| Subject: Re: Repensar a Esquerda ?1) |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 29/12/04 14:39:28
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Repensar radicalmente uma alternativa de esquerda (1)" on 22/12/04 11:36:12
Há duas dimensões para pensar a esquerda. Ou cicunscrevemos a análise à realidade portuguesa ou procuramos uma alternativa global ao capitalismo neoliberal olhando o Mundo.
Pese a grande vitalidade do sistema capitalista, até agora demonstrada, e dos esfoços de perpetuação internacionalizando-se nos seus negócios, o capitalismo enferma crescentemente de uma crise estrutural e demonstra dificuldade em reformar-se.
É neste sentido que as lutas que se irão aproximar parecem induzir a processos incompatíveis com as ideias e os remédios da social-democracia dos partidos socialistas ,cada vez mais incorporando os remédios e as palavras da contra-revolução.
Se em Portugal os limites reformistas do P.S. e a própria clarificação ideológica está por definir , internacionalmente constatamos que as propostas do socialismo ,ou dos socialismos como diz Miguel Urbano, tem contornos indefenidos como modelos alternativas ao capitalismo.
É ,como diz o comunista francês Georges Gastaud,uma tarefa ciclópica organizar as forças sociais que "permitam preencher o fosso entre a necessidade objectiva da revolução e a fraqueza subjectiva do compromisso revolucionário e militante ".
Acredito ser possível através do diálogo e do entendimento, alcançar uma frente interna e externa capazes de , numa plataforma comum desenvolverem a luta... Hoje ,em Portugal ,há duas organizações que deveriam buscar esse entendimento .O PCP como a força de esquerda mais prestigiada e combativa e o Bloco como remanescente de grupos da extrema-esquerda e que aglutina sectores intelectuais e das camadas médias progressistas...
>
>src="http://www.dotecome.com/blog/imagens/santana-borbo
>leta.jpg">
>
>
>Repensar radicalmente uma alternativa de esquerda
>(1)
>
>
>Porque é tão importante repensar hoje uma alternativa
>de esquerda ?
>
>Assistimos neste momento pela primeira vez no Portugal
>de Abril, se exceptuarmos o caso restrito da Madeira,
>a um braço de ferro entre a esquerda e o populismo ou,
>para sermos mais rigorosos, entre o populismo e um
>conjunto de influentes interesses corporativos
>enquadrados pela esquerda.
>
>É preciso encarar com seriedade esta ameaça; a guerra
>contra o populismo, com Santana ou sem Santana, é
>sempre uma guerra perdida a prazo se a política não
>souber responder aos problemas sociais de fundo.
>
>A emergência aqui e agora deste afloramento populista
>é, ela própria, um sintoma da falência continuada do
>sistema político que já se vinha manifestando na
>evolução do abstencionismo eleitoral.
>
>O populismo de Santana (com réplicas em Paulo Portas)
>não soube (ou não teve tempo) para negociar certos
>apoios e viu-se acossado de forma violenta pelos
>media, pela classe política, por certos interesses
>poderosos do sector financeiro e acabou por ser
>travado “administrativamente”. A esquerda não deve
>embandeirar em arco pois esta vitória, obtida “na
>secretaria”, está longe de eliminar a ameaça se a
>esquerda não souber repensar e executar o seu novo
>projecto numa janela de oportunidade bastante
>estreita.
>
>Para se entender a gravidade da situação basta
>considerar que ao reagir a Santana como a um “corpo
>estranho” à “política normal”, ao atacá-lo pelo lado
>picaresco e processual, ao deixá-lo privado de apoios
>que não sejam os resultantes de uma quase impossível
>vitória eleitoral, está-se em verdade a pôr na panela
>todos os ingredientes venenosos; imagine-se o
>cataclismo que se abateria sobre o sistema político
>caso ocorresse uma vitória de Santana, agora ou após
>um novo fracasso, perfeitamente previsível, do PS.
>
>Precisamente por ser um “outsider”, por ter sido
>atacado e rejeitado por quase todos, desde o
>Presidente até aos seus amigos íntimos, se algum dia
>alcançar uma vitória eleitoral ela significará, nessa
>mesma medida, a derrota de quase todos e projectará o
>seu poder numa escala muito maior.
>
>Para aqueles que pensam que este cenário é impossível
>eu sugiro que recordem o que pensavam quando Cavaco
>foi finalmente derrotado e parecia ter acabado para a
>política; agora é citado com reverência até pela
>esquerda, e perfila-se como um candidato muito forte à
>Presidência.
>Até o Guterres, que abandonou o Governo e abriu
>caminho à maioria de direita, vilipendiado por quase
>todos há tão pouco tempo, aparece agora como principal
>opção da esquerda para Belém. Como dizia alguém o
>tempo reabilita as prostitutas e os prédios feios e,
>diria eu, também os políticos.
>
>Como se tal não bastasse a direita tem ainda outras
>opções mais ou menos polidas, mais ou menos
>prestigiadas nos meios académicos ou empresariais, o
>que significa que pode articular a sua resposta de
>acordo com as circunstâncias.
>
>O desafio para a esquerda é, como desenvolveremos em
>próximas ocasiões, passível de enunciação em três
>planos:
>
>- o que é ser de esquerda hoje ?
>- como responder à erosão da imagem da política e dos
>políticos ?
>- quais as grandes linhas de um projecto de esquerda
>para poder ser uma verdadeira alternativa política e
>não uma mera plataforma eleitoral ?
>
>Sem uma resposta adequada a estas questões qualquer
>vitória eleitoral do Partido Socialista, coligado ou
>não, terá um carácter transitório, será apenas mais um
>ciclo da espiral descendente que pode acabar com o
>nosso sistema democrático.
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