Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 26/01/05 16:37:19
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "A crise e as dificuldades de a resolver" on 26/01/05 15:02:17
Pois...
Silva Lopes terá "pecado" pela visão enviesada de ver este cantinho da Europa como o centro do Mundo.
Há 50 anos atrás estava "tudo" a crescer... Depois as guerras coloniais até funcionaram durante uns tempos como "acicate" de empurraão da nossa economia - houve quem falasse em "milagre português" só porque terá havido uns anos de crescimento a 9 ou 10 por cento...
Só que depois veio a "CRISE"... Há 30 (TRINTA) anos... em todo o mundo.
Com a esperteza típica dos portugueses (e as suas élites não são isentas "disso" que se atribui aos "saloios"), Mário Soares e o seu PS, com o aplauso do pessoal mais à direita, antes que chegasse a "grande pancada", acolheu-se ao porto de abrigo da União Europeia.
Mas aquela coisa de que falam uns "poetas" (a tendencia decrescente da taxa de lucro) é teimosa e continua a funcionar nas raízes mais profundas - nas entranhas - do sistema capitalista mundial. É como a força da gravidade, não há volta a dar-lhe. O que tem que cair, acaba mesmo por cair...
Mas, entretanto, houve e há mais uma série de "países" candidatos a entrar no "porto de abrigo" (a UE é um sítio onde as políticas e práticas estatais têm vindo a permitir evitar ou "amaciar" a tal queda da taxa de lucro...)
No caso concreto de Portugal em 2004/2005, é de assinalar um facto de caracter estrutural e que passo a resumir:
Toda a gente "enche a boca" com as capacidades dos Portugueses. "Somos tão bons ou melhores que quaisquer outros". Isso costuma dar-nos a mania de trabalhar muito e mais intensamente só para mostrar que "somos capazes" ou mesmo "melhores". Aqui, cá dentro, ou quando emigrantes.
Tudo isto está razoavelmente documentado. E não só por autores/analistas/investigadores Portugueses. Manias que nos terão ficado das Descobertas?
Vá-se lá saber...
Se os Portugueses são tão bons trabalhadores "cá fora", porque é que não hão-de ser "tão bons trabalhadores lá dentro" – deverão ter pensado os altos quadros directivos lá das grandes MNC’s.
E vai daí... com a calma e tranquilidade social garantidas (em particular com a adesão à EU), vamos lá de investir em grande naquele "jardim à beira mar plantado"... Ainda por cima dão facilidades fiscais – ao nível de aquilo ser um "paraíso fiscal".
Resultado: Hoje somos campeões mundiais da dívida externa per capita... É obra!!!
O problema é que entretanto as deslocalizações, a vontade "doida" de trabalhar "no duro" e a mão-de-obra ainda mais barata do que era aqui, faz com que esse fluxo de investimentos tenha (mais ou menos) acabado. Mesmo com os louváveis esforços do sr. Miguel Cadilhe (que deve ter um excelente curriculum de vendedor – porque aquilo que ele tem que fazer é “vender” a ideia do investimento em Portugal).
Quanto à hipótese levantada por Mário Soares (de um golpe de Estado) e considerando
A) a postulada incapacidade das nossas élites em resolver esta "crise" (qual crise?... perguntaria o meu filho mais novo...)
B) a "tão louvada" capacidade dos Portugueses para trabalhar
C) a existência de um "fundo de maneio" (uma espécie de "saco azul"... escondido) que é a economia paralela
D) a incapacidade do Estado em cobrar impostos aos refractários e golpistas,
Considerando ainda que a "cobrança de impostos" ao nível médio da União Europeia seria suficiente não só para "acabar" com o défice orçamental, mas também para "resolver a crise",
Proponho:
A realização de um referendo perguntando aos Portugueses se não preferem que a UE nomeie um Alto-Comissário - de preferência nórdico - "para meter isto na ordem".
Tenho dito,
Guilherme Statter (num momento de rara lucidez...)
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