| Subject: Re: Portugal e o Alargamento da UE |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 10:21:30 05/03/04 Mon
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: alargamento da UE: 3 posições" on 22:32:06 05/02/04 Sun
Há aspectos "técnicos" inquestionáveis que decorrem do alargamento político da UE ao chamado Leste Europeu.
Portugal é o Estado-Membro que menos beneficiará com esse alargamento.
Para esta afirmação contribuem as alterações que têm lugar ao nível da politica de coesão ,em particular, o previsível desvio de fundos comunitários para os novos membros , as alterações dos fluxos de investimento directo estrangeiro , o desvio do centro da União Europeia para Leste associado ao aumento da população e da área geográfica e a descida do PIB médio per capita de toda a União com este alargamento , situando o nosso país acima dessa média , mas com o consequente impacto em termos de redução do esforço financeiro comunitário em prol do seu desenvolvimento.
Ilda Figueiredo aponta e bem a falta de estratégia do governo e a submissão a critérios atentatórios do que resta da economia portuguesa , sem todavia resvalar para um nacionalismo bacoco...
>Diz Paulo Fidalgo:
>>o que acho interessante nela é o facto de Miguel
>>Portas dar uma resposta, digamos de mais Europa, para
>>se obter uma outra Europa.
>>E Ilda querer mais Portugal numa Europa ameaçadora e
>>mais ainda depois do alargamento.
>>Esta posição, só em grau se distingue do nacionalismo
>>anti 1580 de MMonteiro.
>
>Não me parece que seja bem assim.
>Pelo que diz o Expresso (pelo menos a parte para aqui
>transcrita), a sra. Ilda Figueiredo - e passo a citar:
>"considera que Portugal «não tem nenhuma estratégia»
>para o alargamento, repartindo as culpas pelo actual
>Governo e pelo anterior, do PS. Há muito tempo que o
>Governo devia estar a «defender a produção
>portuguesa», conservando «os centros de decisão
>nacionais» e exigindo um programa específico (que
>contemplasse a mundo rural, a indústria e a pesca
>artesanal)".
>Como considero que de facto o (des)governo que vamos
>tendo de facto não tem nenhuma estratégia para a União
>Europeia, a não ser dar cabo, prejudicar ou atrazar o
>processo da construção da União Europeia (em
>consonância com o patrão norte-americano...),
>parece-me que a acusação é injusta.
>No que diz respeito à "Estratégia de Lisboa" já não
>será tão clara a situação. Isto porque as mais
>deslocalizações (e despedimentos) decorrem de uma
>lógica que ultrapassa a capacidade do nosso
>(des)governo OU DE QUALQUER OUTRO (incluindo um
>eventual com forte participação da CDU) para ser
>contrariada. As deslocalizações tem causas estruturais
>demasiado profundas para se resolverem com
>voluntarismos de conjuntura.
>No que diz respeito à comparação (mesmo assinalando
>uma diferença de grau) com o Manuel Monteiro do PND
>relativamente à "perda da independência" (quando será
>que os Portugueses percebem que a independencia não
>foi perdida em 1580... E que foi mais perdida quando a
>marinha britânica transportou o João VI para o
>Brasil?...) mas dizia eu que a comparação me parece
>injusta.
>Já no que diz respeito ao Miguel Portas, a
>duplicação dos subsídios europeus, através da «emissão
>de dívida pública europeia», remete-nos para o facto
>de a União Europeia estar constrangida a um défice
>orçamental mijaruco (comparado com a federação EUA) e
>não poder (por Tratado) contrair dívida pública (quem
>é que garantia, em caso de dissolução?...). Ou seja, é
>uma proposta assim para o demagógico.
>Quanto ao lançamento de uma taxa sobre as transacções
>financeiras, à la Tobin, já é uma ideia com pernas
>para andar. A uniformidade e o reforço da fiscalidade
>e o combate aos paraísos fiscais (como é Portugal) era
>capaz de ter mais e melhores resultados, até a curto
>prazo.
>Quanto ao "cortar nas despesas, o primeiro candidato
>do BE opta por mexer na «proteccionista» PAC". Isso
>era muito bonito. O pior era o resto... Mas isso é
>capaz de ser areia de mais para a camioneta de alguns
>senhores economistas mais convencionais.
>"Portas completa a receita para enfrentar o
>alargamento propondo a alteração do destino dos fundos
>europeus: «Do alcatrão e do betão para o investimento
>na qualificação».
>Quanto a isso quem é que não estará de acordo? Só os
>lobies do nosso betão (e financiadores dos nossos
>partidos do CENTRÃO).
>Fico-me por aqui.
>Cordiais saudações.
>Guilherme Statter
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