VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

21/04/26 17:14:47Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12345[6]78 ]
Subject: Re: Capitalismo e Países "mal-desenvolvidos" - 1


Author:
Luis Blanch
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 18/01/05 16:22:42
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Capitalismo e Países "mal-desenvolvidos" - 1" on 12/01/05 21:10:30

Caro Guilherme Statter : Já os clássicos do marxismo e mesmo o próprio Marx assinalava que o capitalismo representava,na história do homem ,um significativo salto qualitativo , uma etapa progressista da história ,embora vejam também ,desde o início ,as suas terriveis contradições que se iriam acentuar à medida que a dinâmica capitalista se desenvolveu.

A Zâmbia representou um desses raros "oásis" de um território colonizado pelos ingleses e que acedendo à independência se viu enquadrado na luta económica intra-capitalista, implacável e sem cerimónias , um objecto apetecível da rapacidade do insaciável capitalismo.

Não é por ser particularmente "mau" ,mas é inerente à sua essência filibusteira e expansionista...O capitalismo alimenta-se dos mercados e das suas matérias primas,das suas forças de trabalho ,dos seus produtos primários.
Agora temos a globalização como resposta à crise. Confrontado, por um lado, com a diminuição da margem de lucro e , por outro, com a desintegração de um mecanismo monetário baseado na hegemonia absoluta inquestionável dos USA ,o capital avança na frente da reestruturação e a expansão globalizante, sempre e sempre em prol do lucro.




>O caso da Zambia
>Aparecem aqui de vez em quando uns senhores muito bem
>educados (outros nem por isso...) mas às vezes a dar
>numa de petulantes "meninos-bem", que parecem
>acreditar piamente que o capitalismo só trouxe
>benefícios à Humanidade.
>Claro que trouxe!!!
>É tão evidente como a linha do horizonte...
>Mas para mal dos nossos pecados ( >size="2">expressões que ficam de quando a gente ia à
>missa...
8-))a verdade é que o
>capitalismo tem também aquilo que agora os estrategas
>das novas e novíssimas guerras chamam de "danos
>colaterais".
>Hoje proponho a reflexão sobre um dos países de África
>que já teve - durante uns 15 a 20 anos - um dos mais
>interessantes (e fulgurantes) processo de
>desenvolvimento económico e social: a Zambia. Tudo no
>respeito mais íntegro das regras de funcionamento do
>capitalismo, designadamente algumas "nacionalizações",
>sempre com indemnização negociada. Como fez aqui
>Salazar com a Carris ou os TLP. Lembram-se?...
>Mas adiante. Se acharem "chato e comprido", é simples.
>Desligam e saltam para outra.
>
>Benefícios e Efeitos Colaterais do Capitalismo – O
>caso da Zambia

>
>Até 1964 a Zâmbia era conhecida como Rodésia do Norte.
>Resultara da expansão colonial britânica sob impulso
>da British South Africa Company, companhia magestática
>fundada por Cecil Rhodes (o magnata dos diamantes e do
>ouro que esteve na origem da famigerada questão do
>“Mapa Cor de Rosa”).
>Pode assim tirar-se uma
>Primeira conclusão: Se não fosse a expansão
>colonial do capitalismo, não teríamos Zambia. Outra
>coisa qualquer (talvez uma Angola mais alongada para o
>interior, quem sabe...) mas não Zambia. Nada de
>especialmente grave.
>Desde os anos 1920’s, com a descoberta de minas de
>cobre, que a exploração deste minério se tornou
>determinante para a vida económica e social da então
>Rodésia do Norte.
>Na altura da independência (em 1964) a Zambia tinha
>apenas 6 graduados universitários (bacharéis)
>zambianos (numa população de 5 milhões) e 80
>quilómetros de estradas alcatroadas. Já os caminhos de
>ferro (essenciais para o transporte do cobre) eram
>alguns milhares de quilómetros. Toda a estrutura
>física construída (transportes, comunicações, escolas,
>hospitais...) estava quase que exclusivamente
>orientada ou ao serviço das companhias mineiras.
>Segunda conclusão: o capitalismo – muito
>naturalmente – faz apenas aquilo que lhe interessa (dá
>lucro). É assim e não há que haver “queixas” ou
>“lamentos”.
>A partir de 1965, o governo da Zambia (uma espécie de
>marxismo MUITO mitigado pelo humanismo cristão
>professado por Kenneth Kaunda) começou um movimento de
>desenvolvimento do novo País. A subida do preço de
>cobre no mercado de Londres (o principal e
>determinante à escala mundial), assim como o aumento
>da produção, permitiu à Zambia arrecadar fundos que
>foram aplicados em escolas, estradas, uma
>universidade, hospitais, zambianização da
>administração pública. Mesmo com todos esses
>investimentos, em 1969 o estado zambiano tinha um
>excedente de capital (superavit) em resultado do preço
>favorável do Cobre (90% das exportações, o resto eram
>outros minérios (cobalto...)) e dos lucros das
>companhias mineiras.
>Uma terceira conclusão: Não há nada melhor para
>o desenvolvimento de um país do que os seus dirigentes
>aproveitarem os bons preços (daquilo que podem
>produzir) nos mercados mundiais do capitalismo. Em
>particular quando estes sobem e/ou são estáveis e,
>sobretudo, compensadores
>O mundo corria “na maior” (havia uma guerra no
>Vietname…) para os produtores de cobre. Em 1969 a
>Zambia era o terceiro maior produtor mundial de cobre
>com mais de 12% da produção mundial (depois dos EUA e
>da ex-URRSS) e à frente do Chile (esse mesmo, o do
>Allende e mais tarde do Pinochet (e da ITT... “isto”
>está tudo ligado – é o tal “sistema-mundo”).
>A kwacha era uma moeda forte e a Zambia um dos mais
>ricos países de África... O pessoal, (zambianos e
>“expatriados”), vivia “na maior”... respirava-se
>prosperidade. Mesmo com os custos de transporte do
>minério (já refinado) e das importações através de
>Angola, Rodésia do Sul e Moçambique.
>Depois, A acabou a guerra no Vietname (em Abril
>de 1975), B começou-se a falar de uma nova
>invenção, que iria substituir os cabos telefónicos (as
>fibras ópticas), C cresceram as vozes a falar
>de reciclagem dos metais já existentes nos milhões de
>electrodomésticos e outros motores por esse mundo fora
>e, azar dos azares (...), em Setembro de 1975 o preço
>do cobre caíu assim, de repente, de um dia para o
>outro, para pouco mais de metade.
>Entretanto houvera já em 1973 o primeiro choque
>petrolífero
(e o custo das importações de
>combustíveis “disparou”, como eles gostam de dizer).
>Tudo coisas sobre as quais o estado zambiano não tinha
>obviamente qualquer espécie de controle. E no entanto
>tinha feito tudo segundo os cânones da economia
>clássica... Investimento em estruturas essenciais para
>uma economia nacional poder funcionar, educação de
>base e ensino universitário...
>Era provavelmente um caso excepcional de baixíssima
>corrupção ao nível mais elevado do Estado.
>E no entanto, apesar de tudo isso, a partir de meados
>dos anos Setenta, foi a degradação progressiva a
>culminar nos inevitáveis “Programas de Ajustamento
>Estrutural” impostos pelas instituições do
>“Washington Consensus”.
>Uma quarta (e para já última) conclusão:
>Quando o Mar bate na Rocha, quem se lixa é o mexilhão.
>E, claro está, o funcionamento do capitalismo à escala
>global do nosso planeta não tem nada a ver com isto...
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.