| Subject: Re: Bento Gonçalves |
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J. Prior
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Date Posted: 6/04/05 23:52:33
In reply to:
Alvaro Cunhal
's message, "Re: Bento Gonçalves" on 6/04/05 23:29:42
Tá visto. Foi mesmo apagado.
>5. Vida clandestina e constante preocupação democrática
>
>Forçado a actuar numa rigorosa clandestinidade,
>sujeito a uma violenta repressão, o Partido era
>forçado à centralização de tarefas essenciais e a
>medidas de cuidadosa defesa. Mas embora com soluções
>diferentes em momento diferentes, procurava-se
>assegurar um funcionamento democrático compatível com
>tal situação.
>
>Tal como praticamente todos os partidos comunistas do
>mundo, por influência do PCUS e da Internacional
>Comunista, o PCP sempre afirmou ter uma estrutura e um
>funcionamento fundamentados no centralismo
>democrático. Mantendo-se esta expressão, os conceitos
>e a prática sofreram entretanto através dos anos
>modificações importantes.
>
>A defesa contra a repressão nas condições de
>clandestinidade a que o PCP era obrigado, exigia
>compartimentação de organizações, militantes e
>tarefas, secretismo de numerosos dados, forte
>centralização de competências de direcção e rigorosa
>disciplina. Mas apesar de erros cometidos em alguns
>momentos de centralismo excessivo, foi constante a
>preocupação de, mesmo em tais condições, assegurar
>métodos democráticos de trabalho.
>
>Em qualquer dos Congressos realizados nessa época (III
>em 1943, IV em 1946, V em 1957 e VI em 1965) a par de
>competências centralizadas, de disciplina, de unidade,
>foram sublinhados princípios democráticos como a
>eleição de todos os organismos de direcção (embora de
>impossível generalização nas condições de
>clandestinidade) a prestação de contas e direitos
>fundamentais dos membros do Partido: de defenderem as
>suas opiniões, de discordarem dos organismos
>superiores, de crítica, de participação na discussão
>ampla e democrática de toda a actividade partidária e
>na elaboração das directrizes gerais do Partido. O IV
>Congresso sublinhou a necessidade e o dever de adoptar
>formas democráticas "sempre que não colidam com o
>trabalho conspirativo". O V Congresso procedeu a uma
>severa crítica ao exagero do centralismo e a métodos
>autoritários de direcção e aprovou Estatutos do
>Partido. O VI Congresso insistiu nos princípios
>democráticos e no trabalho colectivo. Tanto concepções
>centralistas como outras depois caracterizadas como
>"anarco-liberais" foram ultrapassadas.
>
>Tanto a experiência nacional, como a internacional
>mostraram que, com o enunciado de princípios do
>centralismo democrático, foi possível instaurar de
>facto situações extremamente diferenciadas, com
>numerosos casos de desrespeito pelos princípios
>relativos à democracia interna e a acentuação dos
>princípios do centralismo, levando em alguns partidos
>a situações de autoritarismo e mesmo despotismo de um
>núcleo dirigente.
>
>No PCP, além de um crescente respeito pelas opiniões
>diferenciadas, a democracia interna ganhou novos
>valores e aprofundou-se progressivamente através do
>conceito e da prática do trabalho colectivo. Foi uma
>experiência extremamente útil o facto de não ter
>havido praticamente secretário-geral do Partido
>durante 26 anos. Bento Gonçalves preso em 1935, morreu
>no Tarrafal em 1942. Depois da sua morte, durante mais
>19 anos, não houve secretário-geral. Só em 1961 foi
>designado novo secretário-geral, o que não alterou nem
>os princípios nem a prática de direcção colectiva e do
>trabalho colectivo que se tinham anteriormente
>adoptado nos organismos mais responsáveis e se foram
>alargando no Partido, como uma das características
>essenciais da democracia interna.
>
>Não consideramos que a admissão de tendências, de
>campanhas e de lutas entre dirigentes com as suas
>plataformas próprias, reduzindo o resto do partido a
>apoiantes e votantes, seja uma afirmação de democracia
>superior ao conceito e à prática do PCP que se
>compreende a si próprio como um grande colectivo que
>determina a orientação e a acção.
>
>Assim, de 1940 a 1974, o PCP conseguiu por um lado,
>com severas normas de funcionamento defender-se no
>essencial da repressão, mas conseguiu também, com
>preocupações, métodos, prática e critérios
>democráticos, criar um colectivo fraterno, coeso,
>ligado por fortes laços de solidariedade e confiança.
>Estes dois aspectos complementares contam-se entre os
>factores da capacidade de resistência e de intervenção
>do PCP ao longo de tantos anos de duras provas.
>
>O PARTIDO COMUNISTA
>DA «REORGANIZAÇÃO»
>DOS ANOS 40 AO 25 DE ABRIL
>
>excerto da Conferência de Álvaro Cunhal
>no Seminário «Para a história da oposição ao Estado
>Novo»
>Universidade Nova de Lisboa - 9 de Abril de 1992
>
>http://www.pcp.pt/partido/anos/reorga.html
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