| Subject: Nacionalizações dominaram campanha (em 1975) |
Author:
J. M.
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Date Posted: 27/04/05 11:19:14
Entre os militantes do PS, claro, reinava o entusiasmo, quando se conheceram os resultados. "Não mais será possível negar que o PS é um grande partido de massas, um partido nacional, com grande implantação na classe operária!", exultava Mário Soares, que durante a campanha eleitoral ouvira camaradas seus, como o falecido advogado José Luís Nunes, afirmarem "Depois da nacionalização da banca e dos seguros, é preciso nacionalizar os monopólios!"
A defesa das nacionalizações, que tinham começado a ser decretadas após a derrota da tentativa de golpe de Estado spinolista, em 11 de Março de 75, foi um dos temas fortes da campanha de vários partidos. Não de todos, é certo. "As nacionalizações salvam o capitalismo", proclamava num comício o dirigente da UDP, Eduardo Pires. O que valeu uma "reprimenda" de Vasco Gonçalves "Não compreendo como é que há pessoas que se consideram sinceramente de Esquerda e digam, ao mesmo tempo, que as nacionalizações foram uma burla. Isto é falta de senso político e de instrução política".
Nem o PPD escapou à onda. "Não basta transferir gerências. É preciso que o povo participe nessa gestão", advogava o resistente Emídio Guerreiro, que chegou a liderar o partido, durante as estadas de Sá Carneiro em Londres, para se tratar de problemas de saúde. Isto, num comício em que defendeu o "julgamento dos responsáveis pelo analfabetismo e pelo atraso na agricultura".
Compreende-se assim que Magalhães Mota, outro destacado dirigente do PPD, tenha afirmado, numa conferência de imprensa de análise dos resultados, ao lado de Pinto Balsemão e Rui Machete "O ideal de socialismo humanista por que se norteia o PPD não se atém à democracia política, antes atribui igual importância às demais dimensões da construção democrática - a económica e a social. E a consideração de tais dimensões leva a afastar a solução capitalista, ligada à multiplicação das desigualdades, à desagregação social e ao colonialismo das multinacionais". Quanto aos resultados, Mota também não tinha dúvidas: "O povo quis votar e pelo voto afirmar a sua escolha - uma opção pela liberdade e pelo socialismo democrático
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