Author:
Fernando Penim Redondo
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Date Posted: 4/02/05 23:37:51
In reply to:
cátia almeida
's message, "Desempregados alemães ultrapassam os 5 milhões" on 3/02/05 18:56:09
As lições dadas por esta notícia são:
1. Afinal os nossos políticos que apresentam a luta contra o desemprego como a principal prioridade estão a empolar um problema que, comparativamente com os países da UE, não é especialmente grave.
De acordo com os dados do Eurostat, os novos membros da UE são os que apresentavam, em Dezembro, as taxas de desemprego mais elevadas. A Polónia lidera o ranking, apresentando uma taxa de 18,3% (3,1 milhões de pessoas). Segue-se a Eslováquia com 16,9% (473 mil desempregrados). A seguir à Alemanha, que com os novos números se situa em terceiro lugar, está a Grécia com 10,5%, muito próxima da Espanha (10,4%).
A realidade portuguesa. Apesar do aumento significativo nos últimos anos, a taxa de desemprego portuguesa (6,7%) está abaixo da média europeia (que se situa nos 8,9%, quer seja ao nível da Zona Euro, quer ao nível dos 25).
Mesmo os 6,7% atribuídos a Portugal terão que ser vistos com cuidado pois, numa parte considerável, correspondem a trabalhadores que estão no desemprego apenas para poderem beneficiar da antecipação das reformas para os 58 anos.
2. Aquilo que se diz no ponto anterior pode ser levado à conta de preocupação com os problemas, esses sim reais, dos trabalhadores, muitos ou poucos, que se vêem na situação de desemprego.
Eu penso que, em vez disso, se trata de aproveitar, para fins eleitorais, o medo que todos os trabalhadores têm de serem também eles atingidos por essa calamidade.
3. O aproveitamento desta situação é claramente oportunista já que não existem ideias sérias para o resolver.
São debitadas umas generalidades sobre a qualificação dos trabalhadores quando o próprio desemprego dos licenciados mostra que não é essa a causa do problema.
Fala-se de proporcionar benesses às empresas para elas aceitarem contratar mais alguém; uma solução artificial que mascara o problema mais uma vez a expensas dos contribuites.
4. Se fossem sérios os partidos de esquerda teriam que partir de uma ideia muito simples: o desemprego não tem, nem terá, solução no quadro do capitalismo. E não deviam omitir, por calculismo, esta ideia nos seus discursos.
É quase grotesco andar a pedinchar aos patrões para contratarem mais gente e depois vir acusá-los de explorar quem trabalha.
5. As causas do desemprego são estruturais e vieram para ficar. Não têm nada a ver nem com a maldade nem com a boa-vontade dos patrões.
É preciso mudar as regras do jogo, propor e fomentar novas formas de organizar a produção, em suma, ajudar a nascer uma nova sociedade. O resto são patranhas eleitorais.
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