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Subject: Re: A lista de Reich - Como comprar votos na CDH de Genebra


Author:
VICTOR DALTON
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Date Posted: 2/04/05 17:22:23
In reply to: Comité Central do Partido Comunista de Cuba 's message, "Novas e brutais medidas do governo Bush" on 1/04/05 23:56:36

Havana. 29 Março de 2005

DA IMPRENSA ESTRANGEIRA
A lista de Reich
• Como comprar votos na Comissão de Direitos Humanos de Genebra

POR VICTOR DALTON — extraído do Rebelión

COMO é bem sabido, no ano passado, a 60ª Comissão de Direitos Humanos (CDH) de Genebra aprovou, com vantagem de um voto, uma resolução de condenação a Cuba, apresentada por Honduras, porém redigida nos EUA. Como foi que a maior potência do mundo conseguiu apoio para essa resolução? Um exame disso poderia ajudar a entender o funcionamento da CDH e as chaves dessas negociações.

Na pretensão de impor esse projeto de resolução contra Cuba, custe o que custar, os representantes formais ou informais dos EUA utilizaram todo tipo de ameaças e pressões contra os países que integravam a Comissão.

Vários países centro-americanos receberam avisos de que podiam fazer retornar milhares de seus emigrados que trabalham nos EUA e pôr fim às remessas familiares para suas nações de origem.

Alguns países africanos foram ameaçados de que podiam perder os benefícios da Lei para o Crescimento e as Oportunidades da África (AGOA), norma estadunidense que estabelece facilidades para o acesso de algumas exportações africanas ao mercado norte-americano.

A outros países das várias regiões pretenderam intimidar com chantagens.

A outros solicitaram o voto contra Cuba ou a abstenção, em troca de não bloquear algum empréstimo do Fundo Monetário Internacional, onde os EUA têm direito de veto.

Em 14 de abril de 2004, o subsecretário de Estado, Roger Noriega, confirmou que a Casa Branca manteve contatos com países da América Latina e da Europa, solicitando apoio para o projeto anticubano. Disse que, inclusive, o próprio presidente Bush estaria se encarregando pessoalmente do tema, através de telefonemas. E pôs como exemplo o diálogo com o presidente Fox, segundo revelou a agência DPA.

O secretário assistente para organismos internacionais no Departamento de Estado, Kim Holmes, disse publicamente que os EUA estavam lutando com força, realizando gestões com vários países para estes apoiarem o projeto anticubano.

Por seu lado, o porta-voz do Departamento de Estado confirmou

por sua vez, que o presidente, o secretário de Estado e outros funcionários tinham estado realizando chamadas telefônicas aos países membros da Comissão, identificando os interesses prioritários dos EUA, que têm a ver com a situação dos direitos humanos.

Algumas das pressões fizeram-se de maneira tão escandalosa que foram conhecidas pela opinião pública. Um destes casos foi o da República Dominicana, sob o governo do presidente Hipólito Mejía, que tinha comunicado às autoridades cubanas que ia se abster na votação do projeto anticubano. Esse compromisso manteve-se até o dia 14 de abril, à tarde, quando restavam menos de 12 horas para o voto em Genebra onde, surpreendentemente, o governo cubano soube de que a República Dominicana votaria contra Cuba.

Hipólito Mejía expressou publicamente, em Miami, que tinha recebido chamadas telefônicas para ameaçar o país, do subsecretário de Estado Roger Noriega e do enviado especial do presidente Bush para as Américas, o anticubano Otto Reich.

Na América Latina, nomeadamente, existe uma clara correspondência entre o grau de soberania, dignidade e popularidade de um governo e as possibilidades de sucesso das pressões e chantagens de Washington para comprometer o apoio destes ao projeto anticubano.

Os governos da região afetados por escândalos de corrupção, fraude e baixo nível de apoio social, que têm uma dependência extrema de Washington em matéria de assistência financeira e de repressão dos setores populares descontentes e que representam os interesses das oligarquias-clientes do capital multinacional, são os mais propensos a cumprirem os ditames anticubanos da superpotência, na contramão da vontade de seus povos.

A lista de «estadistas» bajuladores na região inclui personagens tais como os ex-presidentes Carlos Menem (que virou multimilionário, graças a seu «honesto» desempenho) e Jorge Batlle (ex-presidente uruguaio que concluiu seu período de governo com o mais baixo nível de aceitação na história de seu país e que estendeu a impunidade ante as graves violações dos direitos humanos, como assassinatos extrajudiciais, desaparecimentos forçados e torturas).

Quem foram os homens e mulheres encarregados deste trabalho sujo na sede das Nações Unidas em Genebra? Para garantir a aprovação do projeto anticubano em Genebra, a delegação governamental dos EUA foi «fortalecida» com pessoal de experiência na execução da política de hostilidade anticubana e no uso do porrete contra governos do sul, entre eles Frank Almaguer, de origem cubana.

Almaguer foi embaixador de Washington em Tegucigalpa, desde 1999 até 2002. Anteriormente, tinha cumprido outras tarefas de intervencionismo na América Central e outros países da América Latina, desenvolvendo suas missões com a fachada «humanitária» dos chamados Corpos de Paz e da Usaid.

Nunca antes tinha sido tão claro o engajamento de uma administração norte-americana com os elementos mais reacionários e agressivos das gangues armadas de Miami. Talvez o exemplo mais escandaloso tenha sido a inclusão, como membro da delegação de Washington, no 60º período de sessões da Comissão, do cidadão de origem cubana, Luis Zúñiga Rey.

Zúñiga Rey foi preso em agosto de 1974 e julgado pelos tribunais ao entrar ilegalmente em Cuba, procedente dos EUA, com explosivos e armas, como parte de uma operação da CIA que incluía várias ações terroristas. Após libertado, retornou aos EUA como responsável pelas ações paramilitares da Fundação Nacional Cubano Americana, e organizou e financiou atentados com bombas, nos anos 90, contra hotéis cubanos e outras ações terroristas contra hospitais cubanos.

O artigo do relator especial sobre o uso de mercenários, no 56º período de sessões da CDH, revelou que Zúñiga Rey recrutou o cidadão guatemalteco Percy Francisco Alvarado Godoy para realizar estudos sobre pontos vulneráveis e susceptíveis de atentados terroristas em Cuba, tais como hotéis, termoelétricas e usinas de petróleo.

Zúñiga Rey interveio nos debates do 60º período de sessões da CDH representando o país que se diz engajado e promotor do combate contra o terrorismo.

Grupos violentos de origem cubana domiciliados nos EUA, em colaboração com a administração Bush que os recebe e aplaude, influenciaram para somar ao espetáculo da farsa anticubana em Genebra congressistas norte-americanos beneficiados por suas «generosas» contribuições financeiras.

Pelos corredores e salas de Genebra também esteve negociando apoio ao projeto anticubano, ameaçando de aplicar retaliações o congressista republicano do Nova Jersey, Chris Smith, estado que, juntamente com a Flórida, recebe grupos armados de origem cubana como Alpha 66 e Comandos L.

Smith contou com o apoio da senhora Poblete, assistente da congressista de origem cubana Ileana Ross-Lehtinen, com papel de destaque no seqüestro do garoto Elián González e conhecida por seu ativismo para acirrar o bloqueio contra o povo cubano.

Portanto, a votação da CDH do ano passado foi o resultado das pressões e chantagens aos países do Terceiro Mundo, cujos governos vendem sua legitimidade aos EUA pondo como pretexto Cuba. Tudo isto encarregado pelo governo norte-americano a pessoas fortemente ligadas a ações armadas contra a Ilha. Qualquer parecido com os direitos humanos e sua defensa é uma ironia.


in granma internacional

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Subject Author Date
Re: A lista de Reich - Como comprar votos na CDH de GenebraJoão Luís 3/04/05 9:57:54


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