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Date Posted: 13:39:06 10/25/04 Mon
Author: Regina Maria Gonçalves Mendes
Subject: Resumo: Décima semana

Sociolingüística Interacional: Antropologia, Lingüística e Sociologia em Análise do Discurso
ENQUADRE
Formula a metalinguagem a partir da qual situamos o sentido implícito da mensagem.
FOOTING
É um desdobramento do enquadre. Representa o alinhamento, a postura, a posição , a projeção do eu, de um participante na sua relação com o outro, consigo próprio e com o discurso em construção. Os footings são sustentados ou modificados durante a interação.

Há uma preocupação de Goffman com o significado situado na interação social. São artigos traduzidos que trazem uma noção mais maleável e mais abrangente de contexto.
É a noção de que o contexto do discurso e da interação social abrange outros elementos além daqueles mais estáveis (como espaço, tempo e participantes). O significado de contexto que os pesquisadores tratam aqui revela que tanto os participantes quanto o discurso se desdobram a cada momento, e ainda, reconfiguram o próprio contexto como são reconfigurados pelo mesmo a cada novo avanço na interação (tais como uma nova contribuição oral ou gestual dos participantes, e/ou re-direcionamento do olhar.
Goffman desconstrói as noções clássicas de falante/ouvinte e discute a complexidade das relações discursivas presentes na produção (relativa ao falante) e na estrutura de participação (relativa ao ouvinte). Fazer uma análise sociológica, significa olhar para o desempenho das identidades sociais e lingüísticas dos participantes engajados em uma situação de interação face a face.

Os autores exemplificam com um exemplo de uma interação entre o Presidente Nixon e uma jornalista. A interação passou de formal para informal.Há aqui uma questão cultural relativo ao comportamento que se espera da mulher: é o pressuposto social contemporâneo segundo o qual as mulheres devem estar prontas para ouvir sobre sua “aparência”.
A atitude de Nixon configura-se ao que os lingüistas chamam de ALTERNÂNCIA DE CÓDIGO, no caso, código de língua ou dialeto. Como é previsto as observações ocasionam uma mudança de código, marcada por uma alteração nas pistas de comunicação (velocidade de enunciação das frases, ritmo, maior número de pausas de hesitação etc) e por uma mudança de dialeto regional: alternância de códigos na Noruega e tem um significado social na estrutura lingüística. Constitui um trabalho seminal de etnografia da comunicação e sociolingüística.

A seguir, fragmentos de diálogos colhidos entre mães e filhas e entre irmãs confirmam que a alternância de código está presente em quase todas as instâncias da vida conversacional. Gumperz (1976) tenta identificar o que estas alternâncias marcam e como funcionam:
1. discurso direto e indireto
2. seleção de interlocutor
3. interjeições
4. repetições
5. franqueza pessoal ou envolvimento
6. informação nova ou velha
7. ênfase
8. separação de tópico e sujeito
9. tipo de discurso (ex.: palestra e discussão).

Há um exemplo de instruções comportamentais a alunos da 1ª série: ouçam todos, termos uma reunião às dez, vamos sair juntos etc. As mudanças ocasionadas foram chamadas de footing. Uma mudança de footing implica uma mudança de alinhamento que assumimos para nós mesmos e para os outros presentes, expressa na forma em que conduzimos a produção e a recepção de um elocução. Uma mudança em nosso footing, é uma outra forma de falar de uma mudança em nosso enquadre dos eventos. Os participantes mudam constantemente seus footings ao longo de suas falas, mesmo que os marcadores sejam somente paralingüísticos.


A principal preocupação dos participantes seria em si o discurso e os indivíduos envolvidos sabem quem está falando e quem está ouvindo, o que está sendo dito ou se há de fato fala em andamento. No curso da interação, haverá intercâmbio de papéis de falante e ouvinte para manter o formato afirmação/resposta, sendo que o falante atual é o dono da palavra. O que se passa é conversação, fala ou conversa. Numa interação como essa obtemos a imagem subjacente que temos em relação à interação face a face. É possível lidar com qualquer modificação das condições: podem ser acrescidos participantes, o grupo pode estar na presença imediata de não-participantes e assim por diante.
Falante e ouvinte implica que o que está em questão é somente o som, quando na verdade a visão é organizacionalmente muito significativa também, às vezes até o tato. Na tomada de turno, na avaliação da recepção usa-se pistas visuais dadas pelo ouvinte: função paralingüística da gesticulação, na sincronia da mudança de olhar, na mostra das evidências de atenção. Para uma condução eficaz da conversa, o melhor é que falante e ouvinte estejam em uma posição que possam se ver mutuamente.

Um início de uma conversação é tipicamente marcada pela aproximação dos participantes, que deixam suas respectivas orientações dispersas e passam a se mover conjuntamente, dirigindo-se corporalmente uns aos outros. O encerramento será marcado pelo afastamento físico. As despedidas também estabelecem encerramento num encontro social. Pode não estar havendo nenhuma conversa, mas os participantes podem estar num “estado de conversa”.

Uma pessoa não participante da conversa que passa a ouvir propositalmente está fazendo uma intromissão ao escutar às escondidas, por trás da porta, espichar as orelhas. Pode acontecer também de forma inadvertida e não intencional como “ouvimos por acaso”. Muito dessa conversa se processa no âmbito visual e auditivo. Esses participantes eventuais são “circunstantes”- sua presença é considerada a regra e não a exceção. Em algumas ocasiões eles podem acompanhar temporariamente a conversa, ou captar fragmentos dela, sem muito esforço ou intenção. É um ouvinte por acaso. Em outras ocasiões são qualificados de intrometidos, pois fazem escuta secreta de conversas, se assemelhando àqueles que escutam por meios eletrônicos. No entanto a ética nos obriga a avisar que a conversa está sendo acessível, encenar uma demonstração de desinteresse. Em algum momento, o falante endereçará suas observações pelo menos em alguns momentos de sua fala, a um ouvinte em especial, de modo que é preciso diferenciar o interlocutor “endereçado” dos “não interessados” entre os ouvintes oficiais. Pode-se saber quem está sendo endereçado através de pistas visuais ou dos vocativos, sendo estas pistas audíveis.

A revisão falante/ouvinte aceita mais de um ouvinte ao que se define como comunicação subordinada, formada de três jogos.
Jogo paralelo: comunicação subordinada de um subgrupo de participantes ratificados.
Jogo cruzado: comunicação entre participantes ratificados e circunstantes que vai além das fronteiras do encontro dominante.
Jogo colateral: palavras respeitosamente murmuradas, trocadas exclusivamente entre circunstantes.
Quando há uma tentativa de dissimular, insinuar ou não ouvir a comunicação subordinada, ocorre o “conluio” , dirigido a um ou mais participantes para encobrir suas intenções verdadeiras. Mas nem todos percebem a intenção que está por trás disso.
A relação de qualquer um dos membros com uma certa elocução pode ser chamada de seu “status de participação” relativo à elocução e a relação de todas as pessoas no agrupamento com dada elocução pode ser chamada de “estrutura de participação” para esse ou aquele momento de fala.

A conversação não é o único contexto de uma fala, ela pode tornar-se um monólogo expositivo como em discursos políticos, rotinas de shows cômicos, palestras, recitações dramáticas e leituras de poesias, pois envolvem longos trechos de fala. Os ouvintes, no caso, a platéia fica apenas apreciando e não têm como responder diretamente.

A noção de situação social na qual o encontro acontece diferencia os ouvintes. O falante se envolve acusticamente e faz seu papel de locutor ao selecionar palavras e coloca seus sentimentos na elocução. Podemos ouvir uma conversa e não sermos ouvintes ratificados, ou sermos ratificados para escutar e não conseguir fazê-lo como ouvintes ratificados. Podemos tolerar ou favorecer intromissões, sabendo que há uma boa chance de podermos ouvir por um momento sem deixarmos de ser o falante, como os outros podem interromper por um momento sem deixarem de ser ouvintes. Ao se usar o termo “falante”, está implícito que o indivíduo que anima está produzindo seu próprio texto e delimitando sua própria posição através dele: animador, autor e responsável.

O que fornece a base estrutural para a análise de mudança de footing é a delineação de participação e o formato de produção. A maioria das elocuções são construídas assim. Numa narração de histórias, o narrador tem que encaixar suas elocuções às elocuções e ações dos personagens da história.

A base estrutural do footing é a noção de ouvinte e falante dentro do seguinte modelo: estrutura de participação e formato de produção.

Mudamos de voz para falar de por nós mesmos ou mesmo por outra pessoa ou para deixar nosso discurso mais leve com uma apresentação rápida de algum arranjo de uma interação fora do contesto. Isso não está encerrando o alinhamento anterior, está suspendendo-o temporariamente. Também quando cedemos a palavra numa conversação, assumimos assim o footing de interlocutor, mas no final em ambos os casos nos reintegramos como falante.


Keeping your footing: conversational completion in three-part sequences


Um participante se organiza em três partes seqüenciais e acontece conforme o footing ocorrido no enunciado prévio. Os autores fazem vários recortes para mostrar como o falante principal aceita ou rejeita a complementação do enunciado.

O participante pode ter muita autoridade na conversação, pois ele é: autor, animador ou o principal, o que desenvolve a fala num dado momento.
O autor aceita ou rejeita o complemento de seu enunciado, não a idéia que quis transmitir, mas sim, como foi complementado. A rejeição ou aceitação são marcadores do autor.

A complementação para ser aceita com sucesso, deve manter o footing do enunciado original que foi feito pelo falante original, isto é, que o originou. No terceiro turno de seqüência, ele toma a decisão. O footing ocorre em três partes seqüenciais de enunciados: o que foi estabelecido na primeira, se mantém na complementação da segunda e ratificada na terceira.

Há uma complexidade de variáveis sociolingüísticas que envolve a interação que vem surgindo com o tempo que devem ser consideradas pelos estudiosos. Os participantes sempre estão inseridos em um contexto social.

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