VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

1/06/26 2:30:13Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12[3]456789 ]
Subject: Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (13)


Author:
Bento Gonçalves
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 16/04/05 20:54:31
In reply to: Bento Gonçalves 's message, "PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927" on 11/04/05 22:35:11

PALAVRAS NECESSÁRIAS (13)
A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927

Bento Gonçalves
Edição de Virgínia Moura, 1ª edição sem data, 2ª edição 1973

Os princípios de Amiens pareciam estar em crise em toda a parte.

A Internacional Sindical Vermelha era para os sindicatos portugueses, nessa data, um farol cuja luz ainda não se projectava vivamente. A sua estrutura e finalidade revolucionária não estavam em causa, mas a sua ligação e relações com a IC pareciam não concordar com a “pureza” dos fins para os quais se orientava o Movimento Operário Sindical Português.

(Com o mundo exterior sindical opunha-se a quaisquer hesitantes considerações. Nestas circunstâncias, a CGT resolveu enviar, também, um delegado seu a Moscovo ao Congresso da ISV que se realizou em 1922. A escolha recaíu em Perfeito de Carvalho, operário gráfico, nessa data um dos principais redactores da “Batalha”.)

O ano de 1922 começara, para a classe operária, como um ano que oferecia perspectivas de grandes lutas. A CGT tinha engrossado em número. Os seus trunfos no ano transacto fizeram aumentar o número de sindicatos. As greves parcelares recrudesceram de intensidade.

O custo de vida, porém, aumentava extraordinariamente. Pelos processos de batalha económica entre patrões e operários, era impossível os últimos levarem a melhor. As conquistas, neste terreno de actividade, produziam-se sem solução de continuidade.

Quando o índice dos salários se aproximava do índice real do custo de vida, este escapava-se-lhe. O facto tinha semelhança com uma interminável corrida de velocidade em que o pelotão dianteiro não se deixava nunca ultrapassar, embora a técnica dos corredores lhes impusesse, de vez em quando, um afrouxamento na marcha, para arrancarem sempre com mais ímpeto. (...)

Era impossível colher sólidas vantagens do esforço gigantesco que a classe operária produzia, persistindo na linha dos velhos métodos de luta indicados pela CGT.

A greve económica mantinha-se como uma ilusão; o nível de vida não melhorava nunca para as classes trabalhadoras. Era isto que era preciso considerar em primeiro lugar. Depois, agir, fazendo compreender às massas os fundamentos da sua acção e dos seus objectivos.

Esta batalha tinha de ser simultâneamente económica e política para que os resultados chegassem depressa. Ou os salários deviam subir até se equipararem com um padrão de vida razoável, ou o preço do custo dos produtos devia baixar até ao limite dessa equiparação. Para levar a bom termo a campanha, era indispensável atrair todos os explorados, inclusive os pequenos produtores cuja situação se agravava dia a dia.

A CGT mostrou que não estava capacitada para levar a cabo a tarefa (...). Mais ainda: ela não compreenderia, caso o proletariado já se encontrasse politicamente instrumentalizado, a razão duma aliança política para aproveitamento da conjuntura.

Porque o custo da vida subia, as greves explodiam, acompanhadas com todos os acessórios da época: sabotagens, recontros com os “amarelos”, uma ou outra bomba à mistura, etc. Mas a situação real não melhorava para os trabalhadores. E, na corrida de velocidade entre patrões e operários, os primeiros iam sempre à frente, parecendo distanciar-se cada vez mais.

Esta vantajosa situação não bastava à classe dos exploradores. Receavam enfraquecer e ser alcançados pelos perseguidores.

(continua)

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Re: PALAVRAS NECESSÁRIAS-A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927 (14)Bento Gonçalves16/04/05 22:02:41


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.