Author:
observador curioso
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 7/01/05 23:52:15
In reply to:
Luis Laranja
's message, "Re: Quadra popular e o que dela se pode retirar..." on 7/01/05 23:38:43
A pequena quadra faz parte de um fado oeprário cantado no princípio do século passado, para seu esclarecimento.
Quanto ao que mais diz, de acordo. Apenas discordo da sua observação quanto ao atraso da França pré-revolucionária dos finais do sec. XVIII. Se estudar a sua história e a sua economia política chegará à conclusão que não foi o atraso económico que conduziu à revolução de 1789 mas, pelo contrário, foi a industrialização ainda que incipente dos reinados de Luís XIV a Luís XVI que criou e fortaleceu uma nova classe social em espansão que se queria libertar do jugo da velha nobreza improdutiva e perdulária. A França de Luís XVI era um dos países mais evoluídos do mundo de então, meu caro Laranja.
Quanto ao resto dou-lhe razão. Não vou á missa mas também não vou à reunião de célula.
Tenha v. uma noite sem pesadelos.
>observador curioso.
>
>Missas há muitas, de variados tipos e de diversíssimas
>igrejas, até de algumas cujos santos não são de pau...
>Resta-lhe escolher à que deseja ir.
>
>Pegando na quadra popular com que pretende replicar,
>poderia ver que ela, não sendo tão antiga, reflecte
>uma cultura pré-capitalista ingénua e de crítica a
>algumas igrejas, que poderia muito bem ser entoada por
>qualquer seita radical medieva.
>
>Quanto ao seu esclarecimento, aproveito, com ele, para
>esclarecê-lo. Eventualmente, desde tempos remotos as
>trocas poderão ter sido desiguais, ocasionalmente ou
>por necessidade extrema dos intervenientes, não vem ao
>caso. O que se trocava, então, eram meros excedentes,
>e não a totalidade da produção, o que, desde logo,
>restringe a amplitude da desigualdade. Mas o que
>caracteriza a troca capitalista, e a distingue das
>trocas em modos de produção anteriores, é ela ser
>intencionalmente desigual (buscando o lucro máximo e
>maior que o da concorrência) e estender-se à
>totalidade da produção. Daí pode você ver o abismo que
>as separa.
>
>Por outro lado, além de ser uma troca intermediada
>pelo dinheiro, a troca capitalista começou por ser
>também uma troca intermediada pelo mercador, essa
>figura nova que se dedicava à compra e venda de
>mercadorias de que não era o produtor directo. A
>acumulação primitiva, antes de ser do produtor
>directo, foi deste intermediário comerciante, de cujos
>cabedais saíram os capitais que armaram barcos,
>construiram manufacturas e foram emprestados a
>realezas e a Estados constituídos.
>
>Pela antiguidade do comércio e da usura pode você
>imaginar o ror de tempo que este novo modo de produção
>que designamos por capitalismo levou até
>desenvolver-se e diversificar-se, estendendo-se a
>todas as esferas da vida.
>
>A sua grande confusão, ou ignorância, reside em
>identificar as origens do capitalismo com uma
>revolução política, ainda para mais num país atrasado,
>a França da época, e cuja função foi precisamente
>despedaçar as peias que entravavam o livre
>desenvolvimento das forças produtivas locais, ou com a
>revolução industrial, que não constitui mais do que
>uma das fases do seu desenvolvimento.
>
>Os seus próprios exemplos deveriam levá-lo a reflectir
>na patranha cantada pelos comunistas, na qual
>eventualmente acreditará, que reduz a revolução social
>à sua componente política, e esta à sua variante
>insurreccional, e que acreditam que um qualquer modo
>de produção é instaurado politicamente, antes mesmo de
>existir nas relações sociais novas que vão emergindo
>na sociedade, só porque assim desejam os deserdados.
>
>Posto isto, tenha uma noite descansada, delirando ou
>indo à missa, tanto faz.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
|