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Date Posted: 02:55:14 08/30/04 Mon
Author: Ângela Spesiali Aroeira
Subject: Resumo: Lógica e Conversação e The Logic of Politeness

Resumos: Semana de 30 de agosto a 03 de setembro
• Lógica e Conversação – H. P. Grice in DASCAL, Marcelo (org,) Fundamentos Metodológicos da Lingüística – vol. IV, Campinas, UNICAMP, 1982, p.51-103.
• The Logic of Politness: or Minding your P’s and q’s – Robin Lakoff – University of Califórnia, Berkeley
Aluna: Ângela Spesiali Aroeira
Disciplina: Interação – 2º semestre de 2004
Grice expõe o debate que se trava a respeito de uma possível e desejável perfeição da linguagem, a exemplo do rigor que se impõe aos símbolos formais, para que aquela possa atender às necessidades da ciência. A esta visão formalista contrapõem-se os informalistas que vêem a linguagem a serviço de outros propósitos também muito importantes, que não necessita de análise e especificação de condições sistemáticas para ser compreendida. Tal tendência não aceita que a “eficácia”, a precisão da linguagem tenha que ser submetida aos parâmetros ditados pela lógica formal. As duas lógicas não só diferem entre si, mas muitas vezes entram conflito, ou seja, as regras que regem uma não se aplicam à outra.
No seu texto, Grice minimiza a importância desse debate e dirige-se para a natureza e as condições que governam a conversação, ou seja, as circunstâncias da enunciação: o que é dito (significado convencional) versus o que é implicitado (o que é sugerido). “Em alguns casos a significação convencional das palavras usadas determinará o que é implicitado” (p. 85), definindo-se como implicatura convencional. Quando não há correspondência entre o que é dito (= símbolos formais?) e o que é implicitado, diz-se que há uma implicatura não convencional, ou conversacional, que está conectada com certos traços do discurso.
É fato empírico que as pessoas dialogam a partir de objetivos inicialmente compartilhados caracterizando o que se conhece como Princípio da Cooperação. Isto é, quando as pessoas se engajam em conversações pressupõem que ambas estarão seguindo regras cooperativas (as regras de conversação) que se distribuem em quatro categorias e suas máximas:
I – Quantidade
1. faça com que sua contribuição seja tão informativa quanto o requerido
2. não faça sua contribuição mais informativa do que é requerido
II – Qualidade
1. não diga o que você acredita ser falso
2. não diga senão aquilo para o qual você possa fornecer evidência adequada
III – Relação (?)
1. seja relevante
IV – Modo
1. evite obscuridade de expressão
2. evite ambigüidade
3. seja breve (evite prolixidade desnecessária)
4. seja ordenado
Os diálogos entre as pessoas se dão respeitando-se ou desrespeitando-se uma ou mais máximas, com a adesão de ambas as partes ao Princípio da Cooperação. As implicaturas conversacionais serão extraídas, pelos falantes, a partir de: 1) o significado convencional das palavras usadas, juntamente com a identidade de quaisquer referentes pertinentes; 2) o Princípio da Cooperação e suas máximas; 3) o conteúdo lingüístico ou extralingüístico da enunciação; 4) outros itens de seu conhecimento anterior (background); 5) o fato (ou fato suposto) de que todos os itens relevantes cobertos de (1) a (4) são aceitáveis a ambos os participantes e ambos sabem ou supõem que isso ocorra. (p.93).
Lackoff, por sua vez, examina a conversação do ponto de vista das pressuposições pragmáticas do falante. Isto é, ao incorporar as pressuposições pragmáticas do falante às suas estruturas sintáxicas e semânticas é possível aproximar das suas intenções a respeito do que de fato ele deseja comunicar ao ouvinte, sua relação com ele, sua posição real no momento da enunciação e a medida com que ele deseja manter, ou não, esta situação como tal.
Duas regras estão envolvidas nesta empreitada:
1. seja claro
2. seja polido
A primeira destina-se principalmente a “regular” as conversações formais e técnicas, garantindo clareza e precisão ao que é comunicado, e são bem especificadas por Grice. A segunda regra diz respeito mais às comunicações informais, cujo objetivo é o fortalecimento das relações de amizade e companheirismo. Há momentos em que há que se optar por obedecer uma à outra, dependendo do objetivo do falante. Por exemplo, dispositivos lingüísticos que nada significam ou agregam, tais como, “bem”, “quer dizer”, “eh”, ou apelidos afetuosos, violam regras de clareza, mas reforçam as de polidez. Além do mais, parece ocorrer que, em caso de se ter que optar entre clareza e polidez, esta última ganha a preferência.
As regras de polidez são desmembradas em:
R1. não imponha
R2. dê liberdade ao destinatário
R3. faça-o sentir-se bem – seja amigável, cordial
Como as regras de clareza e polidez podem conflitar, as regras R1, R2 e R3 também podem, ou não, se excluírem umas as outras. Todas, no entanto, e a seu modo, pretendem fazer com que o ouvinte se sinta bem: R1, utilizando-se de terminologias técnicas para dizer o que não deve ser dito; R2 fazendo uso de eufemismos e minimizando, então, o impacto emocional desagradável e R3, a regra que diretamente aproxima falante (A) e ouvinte (B), fazendo com que B se sinta amigo de A.
Finalmente Lakoff afirma que regras lingüísticas de conversação encontram paralelo em outras formas de interação humanas, sendo o comportamento lingüístico parte de um sistema maior, que abrange todas as outras formas.

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