VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

1/06/26 1:25:10Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1234[5]6789 ]
Subject: Re: Bento Gonçalves


Author:
J. Prior
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 6/04/05 23:52:33
In reply to: Alvaro Cunhal 's message, "Re: Bento Gonçalves" on 6/04/05 23:29:42

Tá visto. Foi mesmo apagado.

>5. Vida clandestina e constante preocupação democrática
>
>Forçado a actuar numa rigorosa clandestinidade,
>sujeito a uma violenta repressão, o Partido era
>forçado à centralização de tarefas essenciais e a
>medidas de cuidadosa defesa. Mas embora com soluções
>diferentes em momento diferentes, procurava-se
>assegurar um funcionamento democrático compatível com
>tal situação.
>
>Tal como praticamente todos os partidos comunistas do
>mundo, por influência do PCUS e da Internacional
>Comunista, o PCP sempre afirmou ter uma estrutura e um
>funcionamento fundamentados no centralismo
>democrático. Mantendo-se esta expressão, os conceitos
>e a prática sofreram entretanto através dos anos
>modificações importantes.
>
>A defesa contra a repressão nas condições de
>clandestinidade a que o PCP era obrigado, exigia
>compartimentação de organizações, militantes e
>tarefas, secretismo de numerosos dados, forte
>centralização de competências de direcção e rigorosa
>disciplina. Mas apesar de erros cometidos em alguns
>momentos de centralismo excessivo, foi constante a
>preocupação de, mesmo em tais condições, assegurar
>métodos democráticos de trabalho.
>
>Em qualquer dos Congressos realizados nessa época (III
>em 1943, IV em 1946, V em 1957 e VI em 1965) a par de
>competências centralizadas, de disciplina, de unidade,
>foram sublinhados princípios democráticos como a
>eleição de todos os organismos de direcção (embora de
>impossível generalização nas condições de
>clandestinidade) a prestação de contas e direitos
>fundamentais dos membros do Partido: de defenderem as
>suas opiniões, de discordarem dos organismos
>superiores, de crítica, de participação na discussão
>ampla e democrática de toda a actividade partidária e
>na elaboração das directrizes gerais do Partido. O IV
>Congresso sublinhou a necessidade e o dever de adoptar
>formas democráticas "sempre que não colidam com o
>trabalho conspirativo". O V Congresso procedeu a uma
>severa crítica ao exagero do centralismo e a métodos
>autoritários de direcção e aprovou Estatutos do
>Partido. O VI Congresso insistiu nos princípios
>democráticos e no trabalho colectivo. Tanto concepções
>centralistas como outras depois caracterizadas como
>"anarco-liberais" foram ultrapassadas.
>
>Tanto a experiência nacional, como a internacional
>mostraram que, com o enunciado de princípios do
>centralismo democrático, foi possível instaurar de
>facto situações extremamente diferenciadas, com
>numerosos casos de desrespeito pelos princípios
>relativos à democracia interna e a acentuação dos
>princípios do centralismo, levando em alguns partidos
>a situações de autoritarismo e mesmo despotismo de um
>núcleo dirigente.
>
>No PCP, além de um crescente respeito pelas opiniões
>diferenciadas, a democracia interna ganhou novos
>valores e aprofundou-se progressivamente através do
>conceito e da prática do trabalho colectivo. Foi uma
>experiência extremamente útil o facto de não ter
>havido praticamente secretário-geral do Partido
>durante 26 anos. Bento Gonçalves preso em 1935, morreu
>no Tarrafal em 1942. Depois da sua morte, durante mais
>19 anos, não houve secretário-geral. Só em 1961 foi
>designado novo secretário-geral, o que não alterou nem
>os princípios nem a prática de direcção colectiva e do
>trabalho colectivo que se tinham anteriormente
>adoptado nos organismos mais responsáveis e se foram
>alargando no Partido, como uma das características
>essenciais da democracia interna.
>
>Não consideramos que a admissão de tendências, de
>campanhas e de lutas entre dirigentes com as suas
>plataformas próprias, reduzindo o resto do partido a
>apoiantes e votantes, seja uma afirmação de democracia
>superior ao conceito e à prática do PCP que se
>compreende a si próprio como um grande colectivo que
>determina a orientação e a acção.
>
>Assim, de 1940 a 1974, o PCP conseguiu por um lado,
>com severas normas de funcionamento defender-se no
>essencial da repressão, mas conseguiu também, com
>preocupações, métodos, prática e critérios
>democráticos, criar um colectivo fraterno, coeso,
>ligado por fortes laços de solidariedade e confiança.
>Estes dois aspectos complementares contam-se entre os
>factores da capacidade de resistência e de intervenção
>do PCP ao longo de tantos anos de duras provas.
>
>O PARTIDO COMUNISTA
>DA «REORGANIZAÇÃO»
>DOS ANOS 40 AO 25 DE ABRIL
>
>excerto da Conferência de Álvaro Cunhal
>no Seminário «Para a história da oposição ao Estado
>Novo»
>Universidade Nova de Lisboa - 9 de Abril de 1992
>
>http://www.pcp.pt/partido/anos/reorga.html

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.