| Subject: Re: Quadra popular e o que dela se pode retirar... |
Author:
Luis Laranja
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Date Posted: 7/01/05 23:38:43
In reply to:
observador curioso
's message, "Quadra popular" on 7/01/05 22:45:31
observador curioso.
Missas há muitas, de variados tipos e de diversíssimas igrejas, até de algumas cujos santos não são de pau... Resta-lhe escolher à que deseja ir.
Pegando na quadra popular com que pretende replicar, poderia ver que ela, não sendo tão antiga, reflecte uma cultura pré-capitalista ingénua e de crítica a algumas igrejas, que poderia muito bem ser entoada por qualquer seita radical medieva.
Quanto ao seu esclarecimento, aproveito, com ele, para esclarecê-lo. Eventualmente, desde tempos remotos as trocas poderão ter sido desiguais, ocasionalmente ou por necessidade extrema dos intervenientes, não vem ao caso. O que se trocava, então, eram meros excedentes, e não a totalidade da produção, o que, desde logo, restringe a amplitude da desigualdade. Mas o que caracteriza a troca capitalista, e a distingue das trocas em modos de produção anteriores, é ela ser intencionalmente desigual (buscando o lucro máximo e maior que o da concorrência) e estender-se à totalidade da produção. Daí pode você ver o abismo que as separa.
Por outro lado, além de ser uma troca intermediada pelo dinheiro, a troca capitalista começou por ser também uma troca intermediada pelo mercador, essa figura nova que se dedicava à compra e venda de mercadorias de que não era o produtor directo. A acumulação primitiva, antes de ser do produtor directo, foi deste intermediário comerciante, de cujos cabedais saíram os capitais que armaram barcos, construiram manufacturas e foram emprestados a realezas e a Estados constituídos.
Pela antiguidade do comércio e da usura pode você imaginar o ror de tempo que este novo modo de produção que designamos por capitalismo levou até desenvolver-se e diversificar-se, estendendo-se a todas as esferas da vida.
A sua grande confusão, ou ignorância, reside em identificar as origens do capitalismo com uma revolução política, ainda para mais num país atrasado, a França da época, e cuja função foi precisamente despedaçar as peias que entravavam o livre desenvolvimento das forças produtivas locais, ou com a revolução industrial, que não constitui mais do que uma das fases do seu desenvolvimento.
Os seus próprios exemplos deveriam levá-lo a reflectir na patranha cantada pelos comunistas, na qual eventualmente acreditará, que reduz a revolução social à sua componente política, e esta à sua variante insurreccional, e que acreditam que um qualquer modo de produção é instaurado politicamente, antes mesmo de existir nas relações sociais novas que vão emergindo na sociedade, só porque assim desejam os deserdados.
Posto isto, tenha uma noite descansada, delirando ou indo à missa, tanto faz.
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