| Subject: o PS encarou o PCP como um mero suporte para obter votos |
Author:
Luísa Botinas
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Date Posted: 24/04/05 8:54:25
PCP e PS rompem coligações autárquicas
Luísa Botinas, DN, 24/04/05
"Assunto arrumado". PS e PCP não vão concorrer coligados em Lisboa nem em qualquer outro ponto do País, e "a culpa é do PS", dizem os comunistas.
O cenário de um entendimento entre comunistas e socialistas, visando a reedição da coligação de esquerda que saiu vitoriosa em 1989 e em 1997 na capital, não se concretizou após uma ronda de negociações que envolveu os líderes dos dois partidos. Carrilho avançará pelo PS e Ruben de Carvalho pelo PCP. Assunto encerrado.
Assim se esvai a esperança de um acordo que começou a preparar-se com a primeira reunião entre delegações a 13 de Abril, após solicitação dos comunistas. Oito dias depois, a 20, já com a anunciada candidatura de Ruben de Carvalho, há nova reunião. Na mesa, o PCP coloca três questões ao PS que considera essenciais para haver coligação Programa político definido; rectificação de "erros e malfeitorias" das quais o PS foi conivente neste mandato (aprovação do Parque Mayer, alteração da filosofia de gestão das empresas municipais, situação financeira da câmara) e a matriz da coligação. Carlos Chaparro conta como foi: "O PS respondeu negativamente a todas as questões do PCP, logo na sexta-feira através de um fax, mesmo antes de qualquer hipótese de definição de novos encontros". A matriz da coligação foi, aliás, o ponto condicionante para o desenlace que se verificou. "O PS queria ter a maioria absoluta em todos órgãos. Em vez de os dois partidos serem parceiros entre iguais com um programa de alternativa de esquerda, o PS encarou o PCP como um mero suporte para obter votos, e isso nós não aceitamos. Defendemos para a coligação uma correlação de forças em que tenhamos uma palavra a dizer e que não sejamos a cereja no bolo", disse ao DN Carlos Chaparro, dirigente do PCP na região de Lisboa.
A exclusão dos Verdes na fase posterior da coligação foi outro dos factores que levou à ruptura. "Nunca aceitaríamos essa situação", sublinhou. Dado o actual contexto, para o PCP é "irreversível" a decisão. "Mesmo que o PS recuasse, os tempos e as dinâmicas lançadas não permitem mais avanços e recuos". O PS recusa o ónus do fim da coligação dizendo que os comunistas "não queriam atender à evolução eleitoral do PS nos últimos anos, em Lisboa". E acrescentam os socialistas, o "PCP queria nestas negociações obrigar o PS a rever posições sobre várias matérias, como a lei para as autarquias".
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