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observador curioso
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Date Posted: 20/01/05 16:36:50
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "A fatalidade de pertencermos à União Europeia" on 20/01/05 15:44:18
Nem é preciso dizer mais sobre a matéria.
>Já que niguém me liga ali mais à frente, resolvi,
>porque era essa a minha intenção inicial, colocar aqui
>a minha opinião sobre este tema.
>
>
>A fatalidade de pertencermos à União Europeia
>
>A propósito da intervenção “União Europeia - uma
>fatalidade?” discutiu-se neste fórum as vantagens e
>desvantagens económicas da adesão à UE e foram feitas
>afirmações bastante disparatadas a propósito de nem
>todos os países da Europa pertencerem à EU.
>Penso que esta discussão sobre as vantagens e os
>prejuízos que a adesão acarretou para o nosso país é
>importante, mas, mais do que isso, é preciso inseri-la
>no contexto da nossa política internacional e da área
>económica em que hoje nos inserimos.
>A EU foi a seu tempo uma forma dos países capitalistas
>da Europa superarem os seus estreitos mercados
>internos, de tentarem vencer a sua competição
>inter-imperialista, num mundo que na altura ainda se
>apresentava multipolar e simultaneamente organizar, do
>ponto de vista político, a resistência ao avanço do
>“campo socialista” e dos próprios partidos comunistas
>nacionais. Podemos dizer que, no seu primeiro formato,
>a EU, então ainda designada por CEE, tinha uma forte
>componente anti-comunista e de claro apoio ao
>desenvolvimento do capitalismo. No entanto, é bom não
>esquecê-lo, ela correspondeu ao estabelecimento do
>estado social, à integração da classes operária no
>desenvolvimento económico, os tais anos de ouro da
>expansão capitalista, e a um período, como a Europa já
>não conhecia há muito, de paz.
>Os últimos anos do salazarismo e do marcelismo
>constituíram um importante dilema par as classes
>dominantes em Portugal: manter a ligação às colónias,
>e prolongar a guerra colonial, ou optar pela Europa.
>Rapidamente a população portuguesa respondeu com a
>imigração em massa para a Europa desenvolvida e mesmo
>a maioria das trocas comerciais passaram a fazer-se
>com a CEE. Portugal respondia assim que não queria as
>colónias, nem a guerra colonial, que só aproveitava a
>um núcleo muito reduzido, mas que preferia a Europa.
>Com o 25 de Abril, algumas opções diferentes se
>abriram: o sonho terceiro-mundista, que alimentou
>alguns revolucionários da extrema-esquerda, ou as
>relações privilegiadas com o “campo socialista”, a
>opção não declarada, mas implícita do PCP. Já se sabe
>as classes dominantes, com o apoio do PS, preferiam a
>opção europeia, e o nosso futuro jogou-se entre os
>dois campos políticos. Daí também a resistência do PCP
>à integração na CEE e a defesa pelos partidos do
>“centrão” da nossa entrada.
>Hoje, tudo se modificou, o “campo socialista” deixou
>de existir, a Europa caminha a passos largos para uma
>integração económica, que já é real, e política., o
>mundo é dominado por uma única superpotência, os EUA,
>as perspectivas de transformação revolucionária estão
>hoje completamente ausentes das classes trabalhadoras
>europeias, se é que alguma vez estiveram, pelo menos,
>no século passado. A EU, ao contrário do que afirma um
>dos intervenientes neste fórum, praticamente é
>constituída por todos os países da Europa. Subsistem
>de fora a Suíça e a Noruega, por razões que, nem de
>perto nem de longe, têm qualquer coisa a ver com a
>opção anti-EU. A Roménia a Bulgária e os ex-países que
>resultaram da Jugoslávia, estão a fazer tudo para
>entrarem. A seguir será a vez da Ucrânia, com o novo
>presidente. Resta a Rússia e a Bielo-Rússia, cuja
>situação é mais complicada, dadas as pretensões ainda
>de grande-potência da Rússia.
>Pela descrição feita, tonava-se impossível, neste
>momento, Portugal deixar este espaço económico e
>político, dado não ter estruturas económicas, nem
>riquezas naturais, que lhe permitissem resistir à
>integração e o balanço, em termos de desenvolvimento
>económico, quando forem feitas as contas, será
>positivo.
>Que estratégia, no entanto, devem seguir as forças de
>esquerda? Aceitar tudo o que vem da EU, como bons
>alunos, ou intervir activamente, tentando,
>conjuntamente com outros forças, alterar as
>circunstâncias? Devemos estar lá para modificar ou
>retirarmo-nos? A opção será hoje participar,
>intervindo activamente no sentido tornar a Europa mais
>social e com capacidade de ser uma alternativa à
>hegemonia norte-americana.
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