| Subject: Re: O PCP fez uma escolha inteligente ao eleger para esta missão um homem de cultura e de debate |
Author:
Miguel Romão
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Date Posted: 22/04/05 23:14:31
In reply to:
Lusa
's message, ""Perante a não aceitação por parte do PS das questões que estiveram na origem do pressuposto..." on 22/04/05 22:51:18
Carrilho e Ruben
Miguel Romão, A Capital, 22/04/05
Ruben de Carvalho é o nome apresentado pelo PCP na tentativa de reconquistar a Câmara Municipal de Lisboa. Num momento em que a coligação à esquerda na capital, e os seus termos, são ainda uma incógnita, o lançamento do nome de Ruben de Carvalho não aparece contudo como uma «contradição processual», principalmente sabendo-se que quer o PS, quer o PCP, quer o Bloco de Esquerda intimamente concordam na conveniência dessa união.
E não é uma contradição porque, ao contrário do que pode por vezes pretender-se, as coligações políticas não prescindem de rostos e só são perigosas quando procuram precisamente dissimular pessoas, ideias e diferenças.
O PCP fez uma escolha inteligente ao eleger para esta missão um homem de cultura e de debate, facilmente associável ao percurso intelectual e profissional de Manuel Maria Carrilho. Ruben de Carvalho é também um comunista «de rosto humano» – um homem que gosta de música tanto ou mais quando gostará de Marx. Um cidadão com experiência política, nomeadamente autárquica, e com a sensibilidade que a reflexão social traz a quem não serve interesses e se sente livre para pensar, dentro daquele que é o seu quadro legítimo de leitura das relações entre os homens.
Manuel Maria Carrilho e Ruben de Carvalho são assim os dois únicos nomes conhecidos a caminho da liderança autárquica em Lisboa.
O PSD continua enredado em Lisboa nas contradições que a promiscuidade Governo-autarquia acabou por proporcionar e terá de resolver as desmedidas ambições no seu ninho de candidatos. Provavelmente a nova direcção gostaria de deixar a sua marca com a apresentação de um nome novo, se possível inesperado e consensual, no partido e nos sectores da comunidade que desesperam com as ambiguidades deste processo. Marques Mendes faria bem se assim procedesse: mesmo que não ganhasse as eleições em Lisboa, saberia ter aproveitado a oportunidade para fazer uma campanha eleitoral limpa, construtiva e para criar uma oposição responsável também na capital.
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