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Date Posted: 14:16:39 10/25/04 Mon
Author: Nair Prata
Subject: Resumo-10ª semana

GOFFMAN, Erving. A situação negligenciada. In RIBEIRO, Branca & GARCEZ, Pedro (org.) Sociolingüística interacional. Porto Alegre: Editora Age, 1998. (capítulo 5) p.11-15

Na apresentação deste pequeno texto de Goffman, os organizadores do livro Ribeiro e Garcez (1998) explicam que o autor “nos convida a examinarmos a situação social como o lócus da pesquisa – o lugar que tem sido negligenciado”. Assim, o título resume bem a abordagem do texto: a situação social tem sido negligenciada na análise das interações lingüísticas.
Em determinado ponto do texto, Goffman (1998) diz que, atualmente lida-se com a idéia de situação social da maneira mais inconseqüente possível. O autor define assim situação social: “um ambiente que proporciona possibilidades mútuas de monitoramento, qualquer lugar em que um indivíduo se encontra acessível aos sentidos nus de todos os outros que estão presentes, e para quem os outros indivíduos são acessíveis de forma semelhante.”
Goffman (1998) inicia seu artigo explicando que duas correntes de análise poderiam continuar produzindo um caso de coexistência acadêmica:
1. Correlacional
2. Indicativa

O autor afirma que, apesar destas duas correntes parecerem desagradavelmente próximas uma da outra, ele pretende examinar o terreno que as separa.
A corrente indicativa: descoberta de novas propriedades ou indicadores no comportamento lingüístico. O autor aponta dois graves empecilhos quando nos dispomos a levar em consideração os comportamentos gestuais associados com o falar, mas que não podem ser transmitidos na escrita:
1. Apesar do substrato de um gesto derivar do corpo de quem o executa, a forma do gesto pode ser intimamente determinada pela órbita microecológica na qual o falante se encontra;
2. Os gestos que um indivíduo utiliza como parte da fala são muito semelhantes aos gestos que utiliza quando quer tornar patente que não irá, de forma alguma, se envolver em uma conversa àquela altura.
A corrente correlacional: há cada vez mais trabalhos sobre um certo tipo subversivo de correlato social da fala chamado de situacional. Aqui são levados em conta não os atributos da estrutura social, mas sim os valores agregados a estes atributos, na forma em que são reconhecidos na situação imediata enquanto ela acontece.
Ao final do texto, Goffman (1998) convida o leitor a enfrentar as situações sociais. E encerra dizendo: “a interação face a face tem seus próprios regulamentos; tem seus próprios processos e sua própria estrutura, e estes não perecem ser de natureza intrinsecamente lingüística, mesmo que freqüentemente expressos por um meio lingüístico.”
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GOFFMAN, Erving. Footing. In RIBEIRO, Branca & GARCEZ, Pedro (org.) Sociolingüística interacional. Porto Alegre: Editora Age, 1998. (capítulo 5) p.70-97
Na apresentação deste artigo de Goffman, os organizadores do livro Ribeiro e Garcez (1998) explicam que o autor introduz o conceito de footing como um desdobramento do conceito de enquadre no discurso. Os organizadores explicam: “footings são introduzidos, negociados, ratificados (ou não), co-sustentados e modificados na interação.” Ainda na apresentação, é explicado o foco do texto: “Goffman desconstrói as noções clássicas de falante e ouvinte, passando a discutir a complexidade das relações discursivas presentes na estrutura de produção e na estrutura de participação.”
O autor inicia seu texto pelo que ele chama de “alternância de código”, explicando que esta alternância está presente em quase todas as instâncias da vida conversacional. Gumpertz (1976b) é citado no artigo, num trabalho que tenta identificar o que estas alternâncias marcam e como funcionam:
1. discurso direto ou indireto
2. seleção de interlocutor
3. interjeições
4. repetições
5. fraqueza pessoal ou envolvimento
6. informação nova ou velha
7. ênfase
8. separação de tópico e sujeito
9. tipo de discurso

Uma mudança de footing implica uma mudança no alinhamento que assumimos para nós mesmos e para os outros presentes, expressa na forma em que conduzimos a produção ou a recepção de uma elocução.
Um paradigma na análise tradicional do dizer e do que é dito: dois e não mais que dois indivíduos estão conjuntamente envolvidos na atividade, assim o discurso seria a principal atividade de ambos. No curso da interação ocorrerá o intercâmbio dos papéis de falante e ouvinte, para a manutenção de um formato afirmação/resposta, sendo que o reconhecimento do direito de falar que o falante atual possui – a palavra – vai e vem. Goffman (1998) faz um alerta: parece-me que a linguagem utilizada pelos estudiosos para tratar do falar e do ouvir não está bem adaptada à sua finalidade.
A contribuição mais óbvia para o aperfeiçoamento do paradigma tradicional da conversa é reconhecer que qualquer momento dela pode sempre ser parte de uma conversa qualquer. Ocorrem delimitações rituais como saudações e despedidas estabelecendo e encerrando o envolvimento articulado, oficial e aberto. No decorrer do encontro os participantes serão obrigados a sustentar seu envolvimento no que está sendo dito, assegurando que não ocorra nenhum período longo sem que ninguém faça uso da palavra.
Goffman (1998) trabalha também a noção de ouvinte, explicando que há diferença daquele ouvinte que participa e daquele que simplesmente está presente, sem ouvir. O autor fala da ambigüidade do ato de ouvir: o ouvinte ratificado é necessariamente o endereçado, ou seja, aquele a quem o falante remete sua atenção visual e para quem espera eventualmente passar o papel de falante. O termo “platéia” é facilmente ampliado para se referir àqueles que escutam a fala do rádio ou da TV, mas estes ouvintes diferem de maneira evidente e significativa daqueles que constituem testemunhas ao vivo da fala. Muito do que se passa na fala do rádio e TV não é dirigido a um agrupamento massificado mas visível, mas sim a interlocutores imaginados. Na verdade, os comunicadores são pressionados a modular suas falas como se elas fossem dirigidas a um único ouvinte. Para uma análise dos diferentes tipos de ouvintes é preciso substituir a noção de um encontro conversacional pela noção de situação social na qual o encontro acontece.
Goffman (1998) também discute a noção de falante. Segundo o autor, quando se usa este termo está freqüentemente implícito que o indivíduo que anima está produzindo seu próprio texto e delimitando sua própria posição através dele.
O autor encerra seu texto explicando que discutiu mudanças de footing como se o indivíduo estivesse envolvido apenas em alternar de uma postura ou alinhamento para outro. Mas, segundo Goffman (1998), esta imagem é, por si só, muito mecânica e simples.

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