| Subject: Re: A Crítica dos Pequeno-burgueses |
Author:
João Aguiar
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Date Posted: 20/12/04 13:05:48
In reply to:
Luis Blanch
's message, "Re: A Crítica dos Pequeno-burgueses" on 20/12/04 12:27:22
Oh Blanch! Não se aflija com a revolução! Ela passa bem sem si!
Agora a sério. É extraordinário como você consegue criticar-me sem se referir a uma única linha do meu texto. Frases feitas e chavões como "voluntarismo" não são argumento. Se você me dissesse que o Bloco é, do seu ponto de vista, uma organização política de esquerda consequente então justificaria isso por A, B ou C juízos.
A questão é que o Bloco não interessa a ninguém precisamente porque não vai além dos "pequenos combates persistentes do quotidiano". A questão é que o Bloco não tem uma estratégia que propugne linhas de intervenção alternativa societal ao capitalismo. É que um governo do Bloco (com o PS e com ou sem o PC) não faria muito mais do que legalizar o aborto ou baixar as propinas. Isto seria positivo mas é claramente insuficiente para a construção de uma alternativa revolucionária. Até lhe digo mais. Na Holanda quem legalizou o aborto foram os conservadores! Portanto, virem-me com a conversa que muitas das lutas de bandeira do Bloco são estruturais é uma treta!
É mais do que evidente que a luta pela revolução ganha as massas através das questões concretas do dia-a-dia. Porém, isso não é sinónimo de fechamento das lutas num horizonte assistencialista em relação ao Estado. Por exemplo, numa luta pelo aumento de salários. Os reformistas vêm para a rua com palavras de ordem para apelar à benevolência do governo e que o problema são os políticos desonestos. Os revolucionários vêm para a rua com palavras de ordem contra o governo mas também contra o Estado, associando o governo a um tentáculo do capital. Isto é, dando a conhecer às massas que não seria um governo PS, PSD, BE ou PCP que mudaria radicalmente as suas condições de vida com o intuito de quebrar as cadeias da alienação, mas mostrando-lhes, através de um trabalho paciente, demorado e persistente, que o futuro está na superação das relações de produção capitalistas. Porque são estas a base que alimenta os fenómenos sociais mais profundos que percorrem as vidas humanas e não o governo que é um instrumento destas.
Só para acabar. Não me venha com a conversa do Bloco nos "pequenos combates persistentes". Estive (e ainda acompanho muito de perto) no movimento associativo universitário e olhe que as alianças de alguns meninos-bem do Bloco com as estruturas mais reaccionárias e corruptas do movimento estudantil são uma vergonha. Já para não falar que só apareciam nas greves ou manifs queando lá estava a televisão. Mal esta saía, os meninos do Bloco iam para o café discutir as idiossincrasias pós-modernas da metafísica masturbante! Se isto é o que você aprecia no Bloco, olhe, só me resta desejar-lhe bom proveito. Mas espero que não seja o caso!
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