| Subject: Re: A Crise e as Classes Dominantes |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 2/02/05 15:09:45
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "A crise e as dificuldades de a resolver II" on 2/02/05 12:17:30
Sim ,pois ,as classes dominantes sem dúvida. Mas sempre foi apanágio dessas classes não saberem incorporar o país no processo histórico de crescimento e desenvolvimento económico. Ao longo da história houve manifestamente essa incapacidade. Eu chamo-lhe inapacidade, inépcia. Talvez com os descobrimentos acompanhámos e liderámos esse processo ,mas também aí fomos pouco empreendedores,talvez porque a retaguarda era terrivelmente esquecida e desvalorizada,situação que gerou um colonialismo pouco industrialista ,um colonialismo mercantil de puro rapinismo.
Essas classes , as mais das vezes parasitárias , dentro da tradição histórica aludida,não souberam ,não puderam , não souberam e não quiseram um Portugal desenvolvido. As lutas sociais ,a abertura a outros espaços e a sua integração criaram e abriram outras perspectivas que, insuspeitadamente ,geraram o acesso a fontes de sustentabilidade económica de maneira fácil e relativamente descontrolada , segregando uma burguesia ,uma classe média ,feita do pé para a mão.
A crise instalada precisa, urgentemente de soluções que são ,como ontem ,eminentemente políticas.
A crise e as dificuldades de a resolver II
>
>Escrevi há pouco tempo um artigo que denominei “A
>crise e as dificuldades de a resolver” (está no
>arquivo 2 deste fórum). Os únicos intervenientes que
>comentaram o meu artigo foi Fernando Redondo e o
>Statter, que resolveu escrever outro, apontando para
>outro caminho, que não o meu. Ora artigo o do Medina
>Carreira insere-se naquilo que eu aí afirmei: “as
>classes dominantes em Portugal ... chegaram a um beco
>sem saída, conduziram o país, por manifesta
>incapacidade, à quase bancarrota e não têm neste
>momento uma saída credível e democrática para a
>resolver.” O Medina Carreira constata a crise mas é
>incapaz de nomear os seus responsáveis. A sua visão
>apocalíptica do presente conduz-nos igualmente àquilo
>que eu também afirmo, está-se a criar “um clima
>propício a um Governo forte, que venha pôr ordem nisto
>e resolva a crise económica a favor das classes
>dominantes, com o sacrifício dos trabalhadores.”
>Ora este esquecimento de quem são os culpados, de
>atribuir as culpas sempre à esquerda, de ser incapaz
>de dar uma solução política para a crise, mostra a
>etapa difícil em que estamos, em que a crise pode ser
>resolvida a favor dos trabalhadores, mas tem muitas
>probabilidades de ser resolvida contra eles. Não basta
>dizer que “este tipo de sociedade está esgotado, é
>preciso conceber novas fórmulas de produção em
>sociedade”, nem que as “condições tecnológicas já
>estão aí, à espera das transformações sociais”. É
>preciso politicamente e culturalmente encontrar
>soluções, as condições tecnológicas são importantes,
>mas a subordinação de tudo à solução técnica e
>económica, desde que não seja enquadrada pelos seus
>intervenientes, condena-nos ao fracasso e à
>inactividade.
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