VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

1/06/26 8:44:19Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12[3]456789 ]
Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (3)


Author:
Bento Gonçalves
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 12/04/05 21:24:10
In reply to: Bento Gonçalves 's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11

PALAVRAS NECESSÁRIAS (3)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves

Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973

A República implantara-se com o efectivo apoio da massa operária. Os dirigentes do Partido Republicano Português prometeram, em troca desse apoio, algumas reformas (...).

Decerto que o terão feito em reuniões conjuntas com os dirigentes operários socialistas e sindicalistas revolucionárias. Sabendo-se que a orientação reformista dos socialistas portugueses se subordinava à táctica da II Internacional de tomar o parlamento como elemento essencial da luta operária contra o sistema capitalista, pode-se admitir que entre socialistas e republicanos se acordara num compromisso de estreita colaboração partidária.

Por seu turno, os sindicalistas revolucionários, fiéis ao seu “apoliticismo”, deverão ter-se comprometido à prestação dum apoio, condicionado pela sua concepção ideológica e orientação de luta independente.

Sem dúvida, os republicanos iriam, após o seu triunfo, explorar a falta de unidade operária, a diferença de métodos de luta entre socialistas e sindicalistas revolucionários e, mais do que tudo isto, a ausência duma justa consciência revolucionária do proletariado.

Ainda não iam decorridos dois meses, já o primeiro sinal de reacção do lado operário se manifestava com a declaração da primeira greve parcelar (Corticeiros de Almada). Este facto tornou-se um verdadeiro rastilho. Dentro em pouco, outras classes se movimentavam, alternando-se os seus resultados com vitórias e derrotas.

Estas greves eram promovidas e orientadas pelos sindicatos revolucionários. A rede dos seus sindicatos ia engrossando. A influência dos sindicalistas revolucionários crescia, enquanto a influência dos socialistas ia perdendo terreno com a passagem de alguns dos seus sindicatos para o lado dos seus oposicionistas. Ao mesmo tempo, os sindicalistas revolucionários criavam novos sindicatos, trazendo à luta, deste modo, muitos milhares de trabalhadores organizados.

As Constituintes tinham no seu seio, pelo menos, dois deputados socialistas – Ladislau Batalha e António José da Silva. O desespero destes, ao verem a influência do seu partido sobre as massas operárias em progressivo declínio, levava-os a lamentosas intervenções parlamentares, devido à falta de cumprimento das demagógicas promessas produzidas pelos republicanos, antes da derrocada monárquica.

O certo é que a República não afectara os interesses dos grandes proprietários agrícolas, nem tão-pouco os da banca e da grande indústria. Os capitalistas (...) tinham, em boa parte aderido ao Partido Republicano Português. Esta decisão (...) é que fundamentalmente pesava no comportamento e acção dos órgãos (...) da República.

A República significava o prolongamento do domínio da classe capitalista, o seu reforço, e nunca o seu desaparecimento.

A principal dificuldade da grande burguesia consistia em ter a sua classe dividida ideológicamente: dum lado os republicanos; do outro, os monárquicos. Era esta dificuldade que socialistas e sindicalistas não exploravam convenientemente.

Para o conseguirem, precisavam de unir todas as suas forças, ligá-las a um comando único e combinar a acção (...) no Parlamento com a luta dos sindicatos (...). Quer dum lado quer do outro, ligava-se mais importância aos princípios (...) dos respectivos movimentos que à realidade objectiva e ao interesse global da classe operária.

(continua)

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (3)Bento Gonçalves12/04/05 21:25:29


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.