| Subject: Bruno Carapinha apoia a Coreia do Norte. |
Author:
João Luís
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Date Posted: 25/04/05 14:26:35
In reply to:
José Carlos Abrantes
's message, "Mais factos, menos opinião" on 25/04/05 11:08:30
E o resto está dito.
>Mais factos, menos opinião
>
>José Carlos Abrantes, DN, 25/04/05
>
>
>1" 'O regime estalinista de Kim Jong-Il anunciou ontem
>ter reforçado o seu arsenal de armas nucleares para
>fazer face à alegada invasão que Pyongyang diz estar a
>ser preparada pelos Estados Unidos.' É assim que
>começa a notícia de Manuel Carlos Freire sobre o
>anúncio do reforço do poder nuclear norte-coreano na
>edição de hoje do 'Diário de Notícias'. Não tenho
>intenções de reflectir sobre a natureza política do
>sistema político da Coreia do Norte, a minha intenção
>é a de protestar contra o carácter parcial e nada
>isento com que o jornalista iniciou a notícia. Não me
>recordo de ver, em lugar algum, a assunção da
>denominada ideologia estalinista, de que fala Manuel
>C. Freire, por parte do povo e do Governo
>norte-coreano, mas recordo-me na perfeição do conteúdo
>da deontologia dos profissionais de jornalismo e que
>exige a existência de factos para sustentar a notícia."
>
>Bruno C.
>
>O jornalista enviou-me um esclarecimento que começa
>assim "Estou convicto de que a 'carta' do leitor Bruno
>C. não merece comentários."
>
>São vários os casos em que os jornalistas, ao
>prestarem esclarecimentos às interpelações dos
>leitores, manifestam o seu desconforto. Fazem
>afirmações sobre a irrelevância das críticas. Manuel
>Carlos Freire diz que as observações do leitor "não
>merecem comentários" e que a resposta é dada apenas
>pelo dever de prestar esclarecimento ao provedor,
>atenção que agradeço. Assim, já não é a primeira vez
>que se revela este tipo de "hostilidade" em relação às
>interpelações dos leitores
>
>Cito, por isso, o Livro de Estilo do DN, que me foi
>recentemente disponibilizado, e que afirma "O leitor
>(...) é a razão de ser do jornal. (...) Quando
>contactam o jornal (os leitores) esperam ser bem
>atendidos, sobretudo se protestam."
>
>Manuel Carlos Freire argumenta depois com citações de
>excertos de notícias de alguns media estrangeiros
>impossíveis de reproduzir. De facto são muito extensas
>e não foram traduzidas. No Livro de Estilo diz-se que
>o "DN é um jornal português, escrito para leitores
>predominantemente portugueses" e que" a transcrição de
>textos em línguas estrangeiras implica a sua
>tradução." Ora as citações chegaram-me em inglês e
>francês. A mais significativa dessas citações
>refere-se a um texto da BBC on line (que traduzo, para
>cumprir o livro de estilo) "Analistas dizem que foi um
>sinal que o Estado estalinista não estaria disposto a
>responder às pressões internacionais."
>
>Não me cabe pronunciar sobre o modo como outros órgãos
>noticiosos constroem as suas notícias. Mas a resposta
>do jornalista levou-me o olhar para outros exemplos.
>Num texto equivalente do Le Monde (24-03-05) fala-se
>da chantagem nuclear norte-coreana, mas referem-se os
>países pelos nomes. De forma bem fulminante o autor do
>texto francês fala, num único momento, da Coreia do
>Norte como "posto avançado da tirania", colocando esse
>qualificativo, essa opinião, na boca de Condoleeza
>Rice. Ou seja, não dá a sua opinião, dá uma informação
>subtil mas marcante.
>
>Vale a pena também ver o que está no Manual de
>Redacção e Estilo da Folha de S. Paulo num caso de
>separação entre a opinião e os factos.
>
>"Faça textos imparciais e objectivos. Não exponha
>opiniões, mas factos, para que o leitor tire deles as
>próprias conclusões. Em nenhuma hipótese se admitem
>textos como Demonstrando mais uma vez o seu carácter
>volúvel, o deputado António de Almeida mudou novamente
>de partido. Seja directo: O deputado António de
>Almeida deixou ontem o PMT e entrou para o PXN. É a
>terceira vez em um ano que muda de partido. O carácter
>volúvel ficará claro pela simples menção do que
>ocorreu."
>
>Julgo que o leitor do DN deseja o mesmo que, na
>construção das notícias, sejam sempre os factos a
>demonstrar e não a opinião do jornalista.
>
>2. Incluo frequentemente no Bloco-Notas uma informação
>para incentivar os leitores a escreverem ao provedor.
>Acontece que raramente é publicada, embora envie o
>texto com o número de caracteres exigido, mesmo menos.
>Por vezes, aparece uma fotografia para preencher o
>espaço vazio provocado pela retirada injustificada do
>texto. Dado que já solicitei explicação e não a
>obtive, partilho esta insólita situação com os
>leitores. Aproveito aliás para reproduzir o apelo
>"ESCREVA, manifeste a sua opinião sobre a informação
>do DN enviando email para provedor2004@dn.pt ou
>escrevendo para Provedor dos Leitores Diário de
>Notícias, Avenida da Liberdade, 266, 1250-149 Lisboa."
>
>A situação é tanto mais estranha quanto têm aparecido
>algumas críticas, em blogues, fazendo crer que o
>Provedor dos Leitores do DN responderia, menos do que
>seria desejável, a interrogações dos leitores. A esta
>crítica também respondi na crónica anterior mostrando
>que, no Estatuto do Provedor dos Leitores, que sou
>obrigado a cumprir, estão tipificados três tipos de
>crónicas as de resposta aos leitores, as de análise ao
>jornal, as de crítica sobre o contexto mediático. Com
>a crónica de hoje completo 47 textos: 21 com respostas
>a leitores, 21 de crítica geral e cinco de análise do
>jornal. Mesmo nas crónicas de crítica geral procuro,
>sempre que se justifica, falar do DN. Se volto a
>insistir sobre esta tipificação é também porque outro
>problema tem estado sem solução, desde há meses: na
>versão internet não é colocado o Bloco-Notas, gerando
>essa falta alguns mal-entendidos pela inserção de um
>texto incompleto. Os leitores que lêem o jornal na
>internet ficam com uma ideia distorcida sobre o que
>escrevo. Como é possível que o DN, incluído no grupo
>PT, forte na internet, não consiga solucionar um
>pequeno problema informático de colocar na rede uma
>crónica completa? Alguma omissão haverá.
>
>José Carlos Abrantes, Provedor dos leitores
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