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Miguel Esteves Cardoso, Sábado, 11/02/05
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Date Posted: 11/02/05 22:36:59
Miguel Esteves Cardoso, Sábado, 11/02/05
Afinal nem tudo o que parece é – O Papão Comunista com quem apetece ir almoçar (3)
(...) Jerónimo de Sousa, por ser um homem feliz e aberto (como quase todos os comunistas que conheci pessoalmente mas contrariando os estereótipos habituais), pode muito bem ter o efeito saudabilíssimo mesmo, como ele fez questão de constantemente lembrar, se não tiver expressão eleitoral, de remover, de uma vez por todas, os ilusórios alicerces e alimentos mentais que sustentam a figura do Papão Comunista. (...)
Com Jerónimo de Sousa, vi-me desarmado pela força precisamente contrária: a da honestidade e da franqueza. O homem não só respondeu às minhas perguntas todas, sem fugir um milímetro, mas reagia com calma e felicidade, entusiasmado e (juro!) genuinamente entregue ao esforço de me dar respostas satisfatórias. E digo satisfatórias no sentido pleno da palavra (de contentar; de não deixar margem para mais; de responder inteiramente) e não no moderno, etimologicamente errado, de “suficientes; aceitáveis; omissas mas respeitadoras de um mínimo de exigências”.
Por causa do que restava do meu preconceito – o meu Papão Comunista há muito que se assemelha mais a um elfo maligno do Pai Natal ou de um leprechaun irlandês -, confesso que levei doze páginas de perguntas, em vez das quatro que costumam chegar e sobrar. Tal era o meu medo da “cassete” do PC (coisa que, verdade se diga, nunca ouvi pessoalmente) que me muni de todos os acessórios conhecidos dos jornalistas.
Acabei por fazer – das perguntas que tinha preparado – apenas três, nascendo as restantes da própria conversa. Porque desta vez foi mesmo uma conversa. Até o meu colega fotógrafo, Pedro Zenkl – e os fotógrafos, de tanta tarimba, raramente se pronunciam acerca dos entrevistados – foi levado a exclamar, quando tivemos a nossa conversa pós-serviço e eu elogiava a extraordinária franqueza de Jerónimo de Sousa: “Cinco estrelas!”
Estas duas palavras, vindas de um fotojornalista profissional que todos os dias é obrigado a assistir enfadadamente a três ou quatro entrevistas rotineiras, equivalem, em termos literários, a um volume de homenagem com 300 páginas de elogios e encómios. (...)
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