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Subject: A aldeia dos macacos


Author:
Ângelo Novo
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Date Posted: 20/12/04 14:09:19
In reply to: Macaco Velho 's message, "The End of the Monkey Show - Ou o Fim das Macacadas" on 19/12/04 19:35:59

Eu realmente não devia ter voltado aqui. Mas, por infantil que isso possa parecer, a visão de um macaco a bater no peito e a reclamar que me expulsou do seu "território" acabou por ser forte de mais.


Pergunta o macaco:
>E qual é a diferença entre criar valor novo e
>acrescentar valor (ao que já existia)?


Acrescentar é pôr lá mais do mesmo. Criar é conceber uma nova utilidade social, o que é suposto fazer um engenheiro, se for realmente bom. Tem a ver com a distinção entre valor de uso e valor de troca, com que eu agora não o vou maçar.



>Angelo Novo dixit
>Agora, há muitos "altos quadros", administrativos,
>financeiros, etc., cujos pseudo-salários provêm da
>redistribuição da mais-valia social. Mas quem aqui é
>que tem dúvidas sobre isso?


Responde o macaco:

>Muita gente. Desde logo os proprietários das
>empresas que gostam MUITO POUCO de pagar dinheiro a
>inúteis.
>Mas não haverá aí uma pontinha de inveja?... E este
>macaco velho a julgar que os angelicais novos seres
>desse novo universo que aí vem estavam acima dessa
>coisas.

O Ângelo aqui, de facto, foi anjinho. Pensava que estava a falar entre marxistas.

Afinal, o macaco é thatcheriano. De facto, só mesmo a baronesa é que dizia (e o macaco macaqueia) que o único problema social que existe é a... inveja.
Decanse, macaco, qua não o invejo a si, nem a qualquer alto quadro administrativo e financeiro. Deploro é a existência de uma sociedade em que estes macacos são tão apreciados, enquanto gente que eu estimo e admiro vive na maior miséria e sofre das maiores privações.

Para os "proprietários das empresas", os altos quadros administrativos e financeiros são obviamente indispensáveis. Mesmo resmungando, têm que lhes pagar os vencimentos ditados "pelo mercado".
E o macaco conclui que, se é assim, é porque lhes está a ser pago o "justo valor" pelo seu "trabalho".
Tudo está certo, no melhor (aliás, único) dos mundos possíveis, salvo as invejas é claro.



>E aqui a macacada a julgar que este Novus Angelicus
>era "marxista clássico". Estes humanos devem estar
>loucos. Ora dizem que "aqueles que gostariam de
>fazê-lo mas nem isso conseguem"
, fazem parte
>do "lupenproletariat", ora dizem que fazem parte do
>"proletariat". Vá a gente entende-los. O melhor é
>mesmo falarmos simiesco.


É como vê. As coisas mudam, no reino dos humanos. Lumpen-proletariado era um conceito que poderia fazer sentido numa sociedade em que o "exército industrial de reserva" oscilava numericamente, entre expansões e recessões, mas tinha pelo menos tendência a esgotar-se em períodos de grande pujança económica (o dito pleno emprego). Agora já não é esse o caso, nem há mais a mínima questão de pleno emprego, excepto nos discursos politiqueses hipócritas de sempre. Para o capitalismo, na sua fase actual, uma grande parte da humanidade é, pura e simplesmente, "excedentária".

Veja lá agora, macaco, que toda essa humanidade vai entrar no exército dos que vão provar o contrário, ou seja, que é afinal o capitalismo que está a mais. E nós, marxistas, oportunistas como sempre na nossa raiva assassina, vá de tentar instrumentalizar a sua "inveja".



>Dizia o Macaco Velho:
>Um "certo grau" ?... Muito?...
>Pouco?...
>Dúvidas, só dúvidas.
>Nos contesta Angelo Novo:
>Isto não lhe posso estar a revelar agora.

>Ora bolas... E a macacada à espera da revelação do
>segredo da pólvora e afinal...


Pois aqui a macacada vai simplesmente ter de esperar, como toda a gente. Se vai haver repressão ou não sobre a burguesia (e em que grau), depende obviamente do que é que esta está disposta a montar para resistir. A "ditadura do proletariado" irá até onde for obrigada, nem mais, nem menos.


>Então vamos lá medir isso. A actual
>situação do proletariado
>É que operacionalização de um conceito implica a
>possibilidade da sua medição. Ou será que não ensinam
>isso nos mestrados angelicais?


Como é óbvio, cada um terá a sua operacionalização própria, à medida do que pretende fazer.
Para os sociólogos da ordem estabelecida, a operacionalização dos conceitos será do tipo taxionómico, que é do que o macaco gosta pelos vistos. Ele é daqueles que gosta de acondicionar tudo em gavetinhas bem medidas, para ficar lá quietinho e bem etiquetado para sempre, não vá o diabo tecê-las.
A operacionalização que os marxistas buscam é muito outra, porque, como dizia o "velho", o que é preciso é transformá-lo (ao mundo).



>Se a minha Tia (chimpanzé) tivesse asas, voava


Não traga para aqui a sua família, que nos merece a todos o maior respeito, independentemente do que você possa tentar fazer com ela.


>Olha, mais um “teórico” que se faz à vida. Este
>forum deve criar anti-corpos.
>Oh “revolucionário de sofá”, escusas de dizer
>“obrigado”


Pois. Foi isto que o perdeu.
Com isto você mostrou uma faceta macacal com que eu não contava e que não posso deixar escapar, porque cala muito fundo na memória desta aldeia portuguesa.

"Isto" é um visco muito particular que toda a gente que lutou contra o fascismo conhece muito bem, porque inúmeras vezes lhe roçou a nuca. É um espírito soez e mesquinho, uma raiva feroz contra quem luta por uma outra sociedade. Um escárnio malsão contra quem ama a liberdade.

Você é daqueles macacos que lambe o cu ao chefe do bando todos os dias e odeia-se a si mesmo por isso. Mas, entretanto, acha que "isto é assim mesmo", transferindo então todo o seu ódio (redobrado) para quem teima em dissidir e se manter de pé.

Você, caro anónimo, lá será macaco, ou não, mas o que é de certeza é um verme.

E agora sim, pode ter a certeza que, o que quer que fique para aí a guinchar, não me vai fazer voltar a cabeça.


Ângelo Novo


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Subject Author Date
Re: A aldeia dos macacosMacaco Velho20/12/04 16:49:00


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