematuridade é a sua opinião individual não é o entendimento dos três partidos que foram a Belém dar a sua opinião ao Presidente.
Portanto a decisão do Presidente é da sua inteira responsabilidade. Não permitindo que o povo nas urnas se pronunciasse, o Presidente permite a continuação do governo e das políticas da coligação de direita. As culpas são exclusivamente do Presidente. Não se culpe nem o povo nem os partidos da oposição. Porque o Presidente ouviu quem entendeu e por exemplo entendeu não ouvir nenhuma estrutura sindical nem nenhum dirigente sindical. E decidiu como entendeu e pelas razões que explicou.
Acho ainda que é no mínimo indecoroso que se ande agora com explicações “ad-homine” para de certo modo explicar o que foi uma escolha política do PR. É ao PS que compete as escolhas dos dirigentes, não é ao PR. E seria inadmíssível que o PR sonegasse o direito ao povo de ir às urnas para obrigar a mudanças na direcção de qualquer partido. Neste tipo de discussão não entro.