Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 14:51:28 05/02/04 Sun
In reply to:
Pedro Caeiro
's message, "Re: A ROSCA MOÍDA" on 19:29:41 05/01/04 Sat
Estava numa de descansar da jardinagem e dos netos e vim até aqui...
Prosa interessante (A ROSCA MOÍDA) só que confesso que não estou seguro de ter percebido tudo.
E em particular o que é que isto tem a ver com as "contradições" (do discurso do PCP sobre as Europeias).
Por mim vou tentar esboçar algumas reflexões sobre as ditas cujas (as eleições para o Parlamento, note-se, não as contradições apontadas por Paulo Fidalgo).
1. Anda-se há uma data de anos a "construir" uma Europa sem fronteiras, mais unida, de preferência social e orientada para os interesses de quem trabalha.
2. Esse processo longo e lento de "construção" de uma nova entidade política (a que nesta altura do campeonato se chama "União Europeia") tem sido, naturalmente, eivado de contradições, avanços e recuos.
3. Nesse processo têm participado países grandes (a Alemanha é agora o maior) e países minusculos (o mais pequeno é mesmo o Luxemburgo.
4. Em nome de nacionalismos construídos no século XIX (!...) alguns cidadãos europeus têm a estulta, peregrina e reaccionária ideia de que UM cidadão luxemburguês tenha na União Europeia o mesmo pêso que DUZENTOS cidadãos alemães. Mais coisa menos coisa...
5. A História é história e o passado já foi. A afirmação histórica da nação portuguesa (à revelia e até contra a afirmação histórica das outras nações hispânicas), está feita. E hoje quem quiser fazer negócios com uma das maiores potências industriais do mundo (o Brasil) tem todo o interesse em aprender a falar Português. E em África, a Lingua Portuguesa está tranquilamente implantada. Até tem estatuto constitucionalmente consagrado na Républica da África do Sul. E é uma das linguas de trabalho da União Africana. E só não há mais africanos a aprender Português (como acontece no Gabão) porque o nosso (des)governo tem outras prioridades.
Ou seja, os discursos de defesa do uso da Lingua Portuguesa nos circuitos burocráticos da U.E., são muito bonitos mas cheiram-me àquele grito de um deputado à Assembleia Constituinte em 1975 ("viva a Republica").
6. Assim sendo Portugal e os Portugueses não têm que recear perda de soberania e independencia (quantas vezes isso já sucedeu?... Ou já se esqueceram do Gomes Freire e do significado do Campo dos Mártires da Pátria?).
Um dos efeitos da globalização (esta, a que ainda temos, a neo-liberal do G-8) tem sido o reavivar das afirmações de revivalismo étnico. Uma espécie de "radicalismo pequeno-burguês" (reaccionário) e à escala planetária.
É com "isto" que o PCP quer alinhar? Por mim não acredito, mesmo se às vezes até parece.
7. Na construção da União Europeia, a mim, o que me interessa é a continuada progressão dos interesses de quem trabalha, quer seja patrício meu quer seja natural da Eslovénia. Por outras palavras o que é bom para o Belmiro de Azevedo (é apenas um nome...) não é necessariamente bom para os Portugueses apenas trabalhadores (ou Espanhóis, ou Franceses, ou Sul-Africanos...). A esse respeito constato que ao nível da reflexão ideológica parece que o nosso PCP ainda não conseguiu resolver o dilema "classe" e "nação".
7. Tudo isto não me impede de constatar que (se quiserem, do mal o menos...) a proposta para as eleições que mais confiança me merece (ainda que apenas no plano conjuntural) acaba por ser a do PCP.
Fico-me por aqui, que os netos já me estão outra vez a chamar...
Cordiais saudações.
Guilherme Statter
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