| Subject: Ora aqui está uma defesa inteligente e coerente do federalismo. |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 16:50:02 06/08/04 Tue
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "FEDERALISMO - Mais algumas (e avulsas) reflexões críticas" on 20:48:50 06/07/04 Mon
Gostei muito deste(s) post(s) de Guilherme Statter. Muito pedagógico e, principalmente, muito inteligente. Com efeito ele há federalismos e federalismos. E uma Federação de Estados - melhor, de nações - da Europa parece a solução adequada para um mundo de globalização e de grandes blocos. E nada impede que a Federação Europeia possa vir a ser uma Federação Socialista. Até parece ser mais provável isso acontecer do que mantendo uma pluralidade de pequenas soberenias cada vez mais apenas formais, que não económicas.
>10. Embora a longo prazo estejamos todos mortos (como
>dizia Keynes...) habituei-me há muitos anos a pensar
>as coisas da sociedade humana sempre a longo ou mesmo
>muito longo prazo... Coisa para várias gerações...
>Aliás a minha problemática teórica de estimação (a
>tendencia decrescente da taxa de lucro) só tem
>verificação a longo prazo. Coisa para 25 a 30 anos...
>11. Lembram-se concerteza daquela definição
>(propositamente simples) do Lenine, de que o
>Socialismo era o poder dos sovietes e a eletrificação
>da Rússia?...
>Pois bem, se me desculparem a prosápia eu diria que o
>federalismo, ao nível da (ou aplicável à) União
>Europeia é assim como o nosso caseiro movimento para a
>regionalização. Sem quaisquer intuitos provocatórios
>(estou só a tentar esclarecer o meu pensamento...), o
>PCP foi coerentemente A FAVOR do Regionalismo. Houve
>certamente quem acusasse o PCP de que aquilo que
>queria era alcançar o poder pelo menos numa Região (o
>Alentejo). Por mim não fiz nem faço esse processo de
>intenção. Só que entendo que, sendo Portugal um país
>bastante homogéneo (dos mais homogéneos na Europa),
>não fazia (nem faz) sentido introduzir mais um escalão
>na hierarquia do poder político e da administração
>pública.
>12. Levado às suas ultimas consequências, o
>federalismo aplicado à Europa, PODE LEVAR a alguma e
>relativa "desagregação politico- administrativa" da
>Alemanha, da França, da Espanha ou até da Itália.
>Países onde se justifica a tal "regionalização". Ou
>seja, não se cometa aqui o êrro de ver sempre uma
>Alemanha homogénea, ou uma Espanha "grande, forte e
>una".
>Ou seja, e ainda, levado às suas ultimas
>consequências, o federalismo aplicado à Europa, PODE
>LEVAR a alguma e relativa "REGIONALIZAÇÃO", sendo que
>Portugal seria uma das regiões mais homogéneas da
>Europa.
>Para afirmação identitária e cultural, podem os nossos
>bisnestos dormir descansados. O trabalho está feito.
>Se, como dizia o Pessoa, a mimhab pátria é a minha
>língua, já somos cerca de 200.000.000 a falar
>Português.
>13. Curiosamente (só a propósito...) o projecto de
>autonomia- quase-independencia dos Bascos (na
>legalidade!...), de obterem um estatuto de "Estado
>Livre Associado" refere (indirectamente) Portugal ao
>falar da constituição, no seio de uma Europa Federal,
>de um espaço intermédio a nível Peninsular Ibérico. É
>que eles (os Bascos) têm a noção perfeita de que nós
>(os Portugueses) somos mais hispânicos do que eles.
>Que não o são de todo!!!
>13. Ou seja, numa Europa Federal, a tendência será
>para a relativa igualização de capacidade interventiva
>dos diversos estados membros. ISTO NA PERMISSA DE UM
>ENQUADRAMENTO HISTÓRICO POLÍTICO DE
>PAÍSES-ESTADOS-NAÇÕES à la Século XVIII ou XIX... Com
>alianças conjunturais de geometria variável (como
>agora se diz...).
>14. Porque em rigor, como o Tempo não anda para trás,
>a tendencia de longo prazo será para uma cada vez
>maior interpenetração de pessoas/trabalhadores e
>culturas... Pelo que a ideia de jogos políticos do
>estilo "eixo Paris-Bruxelas-Berlim" ou
>"Roma-Madrid-Lisboa" ou
>"Londres-Madrid-Roma-Varsóvia", são coisas se calhar
>em vias de extinção. A longo prazo!...
>15. É por isso que acho estranho, para não dizer
>chocante, que haja ideólogos de Partidos supostos
>terem um profundo e radical sentido da História que se
>afirmem CONTRA o Federalismo...
>Cordiais saudações...
>Guilherme Statter
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