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Date Posted: 11:44:31 04/03/03 Thu
Author: NEINFO
Subject: Exército fabricou napalm no Rio na década de 70

Por Denise Assis - Especial para O GLOBO


Que o Exército usou napalm - o produto incendiário largamente aplicado na Guerra do Vietnã pelos americanos - para desentocar os guerrilheiros do Araguaia, em 1972, já é uma revelação. Mais ainda é a informação de que não era importado dos Estados Unidos, mas feito na Fábrica de Bonsucesso, destinada à elaboração e ao reparo do material de guerra química: máscaras contra gases; granadas fumígenas (que produzem fumaça), lacrimogêneas, coloridas e incendiárias; tubos fumígenos especiais para pára-Quedistas; ampolas de cloroacetofenona (composto tóxico usado nas bombas de gás lacrimogêneo); e lança-chamas.

A descoberta se deve à catalogação de um arquivo encontrado no subsolo do Palácio Duque de Caxias, antiga sede do Ministério do Exército, onde hoje fica o Comando Militar do Leste. Durante 40 anos, o Exército manteve intocado o acervo de cinco mil latas e caixas com a correspondência enviada aos ministros entre 1820 a 1960. Com a mudança da capital para Brasília, a papelada passou a ser enviada para a Esplanada dos Ministérios. No Rio
ficaram apenas as fichas funcionais e a documentação das unidades extintas.

Processo de higienização pode levar dois anos

A papelada está sendo higienizada, por causa da poeira e da umidade, o que pode levar até dois anos. A organização está sendo feita por civis desde outubro e só se tornou possível graças a um convênio entre a Fundação Cultural do Exército e a Fundação Vitae, ao custo de R$ 50 mil. Por
enquanto, foi feito um diagnóstico do estado dos papéis e da forma de armazená-los e preparado um relatório que possibilitou a criação do Guia de Fundos, a ser tornado público pelo Arquivo Histórico do Exército no fim deste mês. O guia descreve o conteúdo da documentação e servirá de base para a organização do acervo.

O trabalho foi feito por dois coordenadores e seis estagiários de história e arquivologia, em turnos de manhã e de tarde, durante estes quatro meses. Para organizar a documentação, os estagiários trabalharam por amostragem,
abrindo e catalogando cerca de cem latas e caixas de cada conjunto de cinco estantes.

Documentos mostram evolução do Exército

A partir da amostragem, pode-se analisar a evolução do Exército. Nos idos de 1800, a tônica eram as promoções e os benefícios. A partir de 1900, com o fim da Guerra de Canudos, acumulam-se as cartas de viúvas em busca de pensão, de mães solicitando benefícios para os filhos ex-combatentes e de pedidos de acolhimento no Asilo dos Inválidos.

No período posterior à Revolta Comunista de 1935, surgem as certidões de conduta, o que evidencia a preocupação de comprovar bom comportamento, pois eram comuns as delações. Nos anos que se seguem ao fim da Segunda Guerra Mundial, voltam os pedidos de encaminhamento ao asilo dos inválidos e de pensão por parte das famílias de ex-pracinhas. Nos anos 50, com a consolidação dos princípios da segurança nacional, há uma intensa movimentação de oficiais para as mais variadas regiões, resultado da proliferação de novas unidades.

A coordenadora do trabalho, Carmem Moreno, com 20 anos de experiência em documentação, conta que a dificuldade de localizar esse ou aquele documento se deve ao fato de que o trabalho, por enquanto, permite apenas que se saiba em que estante se encontra, mas não exatamente em que caixa ou lata. O objetivo inicial era evitar a perda do material, devido às más condições de
armazenagem.

- Foi dado apenas o primeiro passo. Nesta fase identificamos os conjuntos de latas em termos do conteúdo e descrevemos seu estado de conservação, para que possamos fundamentar os projetos de organização - diz Carmen, chefe da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Mesmo assim, estão sendo selecionados alguns documentos interessantes, como mapas, fotos, projetos e cartas, para compor uma exposição que deverá ser organizada este ano pelo Arquivo Histórico do Exército. - Separamos peças mais visuais, porque surtem melhor efeito numa exposição - Afirma Carmen.

Fonte: O Globo, 9 de Fevereiro de 2003.

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