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Bloguista sabichão
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Date Posted: 10/04/05 20:56:20
In reply to:
visitante embasbacado
's message, "Re: A história dos outros contada por ele- Afinal o PSR e a UDP eram clubes reservados a homens" on 9/04/05 23:38:42
E mesmo assim com muita delicadeza.
>Li com atenção estas "admiráveis estórias" do PSR, UDP
>(e partidos conexos)segundo João Mesquita, e reparei
>agora que NÃO mencionou uma única dirigente! Nem uma
>para amostra!
>
>Será esta tradição histórica, tanto do PSR como da UDP
>(e também da Associação do Portas) que explica porque
>é que são tão maltratadas as mulheres que se atrevem a
>intervir aqui? Agora é a Maria da Graça que está na
>berlinda, mas qualquer mulher que não siga as ideias
>bloguistas é aqui tratada pelos comentadores
>bloquistas duma maneira perfeitamente incrível.
>
>Mais uma área em que teriam muito a aprender com a
>malta da CDU. Lá respeitam as mulheres. Tratam-nas com
>respeito. Não as achincalham gratuitamente como por
>aqui, muitas vezes.
>
>
>>“Um verdadeiro toupeira vermelha”
>>
>>João Mesquita, Grande Reportagem, 05/02/05
>>
>>(...) Em Novembro de 71, chegara a Lisboa um celebrado
>>activista da revolta estudantil coimbrã de 69, João
>>Cabral Fernandes (que) vem fazer o chamado ano de
>>prática clínica no Hospital de Santa Maria.
>>
>>Mas vem também procurar estender à capital os Grupos
>>de Acção Comunista (GAC), que se tinham começado a
>>formar em Coimbra e no Porto a partir de leituras e
>>discussões que têm Léon Trotsky sempre no centro.
>>
>>Aos ouvidos de Cabral Fernandes chegam notícias de um
>>grupo de estudantes do Liceu Padre António Vieira
>>(...). Um (...) era Francisco Louçã. O outro, Miguel
>>Teotónio Pereira.
>>
>>Cabral Fernandes não descansa enquanto não descobre
>>como chegar à fala com os rapazes. Ainda por cima
>>(...) lêem Marx, Lenine e Marcuse e frequentam sessões
>>de cinema pouco recomendadas (...), no velho Império
>>ou no cineclube que funciona no salão paroquial da
>>Igreja de S. João de Brito.
>>
>>Só que Miguel (...) não prescinde das suas futeboladas
>>(...) nem de uns longos jantares (...) na Munique ou
>>na Alga (...). Francisco não. Já nessa altura (...) dá
>>mostras de ser “um verdadeiro toupeira vermelha”
>(...).
>>
>>João Cabral Fernandes também gosta de umas noitadas.
>>Mas não descura a oportunidade de recrutar Francisco
>>Louçã (...).
>>
>>Quando surge nas primeiras reuniões de estudantes
>>trotskistas (...) Francisco dá logo nas vistas (...).
>>Ainda é, porém, um militante muito recente para estar
>>na conferência que funda a LCI, realizada na casa que
>>um estudante trotskista de Medicina possuía em
>>Peniche, no dia 18 de Dezembro de 1973.
>>
>>Mas nesse mesmo ano passa a integrar a direcção de
>>Lisboa da nova organização. E em Julho de 1974, no
>>encontro que consagra a integração da UOR (União
>>Operária Revolucionária) na LCI, é eleito para o
>>Comité Central.
>>
>>Já participa, pois, na primeira polémica interna que
>>abala a LCI após o 25 de Abril, em torno de saber se
>>ela deve, ou não, legalizar-se imediatamente.
>>
>>Francisco Sardo e Ferreira dos Santos, dois históricos
>>(...), sustentam que não (...). Louçã está entre a
>>maioria que defende que sim. E assim chega ao
>>Secretariado do Comité Central, onde tem por camaradas
>>João Cabral Fernandes, Heitor de Sousa, Adelino
>>Fortunato e António Brandão.
>>
>>Mas os resultados nas eleições para a Constituinte, em
>>Abril de 75, não são brilhantes (...). Resultado: o
>>segundo congresso, que se efectua em Agosto, é talvez
>>o mais polémico (...). Defrontam-se quatro tendências.
>>Ganha a liderada por Francisco Vale, futuro jornalista
>>de O Jornal e hoje proprietário da editora Relógio
>>d’Água.
>>
>>Francisco Louçã está na segunda corrente mais votada,
>>ao lado de Cabral Fernandes e José Manuel Boavida.
>>
>>Sai do Secretariado, mas por pouco tempo. Um mês
>>depois do congresso, a maioria afecta a Vale impõe a
>>participação da LCI na FUR. Mas a evolução desta
>>parece dar razão aos que, como Louçã, a viram mais
>>como um instrumento do PCP para alargar a base de
>>apoio à governação de Vasco Gonçalves.
>>
>>Consequência: novo secretariado, com Francisco Louçã a
>>regressar. E quando em Julho de 76 se realiza o
>>terceiro Congresso da LCI, Francisco Vale acaba mesmo
>>por ser expulso, sob a acusação de fraccionismo. Sardo
>>(...) e Ferreira dos Santos (...) afastam-se.
>>
>>Pelo meio dá-se o 25 de Novembro, que interrompe os
>>sonhos revolucionários (...).
>>
>>(continua)
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