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Subject: As Categorias da Hegemonia e da Muleta na Ruptura PS-PCP para a Câmara de Lisboa!


Author:
www.comunistas.info
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Date Posted: 27/04/05 0:04:09

As Categorias da Hegemonia e da Muleta na Ruptura PS-PCP para a Câmara de Lisboa!



por Paulo Fidalgo – 25/04/05


Na sua declaração acerca da ruptura entre o PS e o PCP, Carlos Chaparro, o responsável do PCP para a cidade de Lisboa, afirmou que o divórcio se justifica com a recusa do PCP em ser muleta do PS e de aceitar as suas pretensões hegemónicas.



Aparentemente, portanto, os dirigentes do PCP recuperam a fraseologia da táctica marxista clássica, como Marx no seu “A Luta de Classes em França”, como Lenine em “As Duas Tácticas da Social-Democracia” ou como Bento Gonçalves no seu “Palavras Necessárias”. Isto para ganhar a posição dos militantes a favor da sua conduta neste processo.



Mas a interrogação legítima é a de saber qual o conteúdo dado às categorias da Hegemonia e da Muleta e se de facto poderemos encontrar aqui o sentido dos clássicos ou uma mera apropriação formal do discurso.



Até para a retórica de Estaline, mas de modo algum na sua prática, com o seu “Princípios do Leninismo”, a noção de autonomia e independência políticas da classe operária se vinculam à ideia de um programa, da formulação própria de objectivos da acção, e não resultariam, apenas nem especialmente, de qualquer vantagem de posições administrativas, designadamente na distribuição de lugares.



Estes lugares têm obviamente importância, mas num momento tão dramático como o da ruptura das negociações para a Câmara de Lisboa, ficou no ar a ideia de que as categorias da Hegemonia e da Muleta traduziam apenas a posição e o quantitativo dos lugares num qualquer tratado de Tordesilhas. Sem alma política, sem objectivos descortináveis, sem portanto um desígnio de transformação em direcção a uma cidade e a um País mais avançados.



Que o PS o faça, isso é criticável mas é esperado, dado o indefinido investimento transformador que tantas vezes demonstram muitos dos seus dirigentes. Agora que o façam os dirigentes da força que supostamente deveria ser o motor da transformação, isso é totalmente inaceitável.



Se a isto se resume a condução táctica da direcção do PCP, tal configura de facto, isso sim, uma rendição ao espírito burguês de secundarização dos programas, em que tudo aliás se relativiza quando se fala em objectivos, mas onde se investe administrativamente de facto nos lugares como alvo de controlo político.



Se o PCP entrou nessa lógica, então, num certo sentido amplo, histórico, reiterou de facto um lugar de apoio e portanto de muleta às concepções burguesas, na medida em que aceitou substituir a discussão do futuro de uma Cidade, guarda avançada de um país que os comunistas e os trabalhadores ambicionam construir, por quem hegemoniza ou se subalterniza na distribuição de lugares.



O deslize do discurso torna aliás compreensível que a direcção do PCP ache interessantes acordos posicionais, oportunistas, com a direita, em Sintra e no Porto e até noutras regiões. Pois se é certo que a independência, autonomia e identidade próprias, se resumem à obtenção de lugares, sem cuidar de obter transformações reais, que dificuldade ou obsoleto preconceito impediriam então acordos com a direita, se fossem interessantes os lugares oferecidos?



O sentir comunista arrepia-se com a ideia de que nada de substancialmente diferente se terá passado quando o PCP negoceia e não aceita os lugares, por serem escassos, que o PS lhe reserva na aliança em Lisboa, e negoceia e aceita, por exemplo, uma vasta colaboração em Sintra e no Porto, com o PSD maioritário, por serem esses lugares suficientes.



A inquietação advém precisamente do facto de o desejo de revolucionar o actual estado iníquo das coisas nunca vir ao de cima nas dissensões entre dirigentes do PS e do PCP.



Que dissidência esteve presente na concepção da cidade?



Terá sido porque os comunistas queriam mais privilégio ao transporte público e o PS não? Porque havia diferenças no montante dos programas de construção social? Porque a conquista da margem do rio para o desfrute popular implica investimentos e batalhas políticas que fazem as duas forças divergir? Ou terá sido porque os comunistas propuseram medidas anti-especulação imobiliária inaceitáveis para os socialistas? Não, nada de substancial foi afinal referido nas razões de ruptura!



E que fique claro, tanto para o PS como para o PCP: essa ausência de substância política, torna as razões desta ruptura incompreensíveis e inaceitáveis para comunistas e eleitores de esquerda e faz, afinal de contas, temer pela própria possibilidade de derrotar a direita em Lisboa!



A frase de ontem, divulgada na imprensa e atribuída a Jorge Cordeiro, dirigente do PCP, de que “é compreensível o PS querer hegemonizar a coligação mas que é igualmente compreensível o PCP não aceitar ser subalternizado” mostra toda a patética visão segundo a qual a legitimidade e naturalidade de uma conduta dita política se cinge ao balanço dos lugares e que tanto estará certa a conduta do PS em o querer fazer, como a do PCP de o fazer também.



Com os olhos postos em Marx e no extraordinário património revolucionário do PCP, dizemos que a complacência de Jorge Cordeiro para com as motivações das partes desavindas é a gritante expressão da degeneração a que chegou a praxis da esquerda.



Esta linguagem evoca pois, com inquietação para os comunistas e o seu legado de princípios que, de facto, a hegemonia dos lugares substituiu o alcance do programa, afinal a única verdadeira medida da autonomia política e da independência! E da resignação a um papel subalterno ou a ser muleta de outrem!

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Re: A arte de falar sem estudar e depois sai quase à moda do de Vizela!João Luís27/04/05 0:20:18
Re: As Categorias da Hegemonia e da Muleta na Ruptura PS-PCP para a Câmara de Lisboa!Gonçalo Valverde27/04/05 8:54:21
Re: As Categorias da Hegemonia e da Muleta na Ruptura PS-PCP para a Câmara de Lisboa!Ana Maria27/04/05 22:57:44
A única questão é que o PCP queria mais tachos!observador curioso27/04/05 23:04:43
Re: As Categorias da Hegemonia e da Muleta na Ruptura PS-PCP para a Câmara de Lisboa!Fernando28/04/05 7:02:43
Re: O Teixeira Lopes já tem seguidores!João Luís28/04/05 20:28:46


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