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Miguel Esteves Cardoso, Sábado, 11/02/05
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Date Posted: 11/02/05 22:59:46
Miguel Esteves Cardoso, Sábado, 11/02/05
Afinal nem tudo o que parece é – O Papão Comunista com quem apetece ir almoçar (4)
(...) Foi por isso, também, que dispensei as generosas quatro páginas que a Sábado me concede para recolher as minhas impressões sobre quem entrevistei. A entrevista – desta vez – diz tudo o que há a dizer e a mim chega-me, em vez das impressões suplementares do costume, dizer o quanto fiquei, simplesmente, impressionado.
Por muito que contra a corrente que seja dizê-lo – e por maior que seja a crescente crispação e histeria competitiva -, os cinco principais dirigentes partidários (...) parecem-me sinceramente (...) interessantes e convidativos. (...)
Mesmo assim, a surpresa foi, sem dúvida, Jerónimo de Sousa. (...)
Jerónimo de Sousa – tal é a falta de rancor; de camuflagem; de truques retóricos – é mesmo o homem que parece ser à primeira vista. Não tem medo nem desejo de vingança. Diria até que não conhece o ódio. Esperteza não tem – só inteligência. E é sólida, que é o mesmo que dizer consciente e curiosa.
É um verdadeiro comunista. Por uma vez, talvez seja preciso promover o adjectivo acima do substantivo e enfatizar a verdade. É um comunista de verdade; um comunista da Verdade; um verdadeirista que acredita que a comunidade precisa de igualdade para ser livre.
Quem votar na CDU nas próximas eleições – sejam quais forem os hábitos e as paixões políticas – votará bem.
O mais natural – como sobressai da entrevista (nunca vi um candidato mais preocupado com os portugueses e Portugal e menos preocupado com o número de votos) – é que os eleitores, apesar de acabarem por votar noutro partido mais familiar (ou, cedendo à pressão dominante, absterem-se), arquivem mentalmente o facto importantíssimo de o PCP ter finalmente entrado na ementa eleitoral de (quase) todos os portugueses.
Jerónimo de Sousa terá sido o catalisador, graças à sua extraordinária personalidade e força – isto não “apesar de ser” mas por ser tão completamente um membro do partido colectivíssimo que é o PCP -, mas há que ver que o problema, de inclusão e da mínima consideração no sentido antigo de “respeito”, era inteiramente nosso.
Que estas eleições – seja qual for o resultado – sirvam, ao menos, para isso.
Que não é pouca coisa, não senhores – nem de longe...
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