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LISANKA GONZÁLEZ SUÁREZ
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Date Posted: 2/04/05 15:28:39
In reply to:
Comité Central do Partido Comunista de Cuba
's message, "Novas e brutais medidas do governo Bush" on 1/04/05 23:56:36
AGENTE VILMA DA SEGURANÇA DO ESTADO
Em Cuba não há oposição mas sim contra-revolução fomentada e pagada
• Aleyda Godínez revela seu desempenho como «jornalista independente»
POR LISANKA GONZÁLEZ SUÁREZ — do Granma Internacional
MUITOS que a conheciam como uma opositora furibunda da Revolução, com a qual tinham compartilhado seus sonhos de ver recuar a Ilha aos tempos em que a Casa Branca colocava e tirava, segundo seu capricho, os governos de turno, ficaram pasmados ao enxergarem Aleyda Godínez, dissidente, jornalista «independente», líder sindical e de várias organizações contra-revolucionárias, depondo no tribunal como a agente Vilma, da Segurança do Estado.
Tudo começou com as primeiras atividades que Aleyda fez em Ciego de Ávila, onde viveu 15 anos sob uma sólida fachada, organizada, logicamente, pelos órgãos da Segurança do Estado.
Mas, a partir de 1991, quando começou a viajar à capital na busca de contatos — tornada já emissária desses grupos e ponte para estender a contra-revolução ao centro e o leste do país — teve um encontro-chave que lhe permitiu se consolidar como dissidente.
A PROVA DE FOGO
Sem sabê-lo, a secretária dos assuntos políticos e econômicos da Repartição de Interesses dos EUA em Havana (SINA), Rodin Diane Meyer, contribuiu para a consolidação da agente Vilma. Esta mulher, ativa e eficiente em seu atendimento direto à contra-revolução, dedicou-se a estudar a personalidade de Aleyda e mostrou-lhe o caminho do jornalismo «independente» e do sindicalismo. «Treinou-me para isso, procurava-me os melhores textos e manuais e pôs-me em contato com muitas organizações no exterior».
Embora em Aleyda existisse certa vocação oculta pelo jornalismo, era incapaz de medir até onde chegava seu talento, nem sequer se tinha. No verão de 1993, quando foi publicada no El Nuevo Herald, de Miami, uma reportagem a partir de uma enquête feita na Ilha por uma companhia norte-americana, um pedido de Robin alertou-a de que podia aproveitar seu gosto pelas letras para se assegurar como dissidente.
«Pediu-me para fazer um trabalho onde criticasse os gráficos e estatísticas publicadas, com o objetivo de apresentá-lo na SINA e no Departamento de Estado, onde seria examinado para ver as minhas condições como jornalista. Depois, pediu-me outros trabalhos, até que um dia disse: «Você é boa jornalista». Lembro-me que eu respondi: «Não, eu não sou boa jornalista, eu sou uma cubana que quer que as coisas mudem no meu país». E concluiu: «Mas uma das melhores coisas que você tem nas mãos é o poder da palavra, escreva». E comecei a escrever. «Acabei estudando jornalismo à distância na Universidade Internacional da Flórida. Era um programa sério, a única coisa que não era sério é que eles se apoderavam do dinheiro da Usaid e da NED para isso, e só vinham a Cuba quando já estavam próximos a prestar contas. Na hora em que decidi revelar minha verdadeira personalidade, em abril de 2003, restava aproximadamente um ano para terminar o curso».
A FARSA DO JORNALISMO «INDEPENDENTE»
Obteve seu primeiro troféu de guerra como jornalista «independente» depois de um primeiro contato direto com a Rádio Martí. «Como porta-voz do Comitê Cubano pró-Direitos Humanos em Ciego de Ávila recebia as informações, preparava as notas da imprensa, esperava o telefonema e aproximadamente uma hora depois já estava sendo noticiado o que eu mandava». Também falava para várias emissoras, Cuba Independente e Democrática, entre outras. Dessa forma, eles próprios se encarregaram de reforçar a imagem dela. Entre agosto de 1992 e agosto de 1993 enviou informações para a Rádio Martí, com sua voz, 172 denúncias de supostas violações dos direitos humanos.
«Quando comecei não havia um centavo para nada, tudo era por amor, estamos falando de há 14 anos, não recebi um centavo até que fui conhecida e reconhecida, então, começaram as gratificações, que não eram de cinco dólares por uma informação nem muito menos.
«A pouco e pouco, compreendi que essas denúncias eram um negócio. A coisa funcionava assim: alguém me dava informações e eu as redigia como se fossem obtidas por mim, mencionando essa pessoa, às vezes, como fonte. Então eu recebia o dinheiro, não essa pessoa. Claro que alguns artigos não eram publicados porque não serviam, eram uma barbaridade. E então, quando recebia o dinheiro e a pessoa reclamava, dizia: ‘não, neste mês não será publicado; será no próximo’, ou tive problemas na recepção, etc, até que ficavam cansados de reclamar. Aqueles que eram mais inteligentes se afastavam. Isso era um negócio, não fico cansada de dizê-lo. Em Cuba não há oposição, em Cuba há contra-revolução fomentada e pagada. Se não pagavam, acabava o ’talento’.
«Estas pessoas que pensam que são jornalistas independentes são mercenários mesmo. Para mim, sempre ficou claro que não há jornalismo independente, em qualquer canto do mundo você tem que responder ao interesse editorial da pessoa que lhe dá o emprego. Se o jornalismo é tão livre, tão independente, por que não escrevem algo bom. Nenhum deles foi capaz de informar que foram reparadas todas as policlínicas, que foram construídas salas de cuidados intensivos no país todo, apesar da escassez de recursos. Nenhum deles falou disso».
Até abril de 2003, entre os grupos de contra-revolucionários, só havia quatro jornalistas. «Uma dessas pessoas que se diz jornalista ‘independente’ só freqüentou até a nona série, não sabe nem falar, como você pensa que vai saber escrever? Contudo, você lê os telexes: fulano tal, jornalista independente, e às vezes não tem um nível elementar de cultura.
«Eu, por exemplo, não era jornalista e, contudo, pode procurar meu nome na internet e verá que aparecem milhares de trabalhos feitos nessa etapa».
RESPONSÁVEL POR UMA AGÊNCIA DE IMPRENSA
«Agora, vou lhe contar como, sem ser jornalista, fui responsável por uma agência de imprensa. Fui líer de uma organização sindical, com sede em Miami, a Federação Sindical das Usinas Elétricas, de Gás e de Água de Cuba no Exílio (Fspega). Estas personagens da Fspega tinham ido embora para Miami quando do triunfo da Revolução.
Quando eles perceberam que este tipo de «patriotismo» deixava lucros, alugaram um local, inclusive fizeram uma réplica do Clube Cubanaleco, em Miramar, e a partir daí começaram a organizar atividades, almoços, começaram a enriquecer-se com este tipo de negócio. Quando lhe tinham dado um pouco de promoção ao nome e a Agência de Desenvolvimento dos EUA começou a dar-lhes dinheiro, compreenderam que tinham que fazer essa organização dentro de Cuba. Assim, em 1997, fundaram na Ilha esta Federação, nomeando como líder uma pessoa que, em segredo, tencionava ir embora do país.
«Eu estava dirigindo uma organização que se chamava Fundação Nacional Cubano Opositora e o primeiro que fiz para promovê-la foi reunir assinaturas. Assim, achei esse homem que, ao ver meu trabalho, minhas possibilidades e que era respeitada, pediu-me para começar a escrever para a agência de imprensa. Consultei com a Segurança e concordaram. Nós sabíamos que o líder da Federação tinha que ser o diretor da agência de imprensa da organização, a Lux Infopress.
Após quatro meses, o homem me disse que vai embora e que queria que eu ficasse a cargo da agência. Embora estivesse louca por aceitá-lo, me neguei, para não despertar suspeitas. Continuei fazendo meu trabalho, escrevendo, publicando. Então, um dia, o homem apresentou-se na SINA para se entrevistar com Víctor Vockerodt, que nesse momento e até 2002 foi chefe da seção política e econômica.
«Quando o funcionário norte-americano se interessou pela pessoa que o substituiria como diretor da agência, o homem diz um nome e não foi aceito. Então, mencionou meu nome e Víctor disse: «Bom, esse nome é outra coisa». Veja bem, os americanos aprovando quem ficaria como chefe de uma agência de imprensa supostamente independente e cubana. É lógico, se eles são que pagam, têm que nomear seus diretores.
«Quando acabou a reunião, o homem telefonou-me logo e embora eu estivesse com desejos de tomar conta da agência, disse-lhe que eu o atenderia no dia seguinte. Disse-me que era preciso eu asumir essa responsabilidade porque tinha sido aprovada pelos americanos, e que lembrasse que a pessoa que ficasse chefe da agência também ficava com a direção do Instituto Econômico de Pesquisas Sócio-Trabalhistas e com a Federação. Eu também sabia disso, mas aparentava outra coisa. Tudo era um negócio, o instituto por exemplo, o instituto era eu. Depois, começaram as gratificações e os congressos, até que um dia enviaram uma informação a Cuba de que havia que criar uma confederação para obter mais dinheiro e, portanto, melhor vida para eles. Reuni três ou quatro pessoas e criei a confederação, cumprindo uma ordem dos intermediários do governo dos Estados Unidos».
Esta mulher singela esteve junto do inimigo. Conseguiu filtrá-lo e foi respeitada por ele. Conheceu seus escuros e sujos labirintos. Aprendeu a reprimir seus impulsos, fez o jogo deles e os caçadores foram caçados.
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