| Subject: "Direitos Políticos de Autor" |
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Date Posted: 31/01/05 22:41:41
Líder do PCP Fala em "Direitos Políticos de Autor"
Por ALEXANDRE PRAÇA, Público, Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005
É sabido que a CDU aposta forte no distrito de Braga para recuperar o deputado perdido - Agostinho Lopes - há três anos por cerca de mil votos. Por isso, não admira que Jerónimo de Sousa, no comício de ontem em Guimarães, perante cerca de milhar e meio de apoiantes, tenha lançado algumas propostas para impedir que o sector têxtil no Vale do Ave perca mais 75 mil empregos. E que insistisse, de novo, no combate à maioria absoluta do PS - "que ficaria com mãos livres para fazer uma política de direita" -, apelando mesmo à "inteligência" dos eleitores socialistas para travar esse desiderato. Para o BE sobraram algumas acusações: falta de "honestidade intelectual" e inconsequência no combate ao Governo PSD-CDS.
"Na discussão do código do trabalho, o BE apresentou, em conferência de imprensa, quase tantas propostas de alteração como nós. Mas depois deixou os comunistas sozinhos, na comissão [parlamentar] do trabalho, a discutir 600 artigos [da lei], um por um, contra a direita", denunciou aos jornalistas no final do comício, quando confrontado com a reacção de desagrado de Francisco Louçã relativamente às investidas sobre o Bloco, efectuadas anteontem, por parte do líder do PCP.
"A reposição da verdade é entendida pelo BE como uma crítica", contrapôs Jerónimo, que fez questão, todavia, de frisar que este confronto à esquerda "não transforma o Bloco no adversário ou inimigo" da CDU (o mesmo é válido para o PS). Mesmo assim, o secretário-geral do PCP acusa o BE de "estar a mentir" quando apresenta como suas algumas iniciativas - no aborto, sigilo bancário ou toxicodependência - em que a CDU foi "pioneira". "No mínimo, alguma ética e honestidade intelectual não fazia mal nenhum", atira Jerónimo de Sousa, para reclamar para o PCP aquilo que poderia designar-se por "direitos políticos de autor".
Durante a sua intervenção, contudo, o líder comunista ignorou o BE e centrou as suas energias no combate à hipotética maioria absoluta do PS: "Só com o reforço de votos e de deputados da CDU, o PS será obrigado a inflectir a sua política de direita e a procurar acordos e entendimentos", vaticinou, embora tenha reafirmado que o objectivo da coligação PCP-Verdes não passa por ter "ministros ou secretários de Estado". Por isso, lançou vários apelos à "inteligência" - uma palavra muito utilizada por Louçã na pré-campanha - dos eleitores, em particular os do PS: "Como é que homens de esquerda podem subscrever medidas destas?", censurou Jerónimo, numa alusão ao aumento da idade da reforma e à não revogação do código do trabalho.
No coração do Vale do Ave e do sector têxtil nacional, o líder comunista exigiu que o Governo accione as cláusulas de salvaguarda, no âmbito da Organização Mundial do Comércio, por causa da recente liberalização total do sector, controle as importações e recupere o acesso aos mercados, de forma a impedir que a "fome" regresse à região. Em contraste com o trabalho desenvolvido por Agostinho Lopes entre 1999 e 2002, Jerónimo acusou os 18 deputados do distrito (eleitos pelo PS, PSD e CDS) de se "terem esquecido" das populações.
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