| Subject: VOLUNTARISMO |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 20/12/04 14:22:15
In reply to:
João Aguiar
's message, "Re: A Crítica dos Pequeno-burgueses" on 20/12/04 13:05:48
Ó João Aguiar . Eu estou a borrifar-me para o Bloco. Agora atacar o Bloco porque eles,supostamente ,desenvolvem uma política reformista parece-me deslocado.A realidade actual demonstra que não existe alternativa credível ao materialismo histórico e dialéctico como concepção do mundo,mas por isso mesmo ele propõe-nos uma interpretação adequada das sociedades humanas,concebidas como totalidades complexas ,nas suas dinâmicas contraditórias e interactivas.
Essa avaliação de cada realidade é feita dialécticamente,como um guia geral não dogmática não se devendo vasa´-la, num só processo .Reformismo é ,no quadro actual de correlação de forças, resistência e lutas ,criativa e multifacetada, das forças autenticamente de esquerda e do progresso humano.
O trabalho , a luta e a convivência aberta e democrática dos marxistas ,lado a lado com toda uma vasta série de movimentos sociais e culturais progressistas constitui um elemento fundamental na perspectiva do desafio revolucionário do amanhã.
o resto são balelas...
>bem sem si!
>
>Agora a sério. É extraordinário como você consegue
>criticar-me sem se referir a uma única linha do meu
>texto. Frases feitas e chavões como "voluntarismo" não
>são argumento. Se você me dissesse que o Bloco é, do
>seu ponto de vista, uma organização política de
>esquerda consequente então justificaria isso por A, B
>ou C juízos.
>
>A questão é que o Bloco não interessa a ninguém
>precisamente porque não vai além dos "pequenos
>combates persistentes do quotidiano". A questão é que
>o Bloco não tem uma estratégia que propugne linhas de
>intervenção alternativa societal ao capitalismo. É que
>um governo do Bloco (com o PS e com ou sem o PC) não
>faria muito mais do que legalizar o aborto ou baixar
>as propinas. Isto seria positivo mas é claramente
>insuficiente para a construção de uma alternativa
>revolucionária. Até lhe digo mais. Na Holanda quem
>legalizou o aborto foram os conservadores! Portanto,
>virem-me com a conversa que muitas das lutas de
>bandeira do Bloco são estruturais é uma treta!
>
>É mais do que evidente que a luta pela revolução ganha
>as massas através das questões concretas do dia-a-dia.
>Porém, isso não é sinónimo de fechamento das lutas num
>horizonte assistencialista em relação ao Estado. Por
>exemplo, numa luta pelo aumento de salários. Os
>reformistas vêm para a rua com palavras de ordem para
>apelar à benevolência do governo e que o problema são
>os políticos desonestos. Os revolucionários vêm para a
>rua com palavras de ordem contra o governo mas também
>contra o Estado, associando o governo a um tentáculo
>do capital. Isto é, dando a conhecer às massas que não
>seria um governo PS, PSD, BE ou PCP que mudaria
>radicalmente as suas condições de vida com o intuito
>de quebrar as cadeias da alienação, mas
>mostrando-lhes, através de um trabalho paciente,
>demorado e persistente, que o futuro está na superação
>das relações de produção capitalistas. Porque são
>estas a base que alimenta os fenómenos sociais mais
>profundos que percorrem as vidas humanas e não o
>governo que é um instrumento destas.
>
>Só para acabar. Não me venha com a conversa do Bloco
>nos "pequenos combates persistentes". Estive (e ainda
>acompanho muito de perto) no movimento associativo
>universitário e olhe que as alianças de alguns
>meninos-bem do Bloco com as estruturas mais
>reaccionárias e corruptas do movimento estudantil são
>uma vergonha. Já para não falar que só apareciam nas
>greves ou manifs queando lá estava a televisão. Mal
>esta saía, os meninos do Bloco iam para o café
>discutir as idiossincrasias pós-modernas da metafísica
>masturbante! Se isto é o que você aprecia no Bloco,
>olhe, só me resta desejar-lhe bom proveito. Mas espero
>que não seja o caso!
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