| Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (13) |
Author:
Bento Gonçalves
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Date Posted: 16/04/05 20:54:31
In reply to:
Bento Gonçalves
's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11
PALAVRAS NECESSÁRIAS (13)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927
Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973
Os princípios de Amiens pareciam estar em crise em toda a parte.
A Internacional Sindical Vermelha era para os sindicatos portugueses, nessa data, um farol cuja luz ainda não se projectava vivamente. A sua estrutura e finalidade revolucionária não estavam em causa, mas a sua ligação e relações com a IC pareciam não concordar com a “pureza” dos fins para os quais se orientava o Movimento Operário Sindical Português.
(Com o mundo exterior sindical opunha-se a quaisquer hesitantes considerações. Nestas circunstâncias, a CGT resolveu enviar, também, um delegado seu a Moscovo ao Congresso da ISV que se realizou em 1922. A escolha recaíu em Perfeito de Carvalho, operário gráfico, nessa data um dos principais redactores da “Batalha”.)
O ano de 1922 começara, para a classe operária, como um ano que oferecia perspectivas de grandes lutas. A CGT tinha engrossado em número. Os seus trunfos no ano transacto fizeram aumentar o número de sindicatos. As greves parcelares recrudesceram de intensidade.
O custo de vida, porém, aumentava extraordinariamente. Pelos processos de batalha económica entre patrões e operários, era impossível os últimos levarem a melhor. As conquistas, neste terreno de actividade, produziam-se sem solução de continuidade.
Quando o índice dos salários se aproximava do índice real do custo de vida, este escapava-se-lhe. O facto tinha semelhança com uma interminável corrida de velocidade em que o pelotão dianteiro não se deixava nunca ultrapassar, embora a técnica dos corredores lhes impusesse, de vez em quando, um afrouxamento na marcha, para arrancarem sempre com mais ímpeto. (...)
Era impossível colher sólidas vantagens do esforço gigantesco que a classe operária produzia, persistindo na linha dos velhos métodos de luta indicados pela CGT.
A greve económica mantinha-se como uma ilusão; o nível de vida não melhorava nunca para as classes trabalhadoras. Era isto que era preciso considerar em primeiro lugar. Depois, agir, fazendo compreender às massas os fundamentos da sua acção e dos seus objectivos.
Esta batalha tinha de ser simultâneamente económica e política para que os resultados chegassem depressa. Ou os salários deviam subir até se equipararem com um padrão de vida razoável, ou o preço do custo dos produtos devia baixar até ao limite dessa equiparação. Para levar a bom termo a campanha, era indispensável atrair todos os explorados, inclusive os pequenos produtores cuja situação se agravava dia a dia.
A CGT mostrou que não estava capacitada para levar a cabo a tarefa (...). Mais ainda: ela não compreenderia, caso o proletariado já se encontrasse politicamente instrumentalizado, a razão duma aliança política para aproveitamento da conjuntura.
Porque o custo da vida subia, as greves explodiam, acompanhadas com todos os acessórios da época: sabotagens, recontros com os “amarelos”, uma ou outra bomba à mistura, etc. Mas a situação real não melhorava para os trabalhadores. E, na corrida de velocidade entre patrões e operários, os primeiros iam sempre à frente, parecendo distanciar-se cada vez mais.
Esta vantajosa situação não bastava à classe dos exploradores. Receavam enfraquecer e ser alcançados pelos perseguidores.
(continua)
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