| Subject: Re: A história dos outros contada por ele-2 |
Author:
João Mesquita
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Date Posted: 9/04/05 0:18:04
In reply to:
João Mesquita
's message, "A história dos outros contada por ele" on 8/04/05 23:51:45
“Um verdadeiro toupeira vermelha”-2
João Mesquita, Grande Reportagem, 05/02/05
Louçã nunca mais deixa de integrar o “núcleo duro” do trotskismo português. Pelo contrário: a sua posição reforça-se quase sempre, o que também é facilitado pelo abandono, na década de 80, de históricos como Cabral Fernandes.
É o que acontece quando em 78 a LCI se funde com o PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores), dando origem ao PSR.
É certo que a unificação – “muito teleguiada” pelo trotskismo internacional, para utilizar a expressão de um dos homens que acompanharam de perto o processo, Heitor de Sousa – não durou muito.
No ano seguinte, boa parte dos militantes do ex-PRT, entre eles o sociólogo José Luis Garcia e Sá Leal, hoje director do serviço de Medicina do Trabalho na TAP, estavam a fundar a FER.
Mas Louçã (...) começa definitivamente aqui a impor-se (...). Sofre alguns desaires, é certo. É o que se passa quando nas presidenciais de 76, ao abrigo da palavra de ordem “Nem capitalistas nem generais”, a LCI apoia Octávio Pato contra Otelo Saraiva de Carvalho (...).
Em 80, quando Otelo volta a candidatar-se à PR, ainda que com resultados muito piores, já conta com o apoio do PSR. O porta-voz da candidatura é (...) dirigente do partido: José Ferreira Fernandes, hoje jornalista no grupo Cofina.
Em 82, com a coligação para as legislativas com a UDP (...) as coisas tornam a não correr muito bem (...). O Xico (...) já então é segundo na lista de Lisboa, atrás de (...) Mário Tomé. (...)
Em 85, independentes como Eduarda Dionísio, João Martins Pereira, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Fernando Rosas e José Mário Branco dão a sua colaboração à campanha (...).
É também o tempo em que a sede (...) na Rua da Palma, se abre a bandas como os Xutos e Pontapés, os Mão Morta e os Peste & Sida (...) todas as noites de sexta e de sábado centenas de jovens acorrem às Palmeiras, que além do mais, Heitor dixit, vêem como “um sítio livre, onde se pode fumar umas “brocas” sem que se seja incomodado”.
Uma madrugada, a coisa deu para o torto. Foi quando um grupo de skinheads feriu de morte (...) o militante do PSR (...) José Carvalho. Mas ainda hoje é possível encontrar nas Palmeiras (...) grupos de jovens (...). Louçã passa por lá às vezes. E se no fim do jantar um “charro” circula de mão em mão, nem sempre se faz rogado a uma “passa”.
(continua)
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