Author:
Alexandra Inácio - "Jornal de Notícias"
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Date Posted: 10/04/05 12:23:53
In reply to:
Rogério Rodrigues - "A CAPITAL"
's message, "Colóquio sobre Bento Gonçalves sem PCP presente" on 10/04/05 12:05:34
ColóquioEx-líder do PCP homenageado
Mário Soares, Carlos Brito, Manuel Alegre e Edmundo Pedro participaram ontem em Lisboa num colóquio sobre Bento Gonçalves. Trata-se do antigo secretário-geral comunista que, eleito em 1929, reorganizou o PCP e o transformou no partido da classe operária, de matriz marxista-leninista. Nenhum dirigente comunista esteve na iniciativa. A ausência, assim como as escassas homenagens a Bento, foram criticadas pelos oradores, que condenaram este "esquecimento sectário" da História.
Coube a João Arsénio Nunes, militante comunista, a defesa. O historiador sublinhou que a direcção do PCP não levantou objecção à sua presença na Biblioteca-Museu República e Resistência (a poucos metros da sede do partido) e que é, até, uma preocupação a publicação dos escritos de Bento Gonçalves. O problema, explicou, é que "a tarefa é complexa". Recentemente, foram descobertos novos textos e há outros assinados com pseudónimo.
"Não percebo que problema possa haver com o seu nome", afirmou Manuel Alegre, insistindo que Bento é "um herói do movimento operário e da resistência". Mário Soares apontou uma razão o "complexo" de Álvaro Cunhal, por não ter sido operário ou ter estado preso no Tarrafal, mas sim licenciado em Direito e filho de uma família burguesa. "Deu todas as provas de sacrifício e de luta, mas a verdade é que nunca perdeu esse complexo", afirmou.
Edmundo Pedro dirigiu as Juventudes Comunistas na década de 1930. Foi companheiro de Bento no Arsenal do Alfeite e no campo de concentração do Tarrafal. Para ele, foi "pai político e espiritual". Viu-o transformar-se em "operário-intelectual" e lamenta que a memória do "refundador" tenha sido "marginalizada pelo PCP".
Carlos Brito questionou a razão pela qual o partido esteve duas décadas sem eleger novo líder, após a morte de Bento, em 1942, no Tarrafal, nunca cabalmente esclarecida. Ao recordarem-no, todos sublinharam a sua inteligência. Edmundo Pedro lembrou como, tendo começado a trabalhar aos 12 anos, Bento era admirado pela administração do Arsenal, pela sua mestria e conhecimentos técnicos, apesar de se saber que era líder do PCP.
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