| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (5) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 12/04/05 23:34:58
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (5)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
O “abrilismo” tinha causado muitas baixas no Movimento Operário. Alguns militantes sindicalistas revolucionários (...) haviam-se engolfado nos “putches” de Machado dos Santos e abandonado completamente a luta sindical. Porém, estas deserções tinham sido compensadas com a vinda à luta de novos elementos. O laboratório experimental da vida sindical (...) preparava com rapidez novos quadros. (...)
A guerra eclodira em Portugal, à parte os que lhe eram hostis, começavam a desenhar-se duas correntes de simpatia (...): a aliadófila e a da “entente cordiale”. A primeira era, de longe, a mais numerosa e ostensiva. A diplomacia inglesa começara a trabalhar (...).
A propaganda aliadófila fazia recair sobre a Alemanha as responsabilidades do conflito (...). A declaração de Kropotkine, um dos mais destacados teóricos do anarquismo, em favor da intervenção ao lado dos imperialistas aliados devia (...) ter tocado muita gente (...).
A própria posição traidora dos socialistas da II Internacional, estabelecendo o princípio da defesa da burguesia nacional contra o de “guerra à guerra”, proclamado anteriormente, era (...) um dos maiores apoios prestados aos imperialistas ocidentais.
Pois bem: contra esta corrente transbordante de simpatia (...) para com o bando imperialista aliado, o Congresso Sindicalista de Tomar, proclama-se contra a intervenção de Portugal na guerra. Esta justa decisão causara muito desagrado nos sectores partidários da Inglaterra.
A posição justa do Congresso encontrara a oposição de alguns (...) que alguns que agiam em torno do Movimento Sindical, os quais vieram a público manifestar-se pela intervenção: Carlos Rates, Manuel Ribeiro e José Augusto Machado (anarquizantes) e José Augusto Machado (socialista) eram os mais destacados.
Ao lado da União Operária Nacional enfileiravam os “Abrilistas” (...) e, (...) os “Unionistas” de Brito Camacho.
A oposição ao Partido Democrático tornara-se muito popular. Uma parte da grande burguesia agrária e bancária, ainda fiel à monarquia, aproveita-se deste sentimento hostil e provoca o “Movimento das Espadas” (...) declarando a sua incompatibilidade com o curso dado à política pelo Partido Democrático.
A crise abre-se, o PR encerra o Parlamento e entrega ao general Pimenta de Castro o encargo de formar ministério. Este declara governar com a lei, põe em liberdade os presos “abrilistas” e sindicalistas e promove, imediatamente, o julgamento e absolvição dum grupo de indivíduos acusados de ter atentado (...) contra a existência de Afonso Costa. (...)
A reacção de Pimenta de Castro viera provar que (...) o proletariado era uma força social que os políticos da burguesia utilizavam para os seus fins. A classe operária não era dona de si mesma. O primitivismo ideológico do Sindicalismo dificultara à classe operária criar um Partido revolucionário que a fizesse, de modo efectivo, intervir nas lutas políticas do País, a fim de, crescentemente, impor os seus fins de classe revolucionária. Esta situação ia demorar a transformar-se.
O Congresso Sindical de Tomar criara a União Operária Sindical. Data daí a introdução das uniões dos sindicatos. Além das decisões de não-intervenção, o congresso ratifica a sua adesão aos princípios da “Carta de Amiens”.
A guerra começara a fazer sentir os seus efeitos no nosso nível de vida. A União Operária Nacional (...) declara (...) a sua decisão de levar as classes à greve de reajustamento de salários. A proporção desta dupla corrida é favorável aos detentores da riqueza e dos utensílios de trabalho.
Em Maio de 1915, Pimenta de Castro é apeado por um golpe armado. Há gente do povo que em Fevereiro apoiara (...) e que participa agora contra ele, de armas na mão, ao lado dos democráticos.
É confuso tudo isto (...) dá a medida da justa falta de mentalidade política. Este golpe foi auxiliado pela Inglaterra e dá começo, com Norton de Matos no Ministério da Guerra, a uma efectiva política de intervenção.
Em fins de 1915, cria-se a Juventude Sindicalista. O seu órgão de imprensa é o “Despertar”. Os seus princípios são os de Amiens.. A sua aparição coincide com a altura em que quase toda a imprensa burguesa (...) se mostra inclinada com a participação de Portugal na guerra. Já nessa data haviam sido enviados para as Colónias alguns barcos carregados de tropas (...).
É a juventude que toma a cabeça da luta contra a guerra (...). Os manifestos nos quartéis convidando os jovens à deserção circulavam com profusão. O governo reprime (...). Não há, entretanto, uma concepção de organização que se combine com toda esta acção directa de agitação. A orientação política da juventude tinha a mesma marca da União Operária Nacional. Por isto mesmo, este trabalho (...) não produzia resultados práticos.
Gritava-se nos arraiais intervencionistas que as Colónias (...) estavam em perigo de ser (...) tomadas pelos alemães. Só a entrada de Portugal na guerra podia pôr termo aos planos (...), dizia-se. Se a Inglaterra, ainda em 1912, tinha acordado com os imperialistas alemães a partilha das Colónias (...) agora, afirmava-se, só o esforço de Portugal na guerra, ao lado da Inglaterra, salvaria as Colónias (...).
Em Março de 1916, a oposição fora dominada e o Parlamento declarara guerra à Alemanha. Servia-lhe de pretexto um recontro (...) entre tropas portuguesas e alemãs no Sul de Angola (...). Uma boa parte (...) do povo continua contra a guerra.
A burguesia que exportava produtos, os oportunistas do comércio e todos os que duma maneira ou de outra lucravam com a guerra, eram seus partidários. (...).
Uma coisa se verificava: era que o proletariado, sem um guia seguro, andava ao sabor do primeiro aventureiro político que lhe tocasse o sentimento. A sua vanguarda seguia o mesmo destino.
Em Dezembro de 1917, Sidónio Pais, apoiado num grupo de oficiais não-intervencionistas, na classe operária, nos “Abrilistas” e na indiferença e no sentimento antibelicista da maioria do povo, lança um “putsch”. Este golpe foi bem sucedido.
Sidónio Pais empreende demagógicamente, uma nova era de “messianismo político”. Era a “República Nova” quem ia resolver os problemas fundamentais da Nação.
(continua)
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