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Subject: Diabo, diabo, o Laranjas é mesmo bom.


Author:
observador curioso
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Date Posted: 7/01/05 23:12:26
In reply to: Luis Laranja 's message, "Re: Posso meter uma colherada?" on 7/01/05 21:02:44

Ora aqui está uma posição que, quer se concorde, quer se discorde, merece respeito. Respeito pela forma lúcida e inteligente com que Laranjas trata esta questão.
E não é que nós, marxistas, nada de concreto, nada de construído e de provado, temos para lhe opôr. Só fracassos, só experi~encias desastradas cujos resultados aí estão á vista. Vejamos o que aconteceu nas ex-repúblicas soviéticas, o enorme retrocesso em qque caíram, vejamos a situação na américa latina, vejamos ainda o que se passa na China, já para não falar na Coreia do Norte. Onde está o socialismo, onde está a ditadura da classe operária, onde estão os amanhãs que cantam. Em Cuba? Deixem-me rir.
Por isso, quando retorquirem ao laranjas, vejam lá se são credíveis.

>Senhor Statter.
>
>Sim, em termos de teoria dos sistemas, poderia
>dizer-se que o capitalismo caminha para um sistema
>fechado. Como V. Ex.ª deve saber, um sistema não passa
>duma criação do espírito, e os qualificativos de
>abertura ou de fecho com que são caracterizados os
>sistemas são muito relativos. Veja o caso dos sistemas
>vivos, que sendo classificados de sistemas abertos
>caminham igualmente para o aumento da sua entropia,
>definham e morrem. Mas, no sentido de que o sistema
>capitalista, tendo-se expandido por todo o lado,
>caminha para se transformar num sistema único e, com
>tal facto, terá a sua lucratividade a diminuir,
>nomeadamente, porque a desigualdade das trocas no seu
>interior se reduzirá, essa é a pena capital a que
>estão condenados todos os sistemas no ciclo da sua
>existência: nascer, crescer, desenvolver-se, estagnar,
>definhar e morrer. Ao contrário de outros sistemas,
>porém, os sistemas humanos, à semelhança dos seres
>vivos que os compõem, apresentam uma faculdade
>interessante: a de reproduzir-se.
>
>O sistema capitalista não é extra-terrestre, não
>apareceu de pára-quedas nem veio em qualquer nave
>espacial. Germinou no seio de sistemas que o
>antecederam, antes mesmo deles perecerem,
>nomeadamente, colmatando-lhes as lacunas e as
>insuficiências e superando de modo mais vantajoso as
>suas contradições. Não foi, também, criação de
>qualquer mente iluminada, mas resultou das práticas de
>miríades de actores que foram aproveitando
>oportunidades onde existiam, inventando outras, e
>vencendo barreiras as mais diversas, de modo a ir
>respondendo às necessidades existentes e às que ele
>próprio foi criando. O que é, no que se transformou,
>transcende as representações que os actores tiveram
>das suas práticas, e transcende mesmo a representação
>que nós próprios hoje fazemos dele. Digamos que é
>muito mais complexo do que possamos imaginar, ainda
>que estejamos na posse do conhecimento das suas
>características essenciais.
>
>De qualquer modo, o facto do capitalismo caminhar para
>a estagnação e o perecimento não nos deve merecer
>preocupação maior. Hoje em dia, fervilham já milhentos
>ensaios inovadores de saídas mais eficazes para os
>constrangimentos que o sistema vai apresentando, por
>enquanto ainda restritos às técnicas e aos objectos
>que são produzidos, mas cujo desenvolvimento não
>deixará de exigir alterações e transformações nas
>formas sociais pelas quais as pessoas participarão na
>produção e na fruição dos objectos. Escusamos de
>imaginá-las, porque a realidade ultrapassará os
>esquemas mais criativos, mas devemos perscrutá-las,
>para as compreendermos e melhorarmos. Por isso, agora,
>como em todo o tempo, a preocupação maior não deve
>constituir a luta abstracta pelo derrube do
>capitalismo enquanto sistema económico-social - ela
>própria um contra-censo, porque do que se trata,
>quando chegar a altura, é da luta pela substituição da
>classe dirigente. Então, pessoal com outras
>perspectivas, perfilar-se-á, de forma mais visível ou
>encapotada, para tomar as rédeas do poder de modo a
>proporcionar melhores condições de desenvolvimento às
>relações de produção que entretanto tiverem emergido e
>pretendam desenvolver-se. As coisas, para os actores,
>aparecerão sob outros objectivos, muito mais restritos
>e limitados, e desenrolar-se-ão de um modo contínuo no
>tempo, como se as roturas fossem apenas políticas, mas
>do que se trata é da produção da revolução social.
>
>Também como em todo o tempo, agora, o essencial é
>lutar por objectivos concretos muito mais comezinhos,
>a começar por outra proporção para a distribuição da
>riqueza criada, contra as injustiças e os privilégios,
>as guerras de pilhagem, etc., etc. Dizer-se que os
>povos das sociedades menos desenvolvidas não têm já
>nada a esperar do capitalismo é muito redutor e
>derrotista. Não terão a ganhar se não forem capazes. É
>de esperar que tenham muito mais dificuldades, que
>encontrem adversários nos próprios assalariados do
>capitalismo desenvolvido, mas têm direito a uma vida
>melhor, e isso só o desenvolvimento do capitalismo nas
>suas regiões ou o aparecimento de alternativas ainda
>mais competitivas (porque não é claro que as
>alternativas ao capitalismo emirjam e se desenvolvam
>nas regiões mais desenvolvidas, como aconteceu, de
>resto, com o próprio capitalismo) lhes poderão
>proporcionar.
>
>Tenha V. Ex.ª um resto de dia proveitoso.

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Subject Author Date
Re: Diabo, diabo, o Laranjas é o observador curioso e auto-gaba-sevisitante muitíssimo divertido 7/01/05 23:53:39


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