VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

1/06/26 15:58:41Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12[3]456789 ]
Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (2)


Author:
Bento Gonçalves
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 11/04/05 23:42:11
In reply to: Bento Gonçalves 's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11

PALAVRAS NECESSÁRIAS
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (2)
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973

As ideias socialistas fazem, entre nós, a sua aparição por alturas de 1871 e dão lugar a um entusiástico debate nas célebres conferências do Casino, com lugar de destaque para Antero e Eça de Queirós.

As ideias ali debatidas tiveram como imediato resultado a criação dum organismo conhecido pela “Fraternidade Operária”, que mais tarde se transformou em Partido Socialista.

Esta actividade organizativa derivava, em primeiro lugar, da reconhecida necessidade de organizar a luta contra os exploradores da população operária e, em segundo lugar, do entusiasmo trazido pelas lutas dos trabalhadores estrangeiros contra as suas burguesias e, mais do que tudo isto, do formidável acontecimento político que foi a revolução da Comuna.

É coisa estabelecida que a consciência política dos dirigentes operários dessa época era profundamente romântica e formada na escola de Proudhon e ainda alicerçada numa certa dose de idealismo hegeliano. Os efeitos duma tal orientação deviam produzir resultados pouco encorajadores no seio do proletariado. Por outro lado, o proletariado dessa época tinha toda ou quase toda a sua actividade laboriosa ligada à pequena produção manufactureira e artesã.

Num meio tão atrasado industrialmente, uma consciência revolucionária tão justa como a dos proletários de países como a Inglaterra, a França, a Alemanha, etc., era impossível. Contudo, o movimento operário ia crescendo e travando as suas lutas económicas parcelares contra os seus exploradores.

Azedo Gneco foi, a partir de certa altura, a figura mais saliente, o socialista mais capacitado, o que mais se aproximava das ideias de Marx, postas em marcha através dos princípios da Primeira Internacional. (...)

O objectivo essencial do pensamento de Gneco e dos seus amigos era a reorganização do Partido Socialista com vista à unificação dos Trabalhadores. Os elementos de apoio a este pensamento existiam nos sindicatos e nas cooperativas operárias de consumo (...).

O número de sindicatos e cooperativas e até dalgumas instituições de assistência e cultura ia aumentando sob o controlo socialista. Entre as últimas, destacava-se a Voz do Operário (...).

Nos começos do nosso século, o Partido Socialista é já uma realidade viva; todo o movimento sindical e cooperativista, principalmente, está sob a sua influência e controlo.

O quadro era prometedor para a época. A classe operária tinha um Partido, embora a sua orientação não fosse verdadeiramente revolucionária.

Durante a primeira década do século actual, assiste-se a certa estagnação da actividade política da Europa Ocidental. É na Rússia, para onde o centro da luta revolucionária se havia deslocado, que se dá o maior acontecimento político dessa época – a Revolução de 1905. A distância, os meios precários de comunicação e as diferenças de clima político entre nós e ela fizeram com que o facto quase não tivesse eco no nosso país.

Porém, o nosso meio andava agitado. Desde 1891 que a monarquia entrara em crise. Após a bancarrota de 1891, os republicanos (...) tinham intensificado os seus ataques à realeza. Entretanto, o Partido Socialista não agiu de modo a tirar vantagens possíveis do conflito (...). Pelo contrário (...) toda a experiência e vantagens políticas reverteram em benefício dos republicanos (...).

Fora o Partido Socialista um Partido Revolucionário e o proletariado português teria, em 1910, decidido as suas reivindicações dessa época e firmaria melhor as suas posições. Mas quem tinha a palavra era um Partido oportunista, um Partido que desviava a classe operária do seu justo caminho, colocando-a à mercê dos interesses da burguesia republicana.

As ideias anarquistas tinham, muito antes de 1910, conquistado muitos indivíduos entre nós (...). A sua acção exercia-se paralelamente à dos republicanos, embora se distinguissem por uma mais contundente linguagem e considerassem que a República liberal era o trampolim para uma sociedade sem Estado, Leis ou Autoridade.

Até 1904, os anarquistas, em França, tinham-se apercebido da impossibilidade de alargar a sua influência ideológica em concorrência com os seus émulos pequeno-burgueses, agrupados em organizações de esquerda liberal.

Esta constatação levou-os ao sindicalismo revolucionário com a “descoberta” dos sindicatos dos trabalhadores, para onde transferiram quase toda a sua actividade.

O esmagamento da Comuna tinha aberto a porta ao derrotismo e ao oportunismo; as ideologias estranhas aos justos interesses da classe operária entravam por essa mesma porta.

É que a maioria dos sindicatos franceses, impregnados de mentalidade anarquizante, decide aceitar, no congresso de Amiens, a concepção sindicalista revolucionária do Movimento Operário.

Esta nova concepção não pôde violar as fronteiras do Reno nem transpor o canal da Mancha, para além do qual se encontrava um proletariado industrialmente forte, com uma tradição socialista e dotado duma sólida consciência de classe. Estes mesmos obstáculos não existiam para aquém dos Pirinéus e, por isso, os princípios estabelecidos na chamada “Carta de Amiens” puderam instalar-se em Espanha e no nosso país.

Em 1909, quando em Portugal se efectua a primeira Conferência Sindicalista (...) já os sindicalistas revolucionários, com alguns sindicatos sob a sua influência, se instalam em posições de certo modo sólidas, de onde prosseguirão em progressivo combate contra o Partido Socialista.

As posições dos socialistas são numéricamente mais fortes: todos os sindicatos do Porto, têxteis da Covilhã, Fábricas do Tabaco e muitos sindicatos artesãos espalhados pelo país estão consigo. Os activos militantes Azedo Gneco, Martins Santareno, António José da Silva, estão no primeiro plano socialista.

Do outro lado, estão os corticeiros rurais de Beja, alguns sindicatos da Construção Civil, Gráficos e perspectivas de trabalho nos transportes ferroviários. Os chefes da oposição sindicalista revolucionária são mais aguerridos: Os seus nomes: Alexandre Vieira, Carlos Rates, Bartolomeu Constantino, Sebastião Eugénio, Peixe, etc.

(continua)

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (3)Bento Gonçalves12/04/05 21:24:10


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.