| Subject: Re:UE faz pressão e vota contra investigação da situação dos presos em Guantánamo |
Author:
Gustavo Becerra
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Date Posted: 22/04/05 0:17:20
In reply to:
Eduardo Tamayo
's message, "Um passo em frente no Equador" on 20/04/05 23:54:08
Havana. 21 Abril de 2005
Gustavo Becerra, Granma
União Européia faz pressão e vota
contra investigação da situação dos presos em Guantánamo
A União Européia votou contra um projeto de resolução apresentado por Cuba na Comissão de Direitos Humanos de Genebra que pedia uma investigação imparcial e independente da situação dos prisioneiros dos EUA na base de Guantánamo, território que este país ocupa de forma ilegal.
A proposta cubana contou com o apoio da Bielorrúsia, Síria, Malásia, Venezuela, México, Guatemala e da Coréia do Norte. Votaram contra, além dos países da UE, Estados Unidos, Peru, Honduras, Costa Rica, Índia, Canadá e Romênia. Houve 23 abstenções.
Na véspera, o presidente Fidel Castro denunciou a atitude hipócrita da UE em relação aos direitos humanos e citou informes da publicação Madrid Digital segundo as quais o bloco europeu fez pressões para que o projeto de resolução apresentado por Cuba na CDH não fosse votado.
A União Européia e os países das antigas repúblicas socialistas da Europa do Leste, indicava a publicação espanhola, fazem pressão nas delegações das nações em desenvolvimento,presentes nesta comissão, para que impeçam o exame da resolução «Questões dos detentos na área da base naval dos EUA em Guantánamo» e assim evitar que o governo estadunidense seja posto em causa.
Cuba tinha apresentado uma nova versão do referido projeto de resolução, de menor alcance que a proposta inicial. A nova versão apenas solicitava dos EUA autorizar uma missão imparcial e independente, formada por representantes de quatro mecanismos permanentes da CDH, a fim de identificar a situação das pessoas privadas da liberdade em Guantánamo. E ainda, solicitava da Alta Comissária para os Direitos Humanos preparar e apresentar, para o ano próximo, um relatório baseado nos resultados de sua investigação.
No comparecimento especial de quarta-feira, 20, para continuar denunciando a presença impune do terrorista Luis Posada Carriles e de seus cúmplices nos Estados Unidos, Fidel lembrou que no ano passado a UE quase se ajoelhou, pedindo a Cuba não apresentar o projeto, para não ter por diante a difícil situação de se pronunciar contra os Estados Unidos; portanto a Ilha retirou seu projeto. Mas desta vez não vai ser assim, disse, e os europeus confirmam seu triste papel de Estados répteis ante o império, ao qual se unem outros países da América Latina como Honduras e Guatemala.
Os Estados Unidos pediram publicamente, sexta-feira 15 de abril, na CDH, que a resolução fosse retirada, aducindo improcedência, intemporalidade e falta de sustento.
Fidel também caracterizou a postura dos países membros da CDH em relação ao projeto de resolução. Reprovou a falta de ética, de vergonha e de personalidade de países qualificados de independentes, nobres e bons, e ressaltou a hipócrita preocupação destes pelos direitos humanos, o progresso e a democracia. Condenou novamente a presunção da que qualificou de mal chamada União Européia» que pretende mandar a Cuba «enviados» para determinar acerca da situação dos direitos humanos, enquanto ignoram a situação em nações como Guatemala, Nicarágua ou El Salvador.
Indicou que o analfabetismo, que praticamente chegou a desaparecer na Nicarágua, hoje atinge 30% da população. E lembrou que em El Salvador predominavam os esquadrões da morte e se cometeram crimes terríveis. «Coisas que devem ser lembradas para sentir repugnância pela hipocrisia desse sistema», manifestou. (Gustavo Becerra)
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