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Subject: Re: Posso meter uma colherada?


Author:
Luis Laranja
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Date Posted: 7/01/05 21:02:44
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Re: Posso meter uma colherada?" on 7/01/05 19:15:36

Senhor Statter.

Sim, em termos de teoria dos sistemas, poderia dizer-se que o capitalismo caminha para um sistema fechado. Como V. Ex.ª deve saber, um sistema não passa duma criação do espírito, e os qualificativos de abertura ou de fecho com que são caracterizados os sistemas são muito relativos. Veja o caso dos sistemas vivos, que sendo classificados de sistemas abertos caminham igualmente para o aumento da sua entropia, definham e morrem. Mas, no sentido de que o sistema capitalista, tendo-se expandido por todo o lado, caminha para se transformar num sistema único e, com tal facto, terá a sua lucratividade a diminuir, nomeadamente, porque a desigualdade das trocas no seu interior se reduzirá, essa é a pena capital a que estão condenados todos os sistemas no ciclo da sua existência: nascer, crescer, desenvolver-se, estagnar, definhar e morrer. Ao contrário de outros sistemas, porém, os sistemas humanos, à semelhança dos seres vivos que os compõem, apresentam uma faculdade interessante: a de reproduzir-se.

O sistema capitalista não é extra-terrestre, não apareceu de pára-quedas nem veio em qualquer nave espacial. Germinou no seio de sistemas que o antecederam, antes mesmo deles perecerem, nomeadamente, colmatando-lhes as lacunas e as insuficiências e superando de modo mais vantajoso as suas contradições. Não foi, também, criação de qualquer mente iluminada, mas resultou das práticas de miríades de actores que foram aproveitando oportunidades onde existiam, inventando outras, e vencendo barreiras as mais diversas, de modo a ir respondendo às necessidades existentes e às que ele próprio foi criando. O que é, no que se transformou, transcende as representações que os actores tiveram das suas práticas, e transcende mesmo a representação que nós próprios hoje fazemos dele. Digamos que é muito mais complexo do que possamos imaginar, ainda que estejamos na posse do conhecimento das suas características essenciais.

De qualquer modo, o facto do capitalismo caminhar para a estagnação e o perecimento não nos deve merecer preocupação maior. Hoje em dia, fervilham já milhentos ensaios inovadores de saídas mais eficazes para os constrangimentos que o sistema vai apresentando, por enquanto ainda restritos às técnicas e aos objectos que são produzidos, mas cujo desenvolvimento não deixará de exigir alterações e transformações nas formas sociais pelas quais as pessoas participarão na produção e na fruição dos objectos. Escusamos de imaginá-las, porque a realidade ultrapassará os esquemas mais criativos, mas devemos perscrutá-las, para as compreendermos e melhorarmos. Por isso, agora, como em todo o tempo, a preocupação maior não deve constituir a luta abstracta pelo derrube do capitalismo enquanto sistema económico-social - ela própria um contra-censo, porque do que se trata, quando chegar a altura, é da luta pela substituição da classe dirigente. Então, pessoal com outras perspectivas, perfilar-se-á, de forma mais visível ou encapotada, para tomar as rédeas do poder de modo a proporcionar melhores condições de desenvolvimento às relações de produção que entretanto tiverem emergido e pretendam desenvolver-se. As coisas, para os actores, aparecerão sob outros objectivos, muito mais restritos e limitados, e desenrolar-se-ão de um modo contínuo no tempo, como se as roturas fossem apenas políticas, mas do que se trata é da produção da revolução social.

Também como em todo o tempo, agora, o essencial é lutar por objectivos concretos muito mais comezinhos, a começar por outra proporção para a distribuição da riqueza criada, contra as injustiças e os privilégios, as guerras de pilhagem, etc., etc. Dizer-se que os povos das sociedades menos desenvolvidas não têm já nada a esperar do capitalismo é muito redutor e derrotista. Não terão a ganhar se não forem capazes. É de esperar que tenham muito mais dificuldades, que encontrem adversários nos próprios assalariados do capitalismo desenvolvido, mas têm direito a uma vida melhor, e isso só o desenvolvimento do capitalismo nas suas regiões ou o aparecimento de alternativas ainda mais competitivas (porque não é claro que as alternativas ao capitalismo emirjam e se desenvolvam nas regiões mais desenvolvidas, como aconteceu, de resto, com o próprio capitalismo) lhes poderão proporcionar.

Tenha V. Ex.ª um resto de dia proveitoso.

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Replies:
Subject Author Date
Diabo, diabo, o Laranjas é mesmo bom.observador curioso 7/01/05 23:12:26
Re: Posso meter uma colherada? -Guilherme Statter 9/01/05 1:49:05


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