| Subject: Re: Interrogações autárquicas |
Author:
Paulo J.N. Silva
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Date Posted: 19/04/05 13:21:54
In reply to:
www.comunistas.info
's message, "Interrogações autárquicas" on 19/04/05 9:52:24
>
>Como é possível que uma coligação de esquerda,
>sofresse da mesma penalização que o país infligia a um
>governo PS mono-color?
>
Paulo J. N. Silva
Uma das causas para a derrota foi insistir no Joao Soares como presidente da autarquia, nao tem perfil, e agora se ele concorrer em Sintra, não me parece que consiga roubar a CM ao PSD.
>
>A incapacidade de uma coligação em Lisboa se
>autonomizar da imagem negativa do governo releva
>precisamente do facto de não emprestar qualquer
>especificidade política que permitisse mostrar aos
>lisboetas algo de efectivamente diferente. E, que, ao
>contrário do caminho de António Guterres, haveria toda
>a vantagem em que o governo do país arrepiasse caminho
>e corrigisse a mira com os olhos postos no que se
>devia estar – e de facto não estava - a passar na
>cidade.
A revolucao na Cidade de Lisboa foi lenta, mas nestes 4 anos de PSD ve-se bem a diferenca para pior.
>
>O problema é que, na cidade, nada de especialmente
>interessante ou mobilizador se passava que
>contrariasse a maré de críticas ao governo. A verdade
>é que o plano de unir a esquerda em Lisboa para,
>depois, a unir no país, a favor de um projecto
>transformador, tinha perdido orientação, chegara a um
>total impasse estratégico e mergulhara no “pântano da
>esquerda”. E o insidioso pântano da esquerda em Lisboa
>precedeu por longo tempo o pântano no país, redundou
>na vitória da direita e ainda serviu de trampolim para
>os meses loucos de Santana Lopes.
A CDU nunca devia ter apoiado o Joao Soares para presidente da CM. E concordo que o projecto de transformação devia ser mais ambicioso.
>
>Em certo sentido, a derrota em Lisboa, foi talvez o
>mais importante pródromo da grave crise então em
>gestação e do qual a cegueira das esquerdas nem sequer
>ainda hoje permite tomar consciência.
>
Não me parece que o PS seja um partido de esquerda, pelo menos a sua praxis e programa nao o é. O PS do governo Guterres perdeu pois seguiu uma politica errada, e o PSD perdeu em seguida, pois tambem seguiu uma politica errada mas “insistimos” em mais do mesmo....
>Significa isto que, ao contrário do amolecimento
>anterior, a política de unidade autárquica deve antes
>de tudo recuperar toda a potencialidade do plano
>original: batalhar por um país novo!
Mais que um país, uma sociedade nova.
>
>
>
>À primeira vista, os apelos do PCP a um diálogo com o
>PS em Lisboa, e deste ao PCP, no Porto, poderiam
>inscrever-se num estado de espírito positivo.
E são.
>
>
>Sabendo do discurso relutante e sem verdadeira
>abertura para uma discussão de governo, presente na
>campanha eleitoral para as recentes legislativas, por
>parte do PCP (e do BE), constata-se para já uma
>preocupação meramente táctica, em torno de lugares e
>agendas eleitorais. Longe portanto desse sentido
>refundador que a unidade autárquica deve recuperar sob
>pena de não ganhar qualquer credibilidade.
Não concordo, as legislativas e as autarquicas tem pesos e votações completamente dispares. E aquilo que o PS quer nao parece estar de acordo com o projecto CDU actual e duvido que se chegue a acordo em Lisboa.
>
>
>
>Assim, não se está a refundar uma coligação. Está-se a
>arriscar a reedição de um mau resultado.
>
Nao me parece que va haver coligacao em Lisboa
>
>
>O PS deseja acordos porque tem a noção de que lhe
>interessa prolongar o elán das legislativas, e
>recuperar Lisboa e Porto ao PSD, um objectivo
>compreensível mas destituído em si mesmo de sentido
>transformador.
100% de acordo
>
>
>
>E sabemos que ao PS e, a toda a esquerda de resto,
>lhes interessa um bom resultado nas autárquicas para
>alimentar a perspectiva de vitória nas presidenciais.
Ao PS principalmente. Eu nao votarei em candidatos do PS de direita.
>
>
>
>Mas atenção, posto assim, de forma prosaica, tudo isto
>poderá apenas ser lido pelo eleitor democrata como um
>mero sacar de votos, eleitoralista, que não mobiliza
>nem convence.
Como o sera sempre.
>
>
>
>Do lado do PCP, o sentido parece ser tão-só o de fugir
>a uma exposição eleitoral em listas isoladas que o
>confronte com um cenário de perdas. O inverso
>precisamente do que seria de exigir a uma força com
>efectivo estatuto de promotor de uma sociedade e
>economia avançadas.
O que vai acontecer e o segundo.
>
>
>
>Do lado do BE, a imagem que predomina é a de uma força
>que prefere a conquista eleitoral baseada naquele
>discurso, vivo e focado em causas, que lhe forneceu
>uma das mais espectaculares mudanças de aritmética
>eleitoral desde a Revolução, mas como solista sem
>espírito de unidade.
A aritmetica vai mudar.
>
>
>
>A ser verdade, isso tornaria o BE num novo émulo do
>super-eleitoralismo, que sacrifica a vitória sobre o
>PSD nas grandes capitais, ao alargamento do seu
>território eleitoral. E perpetuaria assim aquela
>imagem de oposição que não embarca nas agruras da
>governação.
Acho que o que vai acontecer e exactamente o contrario, o seu territorio vai diminuir.
>
>
>
>O BE justificou parcialmente a sua táctica de corredor
>solitário com a conduta ilícita do PCP e do PS ao
>longo do mandato autárquico que agora termina.
Nao vejo bem como.Mas....
Diz
>João Teixeira Lopes que ambos devem ser penalizados: o
>PCP pela sua aliança oportunista com o PSD na Câmara
>do Porto; e o PS do Porto porque continua contaminado
>com o pior do caciquismo autárquico. Críticas que têm
>de resto bastante fundamento. Sem uma retratação do PS
>e do PCP, no Porto, preferirá o BE ir sozinho.
Acho bem, que vá sozinho.
>
>
>
>O discurso rectificador e moralizador do BE no caso do
>Porto pode querer constituir um embrião de uma nova
>maneira de actuar em termos de política autárquica,
>que supere o esgotamento e as práticas mais
>cristalizadas da esquerda convencional, consentâneo de
>resto com a ideia de uma nova praxis que desde sempre
>marcou a vantagem do BE.
Nao considero que as praticas estejam cristalizadas, mas existe uma diferenca entre o possivel e o ideal, e com o PS e os seus boys e sempre dificil levar alguma coisa a bom porto.
Mas por não ter claramente
>assumido o papel de refundador de uma política de
>agregação corre o risco de aparecer tão-só como uma
>escapatória para o desejo de afirmação eleitoral
>autónoma.
>
Parece-me que e mais tempo de antena que o BE quer alias como o PS acerca de Lisboa e Porto.
>
>
>O sentido da discussão política é o de batalhar por
>programas e não por prévias considerações de conduta.
>Até porque a lógica nos ensina que todas as forças que
>antes divergiram e agora consideram uma aliança,
>fazem-no porque evoluíram e admitem rectificar.
Nao me parece que os programs per se se vendam tambem assim, pois nesse caso o PS nao tinha ganho as legislativas
>Colocar a condição prévia de uma penitência é
>argumento que parece alimentar precisamente uma linha
>de fractura a todo o custo.
>
>
>
>O BE teve nesta altura uma oportunidade soberana para
>colocar na agenda uma verdadeira refundação da unidade
>à esquerda. Em moldes renovados e apontados à montagem
>de nova solução política para o país. Não teve no
>entanto a audácia de o fazer. Tinha de resto toda a
>autoridade para isso, como força que reúne cada vez
>mais simpatias do povo. Deveria ter pois colocado em
>cima da mesa aquilo que toda a esquerda espera por ver
>ser colocado: celebrar acordos que repercutam numa
>nova dinâmica nas cidades, no governo e nas eleições
>presidenciais.
Nao me parece que isso possa acontecer, existe falta de quadros e as opinioes sao muito divididas.
>
>Ficariam assim mais claros os pontos de acordo ou de
>discórdia.
Obvio, mas isso nao me parece que interesse
>
>
>Para os comunistas, onde quer que eles hoje se
>arrumem, o que interessa hoje é gerar as condições
>para que a alternativa de fundo abra caminho nas
>cidades e no país. Por isso, a sua condução deve ter o
>sentido de batalhar muito mais por compromissos
>programáticos transformadores e por objectivos com
>alcance político do que deixar a discussão arrastar-se
>pelo pântano das defesas de território e das agendas
>de aparelho.
Os comunistas só se podem arrumar na CDU, não vejo outra alternativa.
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