| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (4) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 12/04/05 22:26:34
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (4)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
Aoesar de o interesse dos capitalistas indicar uma adesão total à República, havia contudo uma parte que ficara fiel ao regime democrático e patenteava a sua discordância com incursões armadas ao longo da fronteira norte do país.
Esta hostilidade não era eficazmente combatida pelo Governo (...) o que gerava um descontentamento crescente entre as camadas populares da pequena burguesia e do proletariado. Mas o que fundamentalmente indispunha a classe operária contra o Governo da República era a falta de cumprimento das suas promessas (...).
A concessão feita aos operários arsenalistas da jornada diária de 8 horas fora estabelecida com o fim de atrair (...) a simpatia daquela classe. O estabelecimento oficial do direito à greve (...) era contrabalançada pela garantia oficial do direito ao trabalho.
A lei que suprimia as congregações religiosas, o direito ao divórcio e a laicização do ensino escolar, a lei da separação do Estado e da Igreja, etc., eram concessões aparatosas e ilusórias e não traziam encargos financeiros para a classe dos capitalistas no poder.
Era esta a situação de desequilíbrio entre as classes, agravada pela repressão governamental sobre as greves anteriores, quando, em meio de 1911, os sindicalistas revolucionários lançam a greve geral, avantajando-se assim aos socialistas, a quem acusavam de falsear os interesses da classe operária com a sua estéril actuação parlamentar.
OS sindicalistas, além de inscreverem no caderno das suas reivindicações o cumprimento dos acordos anteriores ao triunfo da República (...) reclamavam a jornada diária das 8 horas e, hábilmente, exigiam a liquidação rápida das incursões monárquicas (...).
O Governo, contando com o pacifismo dos (...) socialistas, acusa os sindicatos de perturbação da sua acção (...).
Envereda então pelo caminho da repressão violenta, assalta e encerra a Casa Sindical, depois de haver prendido ali algumas centenas (...) entre os quais os dirigentes do Movimento Grevista.
A greve fora esmagada e muitas dezenas de trabalhadores (...) deportados para o Forte da Graça, em Elvas. A acção repressiva do Governo não conseguia, porém, abafar o sentido de hostilidade das massas populares. O Governo (...) meses depois fazia algumas concessões e, (...) libertou os presos.
A tensão entre os socialistas, cujos métodos de luta reformista culminavam com a falência da sua exploração oportunista do parlamento, e os sindicalistas revolucionários, cuja acção combativa, embora esquerdista, era mais ajustada ao interesse das lutas (...) começou a tomar (...) o carácter de luta pela hegemonia do Movimento Operário.
Até 1912, data em que se realizou o Congresso Sindical em Tomar, (...) todo o tempo foi gasto pelos dois grupos em conflito a definir posições.
Era evidente que o papel dos socialistas, como partido dirigente da classe operária, se reduzia (...). A sua orientação reformista tinha feito uma experiência e os resultados tinham sido quase inteiramente negativos. O Congresso Sindical de Tomar corroborara (...) esses resultados e pronunciou-se, em maioria esmagadora, pela orientação sindical revolucionária.
Os socialistas com os poucos sindicatos que restavam em seu controlo e com todo o movimento cooperativista nas suas mãos, nunca mais voltariam a comandar o proletariado. A fidelidade aos princípios da II Internacional jamais seria posta de parte.
A República continuava a considerar-se no exclusivo interesse da burguesia capitalista. Até começos de 1913, só os sindicalistas revolucionários estiveram na brecha contra a classe dominante.
O seu esquerdismo levou-os a isolar-se dos outros sectores interessados em alterar o rumo do regime republicano em favor das massas populares. Este sectarismo das ideias dos militantes (...) e a falsa visão política dos dirigentes em breve causariam os seus efeitos.
Em 27 de Abril de 1913, dá-se uma intentona “putchista”, dirigida por Machado dos Santos, o homem que a República classificara de seu primeiro herói. Os sindicalistas revolucionários prestam efectivo apoio a esse movimento, patenteando (...) o seu oportunismo de esquerda. Por outro lado, a sua ligação com um grupo de oposição ao Governo punha em foco a incapacidade de o Movimento Sindical soldar a si todas as classes laboriosas e da pequena produção (...).
Esta insuficiência prática de ligar a si as massas derivava da errada concepção estratégica em que se baseava o movimento sindical revolucionário.
O proletariado ressentia-se da falta dum Partido que se tornasse o dirigente da luta revolucionária, e era isto mesmo que o tornava presa de qualquer grupo de aventureiros, exploradores desta suprema dificuldade.
O Governo, em fins de 1914, depois de ter esmagado algumas intentonas de Machado dos Santos (...) deportou-o (...). Entretanto, os sindicalistas revolucionários, no terreno das lutas (...) operárias, não cesssaram de levar as classes à luta, fortalecendo, deste modo, a sua posição de dirigentes ínicos da classe operária.
O mundo capitalista caminhava para (...) a maior crise (...). Os antagonismos imperialistas geravam um ambiente propício à guerra. O atentado de Serajevo serviu de pretexto (...) em Julho de 1914.
Foi no meio de um clima social bastante convulsionado (...) em Setembro de 1914, que os sindicalistas revolucionários realizaram o seu primeiro Congresso, de onde devia sair a União Operária Nacional.
(continua)
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