Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 20:48:50 06/07/04 Mon
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "FEDERALISMO - Algumas (brevíssimas) reflexões críticas" on 16:33:09 06/06/04 Sun
10. Embora a longo prazo estejamos todos mortos (como dizia Keynes...) habituei-me há muitos anos a pensar as coisas da sociedade humana sempre a longo ou mesmo muito longo prazo... Coisa para várias gerações... Aliás a minha problemática teórica de estimação (a tendencia decrescente da taxa de lucro) só tem verificação a longo prazo. Coisa para 25 a 30 anos...
11. Lembram-se concerteza daquela definição (propositamente simples) do Lenine, de que o Socialismo era o poder dos sovietes e a eletrificação da Rússia?...
Pois bem, se me desculparem a prosápia eu diria que o federalismo, ao nível da (ou aplicável à) União Europeia é assim como o nosso caseiro movimento para a regionalização. Sem quaisquer intuitos provocatórios (estou só a tentar esclarecer o meu pensamento...), o PCP foi coerentemente A FAVOR do Regionalismo. Houve certamente quem acusasse o PCP de que aquilo que queria era alcançar o poder pelo menos numa Região (o Alentejo). Por mim não fiz nem faço esse processo de intenção. Só que entendo que, sendo Portugal um país bastante homogéneo (dos mais homogéneos na Europa), não fazia (nem faz) sentido introduzir mais um escalão na hierarquia do poder político e da administração pública.
12. Levado às suas ultimas consequências, o federalismo aplicado à Europa, PODE LEVAR a alguma e relativa "desagregação politico- administrativa" da Alemanha, da França, da Espanha ou até da Itália. Países onde se justifica a tal "regionalização". Ou seja, não se cometa aqui o êrro de ver sempre uma Alemanha homogénea, ou uma Espanha "grande, forte e una".
Ou seja, e ainda, levado às suas ultimas consequências, o federalismo aplicado à Europa, PODE LEVAR a alguma e relativa "REGIONALIZAÇÃO", sendo que Portugal seria uma das regiões mais homogéneas da Europa.
Para afirmação identitária e cultural, podem os nossos bisnestos dormir descansados. O trabalho está feito. Se, como dizia o Pessoa, a mimhab pátria é a minha língua, já somos cerca de 200.000.000 a falar Português.
13. Curiosamente (só a propósito...) o projecto de autonomia- quase-independencia dos Bascos (na legalidade!...), de obterem um estatuto de "Estado Livre Associado" refere (indirectamente) Portugal ao falar da constituição, no seio de uma Europa Federal, de um espaço intermédio a nível Peninsular Ibérico. É que eles (os Bascos) têm a noção perfeita de que nós (os Portugueses) somos mais hispânicos do que eles. Que não o são de todo!!!
13. Ou seja, numa Europa Federal, a tendência será para a relativa igualização de capacidade interventiva dos diversos estados membros. ISTO NA PERMISSA DE UM ENQUADRAMENTO HISTÓRICO POLÍTICO DE PAÍSES-ESTADOS-NAÇÕES à la Século XVIII ou XIX... Com alianças conjunturais de geometria variável (como agora se diz...).
14. Porque em rigor, como o Tempo não anda para trás, a tendencia de longo prazo será para uma cada vez maior interpenetração de pessoas/trabalhadores e culturas... Pelo que a ideia de jogos políticos do estilo "eixo Paris-Bruxelas-Berlim" ou "Roma-Madrid-Lisboa" ou "Londres-Madrid-Roma-Varsóvia", são coisas se calhar em vias de extinção. A longo prazo!...
15. É por isso que acho estranho, para não dizer chocante, que haja ideólogos de Partidos supostos terem um profundo e radical sentido da História que se afirmem CONTRA o Federalismo...
Cordiais saudações...
Guilherme Statter
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