| Subject: Re: Portas versus Louça |
Author:
HM
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Date Posted: 22/01/05 10:37:09
In reply to:
visitante atento.
's message, "Portas versus Louça" on 21/01/05 13:33:37
O Reaccionarismo Progressista
Por HELENA MATOS
Sábado, 22 de Janeiro de 2005
A vida. "Não tem direito a falar de vida; (...) não sabe o que é gerar uma vida. Eu sei porque tenho uma filha. Sei o que é o sorriso de uma criança", declarou Francisco Louçã, no final do excelente debate com Paulo Portas na SIC-Notícias. Naquele momento, Louçã mostrava-se o que é: intolerante e profundamente reaccionário, tornando mais evidente esse paradoxo que consiste em apresentar como jovem e contracultura alguém que já era líder quando do 25 de Abril e continua líder trinta anos depois.
Esta frase de Louçã talvez contribua para que a questão do aborto deixe de ser uma causa do BE. A situação em Portugal é surrealista: temos legislação sobre esta matéria, legislação essa em tudo semelhante à existente em Espanha. Por razões políticas essa legislação só raramente foi cumprida. O referendo resultou das manobras de Guterres e de Marcelo Rebelo de Sousa e tem sido o chão que dá votos do BE. Este cresceu o que podia à custa do PCP. Os seus potenciais eleitores estão agora no PS, o partido que se divide, de facto, na questão do aborto. O BE quer um referendo sobre o aborto mas o país não quer e não tem que o fazer. O que temos é de fazer cumprir a lei.
Por fim, convém também que se perceba o que quis dizer Louçã quando afirmou: "Não tem direito a falar de vida." Será que quis dizer que o aborto é uma questão que apenas pode ser debatida por quem foi pai ou mãe? Ao seu convencimento da superioridade moral da esquerda, Louçã junta agora a presunção da superioridade moral e política de quem "gerou vida". A outra questão suscitada por esta frase de Louçã prende-se com a vida dos candidatos propriamente dita. Esta semana recebi um "mail" que reproduzia o comentário surgido num jornal brasileiro sobre a vida privada de Santana Lopes e Sócrates. Tal como eu, muitos milhares de portugueses o devem ter recebido. Já está afixado em algumas lojas de bairro. A vida privada de Paulo Portas é igualmente matéria de inúmeras insinuações - como esta feita por Louçã, neste debate.
Ao contrário do que, a propósito do aborto, afirmou Louçã, todos temos o direito de discutir politicamente tudo. E, ao contrário do que insinuou Louçã, nenhum de nós tem o direito de discutir a vida privada de cidadãos adultos, livres de entre adultos - e friso o entre adultos - estabelecerem as relações que quiserem, com quem quiserem (...)
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