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Date Posted: 04:00:23 07/17/02 Wed
Author: Antonio dos Santos
Subject: Queima de livros

Miguel Pereira queima livros
Secretaria Municipal de Educação alega que não havia onde guardar exemplares que foram doados à biblioteca da cidade
Centenas de livros foram queimados no terreno dos fundos de uma casarão comprado recentemente pela Prefeitura de Miguel Pereira no bairro da Piedade. Os exemplares fazem parte de lotes doados por moradores à Secretaria Municipal de Educação e foram destruídos porque, segundo a secretária municipal de Educação, Vânia Queiróz, não havia onde guardá-los. “Os exemplares estavam ultrapassados e, portanto, não poderiam ser utilizados para fins educacionais”, afirmou Vânia.

Entre os livros destruídos pelo fogo estão obras escritas por José de Alencar e Rachel de Queiroz, além de enciclopédias e muitos didáticos. Como o montante é grande, o fogo ainda não conseguiu destruir por completo todos os exemplares.


Segundo Vânia, foram feitas duas seleções pelo diretor de Ensino da Secretaria, e também professor de História da rede municipal, Valmir Bastos. Na primeira, foram escolhidos livros que serviam para uso dos alunos. Na segunda seleção, estudantes puderam escolher alguns para levar para casa. O resto, aproximadamente 300 livros, foi queimado. “Sabemos que não é um bom exemplo destruir livros. Mas não tivemos alternativa”, alegou.


Fogueira de obras literárias ao lado de uma escola


A decisão de queimar os livros causou revolta. “É um absurdo. Estão queimando a cultura e a história brasileiras”, afirmou, indignado Manoel Modesto, 55 anos, morador do bairro Piedade. Segundo ele, a prefeitura depositou os livros há dois meses no casarão por falta de espaço na biblioteca.


E um detalhe chama a atenção: ao lado do casarão funciona uma escola. “Este péssimo exemplo está sendo dado às crianças. Será que é isso que devem aprender? A queimar livros?”, perguntou Modesto.


DEPOIMENTO


‘A cultura está virando cinzas’


O que mais me deixou indignado nesta história toda foi que a prefeitura nem sequer perguntou se alguém gostaria de ficar com livros. E muita gente queria as obras.


Apesar de antigos, o material era interessante. No meio da fogueira, tem mapas, enciclopédias, livros em latim. Será que mesmo antigos e ultrapassados não prestavam para nada?


Eu, por exemplo, peguei na fogueira, ainda que um pouco chamuscados, seis livros ótimos. Muitas crianças também vieram até o casarão e pegaram alguns livros de histórias infantis.


Todos da comunidade estão revoltados com a atitude da prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação. Que exemplo é esse que eles estão dando para os nossos filhos? Infelizmente, aqui em Miguel Pereira, a cultura está virando cinzas.


ADRIANO AFONSO VIEIRA, Comerciante, 28 ANOS



Secretário define como crime moral
Informado da queima de livros em Miguel Pereira, o secretário estadual de Educação, Willian Campos, criticou a decisão. “Se não é um crime do ponto de vista legal, é, com certeza, um crime moral. Não entendemos por quê não foi feita uma doação para algum interessado", questionou.

Ele disse ainda que se a secretaria estadual tivesse sido avisada, poderia ter aceitado a doação dos livros. “Mas, infelizmente, agora é tarde”, afirmou Campos.


A secretária de Educação de Miguel Pereira, Vânia Queiróz, não admite, no entanto, a possibilidade de que os livros poderiam ter sido aproveitados. Alega que estavam ultrapassados e não seriam aceitos por nenhuma instituição. “Quem iria querer ganhar livros velhos?”, pergunta.


De acordo com um funcionário da prefeitura que trabalha no local, mas não quis se identificar, a administradora de uma fazenda próxima à escola se ofereceu para guardar as obras. “Ela disse que ficaria com os livros e que colocaria-os à disposição da comunidade. Mas a prefeitura não aceitou”, disse o funcionário.

www.odia.com.br

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