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Date Posted: 20:29:19 03/21/05 Mon
Author: Liliane A. Sade
Subject: Resumo - semana 04

Resumo 03 – semana 04

Liliane Assis Sade Resende
Lingüística Aplicada
Profa. Dra. Vera L. Menezes de O. e Paiva
FALE – UFMG

SPOLSKY, B. Conditions for second language learning.Oxford: Oxford University Press, 1991. p. 11-29
Spolsky propõe no capítulo um de seu livro um modelo teórico geral para o aprendizado de segunda língua e língua estrangeira. Este modelo desenvolvido pelo autor possui cinco características que o viabilizam. A primeira delas é o reconhecimento de que, por ser um modelo geral, ele combina em uma mesma teoria todos os aspectos do aprendizado de segunda língua . O autor reconhece a cautela que deve ser tomada ao se tentar desenvolver um modelo geral para que ele não fique tão complexo e difícil de ser entendido, assim como propõe McLaughlin e o restringe apenas ao aprendizado de segunda língua, eliminando dele as complexidades envolvidas no aprendizado de primeira língua.
A segunda característica diz respeito à necessidade de ser preciso com relação à natureza dos objetivos e resultados do aprendizado. O autor reconhece a complexidade de se “saber” uma segunda língua e sugere que não há um único critério de avaliação para reconhecer o que é um aprendizado efetivo. O aprendizado pode ser descrito tanto em termos lingüísticos (conhecimento da estrutura formal da língua), quanto em termos de habilidades gerais, de pragmática ou funções comunicativas, de tópico, de situação, de interlocutor e de habilidade de desenvolver uma tarefa específica. A função da teoria geral proposta é a de abarcar toda a complexidade do processo de aprendizado de segunda língua, tentando então, não apenas definir os possíveis resultados do aprendizado, mas mostrar como as várias combinações de condições para o aprendizado podem levar a esses diferentes resultados.
A terceira característica é o pressuposto de que o modelo criado é integrado e interativo. O modelo propõe que todas ou muitas partes dele se aplicam a qualquer tipo específico de aprendizado (integrado) e que há uma interação próxima entre as várias partes do modelo (interativo). Embora nem todas as variáveis do modelo possam ser relevantes, todas têm o potencial de o ser e quando atuam, atuam conjuntamente.
A quarta característica se relaciona ao uso de uma abordagem que seja eclética no sentido de que englobe não apenas variáveis que sejam necessárias para o aprendizado, mas variáveis que sejam graduadas (quanto mais algo ocorre ou não, maior ou não o aprendizado) ou típicas (mas não necessariamente imprescindíveis) para determinado nível de aprendizado. Esta característica do modelo proposto tem como base o “modelo de preferência” criado por Ray Jackendoff na Psicologia Cognitiva e aplicado à semântica, à música e à interpretação literária. Spolsky descreve brevemente este modelo. Jackendoff distingue entre condições necessárias e condições típicas ou preferidas (preference conditions) para a definição dos conceitos humanos. O autor advoga a favor da gradação de julgamentos e existência de exceções nas condições de definição. O ponto chave deste trabalho é estabelecer a noção de julgamentos fortes e fracos que resultem da convergência ou conflito de critérios divergentes. Propondo isso, o autor sugere que em um sistema de regras de preferência, a definição dos conceitos se dá por fontes múltiplas de evidência e o julgamento é emitido não apenas com base em fontes únicas (condições necessárias), mas em uma fonte de condições típicas. Segundo Spolsky, o modelo proposto pro Jackendoff é importante por sugerir importantes caracterizações sobre a natureza da língua e por apresentar importantes afirmações sobre o aprendizado da mesma, servindo assim como um modelo para uma teoria de aprendizado de segunda língua.
A quinta e última característica do modelo é a proposta de uma teoria geral de aprendizado de segunda língua estabelecida dentro de um contexto social, que segundo o autor, exerce uma influência indireta no modelo em várias instâncias críticas.
Antes de discorrer sobre as condições necessárias, graduadas e típicas do modelo, o autor apresenta as carências do mesmo. Para ele, a complexidade deste dificulta o falseamento dos achados e a conseqüente generalização dos resultados. Além disso, o autor esclarece que o objetivo do modelo é tentar discorrer sobre as diversas variáveis que interagem para diversos níveis de aprendizado e não oferecer uma única abordagem para ser usada pelos professores como o melhor modelo para o ensino de línguas. Os bons professores de línguas são ecléticos e sabem que diversos alunos aprendem de diversas maneiras, métodos e estilos. Finalmente o autor propõe uma fórmula matemática, que embora de maneira simples e superficial, resume o modelo proposto: Kf = Kp + A + M + O, onde (Kf) é o conhecimento futuro ou resultado do aprendizado e é adquirido pela interação entre o conhecimento presente do aluno (Kp), os vários componentes da habilidade do aluno incluindo as habilidades cognitivas, intelectuais, biológicas e fisiológicas (A), os fatores afetivos, como personalidade, atitudes, motivação e ansiedade (M) e as oportunidades de aprendizado da língua (O). Para o autor esta fórmula é aplicável não apenas para o aprendizado em nível macro (proficiência em determinada língua, ou habilidade), mas também em nível micro (aprendizado de itens individuais).
O modelo de preferência desenvolvido pelo autor envolve a interação de vários grupos de condições inter-relacionadas. O autor lista 74 condições agrupadas em 11 grupos classificados pelo autor como: grupo 1 – o que significa saber uma língua; grupo 2 – a importância do uso da língua; grupo 3 – avaliação (medida) do conhecimento e habilidades lingüísticas; grupo 4 – a implicação da proficiência geral no aprendizado da língua; grupo 5 – os fatores individuais que afetam o aprendizado e que estabelecem a base psicolingüística para o mesmo; grupo 6 – diferenças individuais em habilidades e personalidade; grupo 7 – a base lingüística para a segunda língua; grupo 8 – o contexto social no qual o aprendizado acontece; grupo 9 – atitudes e motivação do aprendiz; grupo 10 – oportunidades de aprendizagem e grupo 11 – examina o aprendizado formal através de uma única condição geral. As condições formuladas pelo autor são uma tentativa de relacionar os diversos achados das pesquisas realizadas até o presente momento na área de SLA. Elas envolvem, por exemplo, questões relativas ao inatismo proposto por Chomsky, às teorias behavioristas, à teoria do input de Krashen e tantas outras teorias que compõem o estado da arte atual.


VAN LIER, L. Forks and hope: pursuing understanding in different ways. Applied Linguistics. Oxford University Press, v. 15. n. 3. p.328-346, Sept.1994

Van Lier propõe como objetivo do presente texto fazer uma leitura crítica dos autores constantes da Revista “Applied Linguistics”, volume 14/3. Os autores dessa edição (Beretta, Long, Crookes, Gregg e Schumann) abordam a questão da construção da teoria em SLA. Van Lier se dispõe a discutir as posições apresentadas por esses autores, evidenciando alguns aspectos que, segundo ele, foram omitidos nos textos desses autores. O autor inicia seu texto tecendo uma crítica à super valorização das ciências naturais pelos teóricos da SLA. Essa questão incita um repensar crítico sobre outras questões como diversidade e homogeneidade teórica, a natureza do que explicação e avaliação de teorias. Implícitas nessas questões estão aspectos mais profundos abordados pelo autor, tais como: a definição do campo da SLA, as relações entre teoria e prática, a separação estabelecida entre as teorias em SLA das teorias educacionais (ou lingüística aplicada), a natureza do conhecimento e as fundações morais da prática científica.
O primeiro questionamento levantado pelo autor é sobre o que é o campo da SLA e argumenta que três posições têm sido adotadas: a SLA incluída dentro da Lingüística, dentro da Educação, ou considerada um campo independente com conecções com vários outros. Uma outra posição diz respeito à distinção e separação entre SLA e lingüística aplicada. Essas divergências concorrem para que haja também divergentes formas de teorizar em SLA. Para alguns autores, essa divergência é sinal de imaturidade do campo. No entanto, Val Lier advoga a favor de um efeito positivo dessas visões divergentes e propõe uma visão alternativa do que seja SLA. Uma visão pluralista da SLA deve não apenas ser legitimada, mas deve ser necessária e positiva para a solidificação da SLA como um campo de pesquisa. O autor advoga a favor da união entre teoria e prática. Para ele, os teóricos devem aceitar a legitimidade daqueles envolvidos com a prática e esses últimos devem, por sua vez, receber os teóricos nas suas práticas.
Em seguida, o autor propõe o reexame de conceitos como: evidência e documentação, descrição, explicação e conhecimento. Quanto à evidência e documentação o autor questiona o que determina a relevância dos fenômenos observados. Para o autor a distinção entre descrição e explicação não é possível uma vez que uma implica sempre no desenvolvimento da outra. O autor critica a posição racionalista que considera a explicação como causal e única. O conhecimento nas ciências naturais é diferente do conhecimento das ciências humanas. O conceito de causa, foco da física, pode ser insignificante nas ciências sociais e humanas. O autor, com base no trabalho de Peirce propõe uma visão de conhecimento como socialmente constituído. A visão relativista é apresentada pelo autor que esclarece que o relativismo e o racionalismo não devem ser colocados em pólos opostos, uma vez que o racionalismo implica em uma racionalidade na pesquisa, racionalidade essa também necessária e presente no relativismo. O oposto do relativismo seria o absolutismo, que segundo o autor, é danoso para a ciência. O autor defende a avaliação racional da pesquisa, mas não por regras institucionalizadas como o falseamento, (também criticado por Schumann), mas por outros critérios, como o da qualidade da pesquisa, critério esse atrelado à utilidade dos resultados da pesquisa para o desenvolvimento da humanidade.
Van Lier, citando Ravetz, divide as pesquisas na área de SLA em três fases: a tradicional, essencialmente acadêmica e teórica, a industrializada, quando as pesquisas se voltaram para preocupações e propostas industriais; e crítica, aquela que deve ser a nova tendência e que envolve questões éticas e políticas e na qual os princípios morais influem na direção do trabalho.
O autor critica a distinção entre teoria e prática, que para ele já foi tão aceita que se tornou censo comum. O autor sugere que o fato de que toda teoria deve influenciar a prática é algo já aceito, no entanto o autor propõe uma reflexão sobre como a prática pode contribuir para a teoria e propõe novos papéis para os teóricos (que devem aceitar as contribuições dos profissionais engajados com a prática) e os profissionais da prática (que devem contribuir, através de suas experiências para a formação das teorias e aplicar as teorias às sua práticas.
O autor discorre sobre alguns “medos” que têm estado presentes entre os teóricos da SLA e procura desmistificá-los. O autor cita o medo da diversidade que tem assolado os teóricos em SLA e indica o pluralismo como positivo e até necessário para a maturação da SLA enquanto campo de pesquisa. Em seguida, o autor apresenta o “medo da prática”, sentido pelos teóricos que consideram o envolvimento com as questões práticas supérfluo e até mesmo negativo. Para o autor, a não aceitação do envolvimento da prática nas questões teóricas é um comportamento equivocado. Com relação aos profissionais engajados na prática, Van Lier cita o medo da reflexão (focalizam apenas o trabalho e não têm tempo para refletir) ou não são incentivados e são até mesmo, ridicularizados por colegas ou superiores quando tentam romper com essa dicotomia. Finalmente Van Lier cita o medo da teoria. Os práticos não estão acostumados com o jargão teórico e o temem. Para sanar esse problema, Van Lier sugere duas soluções viáveis: o desenvolvimento de teorias pelos próprios práticos e a valorização dos generalistas que apresentam as teorias para os práticos em uma linguagem inteligível.
Finalmente, Van Lier encerra seu texto propondo que gostaria de ver o campo da SLA ancorado na educação e aliado à lingüística. Campo esse onde haveria diálogo entre teoria e prática e onde os pluralismos teórico e metodológico fossem reconhecidos como válidos e necessários para o crescimento da ciência. O autor chega a propor o termo “lingüística educacional” para essa nova visão alternativa da SLA.

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