Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 2/02/05 12:17:30
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "GRANDE DIAGNÓSTICO" on 1/02/05 16:08:36
A crise e as dificuldades de a resolver II
Escrevi há pouco tempo um artigo que denominei “A crise e as dificuldades de a resolver” (está no arquivo 2 deste fórum). Os únicos intervenientes que comentaram o meu artigo foi Fernando Redondo e o Statter, que resolveu escrever outro, apontando para outro caminho, que não o meu. Ora artigo o do Medina Carreira insere-se naquilo que eu aí afirmei: “as classes dominantes em Portugal ... chegaram a um beco sem saída, conduziram o país, por manifesta incapacidade, à quase bancarrota e não têm neste momento uma saída credível e democrática para a resolver.” O Medina Carreira constata a crise mas é incapaz de nomear os seus responsáveis. A sua visão apocalíptica do presente conduz-nos igualmente àquilo que eu também afirmo, está-se a criar “um clima propício a um Governo forte, que venha pôr ordem nisto e resolva a crise económica a favor das classes dominantes, com o sacrifício dos trabalhadores.”
Ora este esquecimento de quem são os culpados, de atribuir as culpas sempre à esquerda, de ser incapaz de dar uma solução política para a crise, mostra a etapa difícil em que estamos, em que a crise pode ser resolvida a favor dos trabalhadores, mas tem muitas probabilidades de ser resolvida contra eles. Não basta dizer que “este tipo de sociedade está esgotado, é preciso conceber novas fórmulas de produção em sociedade”, nem que as “condições tecnológicas já estão aí, à espera das transformações sociais”. É preciso politicamente e culturalmente encontrar soluções, as condições tecnológicas são importantes, mas a subordinação de tudo à solução técnica e económica, desde que não seja enquadrada pelos seus intervenientes, condena-nos ao fracasso e à inactividade.
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